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Análises de preços
 
Carlos Reis é um leitor do EnoEventos tão entusiasmado quanto eu nos assuntos de preços dos vinhos. Um grande incentivador, elogia, dá sugestões, reclama e principalmente colabora. Carlos esteve em março em Buenos Aires e trouxe de lá a tabela de preços da Grand Cru argentina e me encaminhou, para que pudéssemos comparar os preços praticados aqui e lá... No entanto, como não sabíamos se a tabela apresentava preços ainda vigentes, achamos mais prudente fazer a comparação entre os preços dos sites da Grand Cru, no Brasil e na Argentina, desta forma garantindo a utilização de preços no mesmo nível de atualização.

Considerando apenas os vinhos argentinos importados para o Brasil e vendidos pela própria Grand Cru, quanto você imaginaria que a gente tivesse que pagar a mais do que os hermanos porteños? Como o Mercosul determina que os vinhos trazidos de lá sejam isentos de imposto de importação, eu estimaria um pouquinho a mais, uns 10% ou 20%, levando-se em conta os custos de transporte e a burocracia de importação.

Infelizmente, não é bem assim que a coisa acontece. Comparamos 17 vinhos vendidos aqui e lá, sempre da mesma safra, e as diferenças são verdadeiramente exorbitantes!

Para resumir o tamanho da espoliação, um vinho que os cucarachos comprassem na Grand Cru portenha, custaria para nós, os macaquitos, apopléticos 131% a mais! Para não deixar margem ao incorreto entendimento, isso significa que um vinho que na filial Grand Cru de Buenos Aires custasse o equivalente a 100 reais, seria vendido a 231 reais para os infelizes enófilos brasileiros pela filial do Rio de Janeiro! Estou falando sério!

À guisa de comparação, encontrei no site argentino dois vinhos que são importados pela Mistral aqui para o Brasil, e a diferença de preço entre os dois países é de apenas 22%, o que comparado com os inexplicáveis 131% praticado pela Grand Cru, convenhamos, é um quase nada!

O mundo mudou, as informações estão muito mais facilmente acessíveis e os consumidores estão mais conscientes. Tomara que a Grand Cru acorde para esta realidade!

Aqueles que desejarem conferir os dados por nós levantados, poderão consultar a planilha Excel com os preços clicando aqui.

Oscar Daudt
 
Comentários
Luiz Marcio Malzone
Aposentado, degustador de vinho
Rio de Janeiro
RJ
17/07/2009 Caro Oscar

Há uma certa constância, uma frequência, na variação dos preços da Grand Cru, exceto pelo vinho item 18. Há, portanto, creio eu, alguma fórmula financeira que usam para estabelecer o preço dos vinhos para venda no Brasil a partir dos preços argentinos. Um tipo de mark up.

Será que a Grand Cru explicaria para nós, sem o habitual blá, blá, etc genérico, de impostos, taxas, etc. Um cálculo que mostrasse de fato que não estão nos explorando!

Abraços
Malzone
Abílio Cardoso Jr
Dentista e enófilo
Brasília
DF
17/07/2009 Para aqueles que visitarem a Grand Cru portenha, sugiro trazer o Cobos e Bramare, que também tem uma diferença de preço astronômica. Não precisam nem se preocupar com a forma de transporte, pois nossos hermanos providenciam uma caixa p/ 12 garrafas que seguramente pode ser despachada, sem custo adicional.
Abrão
Médico e enófilo
Natal
RN
18/07/2009 Prezado Oscar

Você como um grande entusiasta e uma participação grande nos eventos das importadoras, deve já ter feito a pergunta: porque pagamos preços tão exorbitantes? Acho que às vezes não encontrarão uma desculpa plausível, já que temos um exemplo que você nos deu. Na Mistral a diferença foi de ± 22%, e olha que a Mistral não é tão boazinha assim nos seus preços.

O que poderemos fazer para tentar mudar essa política, e podermos degustar mais e mais?

Um abraço

Abrão,

A resposta está na conscientização e na mudança de hábitos de consumo dos enófilos, privilegiando sempre as importadoras que pratiquem os preços mais honestos.

Abraços,
Oscar
Alexandre Florambel
Economista
Rio de Janeiro
RJ
18/07/2009 Prezado Sr Oscar,

Considero este um bom site, mas me surpreende às vezes algumas matérias sem o menor sentido, como esta. Vocês estão comparando coisas diferentes. Os custos relativos a comercialização de uma garrafa de vinho na Argentina são completamente diferentes dos custos de no Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo.

Além disso os mercados são diversos e a lógica capitalista mostra que o empresário vai sempre buscar maximizar seu lucro e não precisa mostrar planilha e metodo de cálculo para ninguem. Você já viu alguma empresa fazer isso?

Em minha modesta opinião, seria muito mais útil para quem acompanha o site uma avaliação de diversos vinhos por faixa de preços, por exemplo chilenos entre R$30,00 R$ 50,00 , ou Brunellos de diversas importadoras, etc. Ou até mesmo indicação das importadoras quanto a custo x benefício dos vinhos.

Atenciosamente,
Alexandre Florambel

Caro Alexandre,

O empresário sempre vai procurar maximizar seus lucros, é certo. E a única defesa que o consumidor possui é a conscientização e a informação e, repetindo o que respondi acima, dar preferência às empresas que aplicam margens de lucro mais favoráveis a nós.

Abraços,
Oscar
Juan Jose Verdesio
ABS-Brasília Vice-presidente
Brasília
DF
18/07/2009 Caro Oscar Daudt:

O mesmo acontece com os vinhos trazidos do Uruguay (assim com YPSILON como é lá, que a nova ortografia aceita como letra do português).

Eu sempre calculo mais de 100% entre a venda no varejo na terra de origem e aqui. Porque esta diferença, se não paga impostos e o valor de compra do importador na vinícola sempre é muito menor que o preço do varejo?

Gostaria que fizesse uma estatística com os vinhos uruguaios, tipo o AMAT que tanto você gostou ou o Albarinho da Bouza que, para mim é comparável aos bons da Península Ibérica portugueses ou galegos. Este vinho lá custa R$ 30 e aqui mais de R$60,00. É o mesmo que dizer que vinho gaúcho custasse no Sudeste e Centro-oeste o dobro do que no RS!!. Porque?

Gostaria de explicações convincentes sem apelar para a carga impositiva brasileira.

Uma vez contactei a CONAPROLE, a maior produtora de leite e derivados do Uruguay perguntando porque existíam tão poucos produtos dela no Brasil, sendo que são melhores e muito mais baratos do que a maioria dos derivados produzidos no Brasil. Ela me respondeu o seguinte: a carga impositiva no mercado brasileiro faz com o mesmo queijo tenha que ser vendido a 3,5 dólares o kg para ser vendido no varejo a uns R$ 40,00. Se eles o exportam para a Venezuela, conseguem colocar o mesmo queijo a 7,5 dólares por quilo sendo vendido lá a R$20,00. Queijo vendido a mais de R$ 40,00 no Brasil demora semanas para sair da prateleira mas se é vendido a R$ 20 sai que nem água. Por isso eles exportam para a Venezuela lucrando mais do que para o Brasil que não conseguem vender quantidade. Pode ser que a explicação seja por ai.

Realmente não sei.
Eugênio Oliveira
Enófilo
Brasília
DF
18/07/2009 Quando quero um vinho Francês ou Espanhol da Grand Cru, procuro comprá-lo na loja de Buenos Aires, que é bem mais barata que a daqui. Isso já faço há muito tempo. Não é só no vinho argentino que pagamos mais por aqui não.
Roberto Cheferrino
Rio de Janeiro
RJ
18/07/2009
Iúri Leão de Almeida
Instrutor ABS Brasília
Brasília
DF
19/07/2009 Caros enofilos, para variar, encontramos mais uma evidência do oportunismo de alguns importadores aqui no Brasil.

Discordo do colega que disse anteriormente que a comparação com o mercado argentino é infrutífera, temos que comparar mesmo! Só assim conseguiremos combater o mark-up abusivo praticado de forma geral em nosso país. Por que os importadores brasileiros têm de ter 100% a mais de lucro que os de outros países?

Por falar nisso, algum colega tem experiência com importação? Começo a refletir a respeito de me tornar um importador independente, para consumo pessoal. Há vários sites estrangeiros que enviam para todo globo, seria necessário apenas que a pessoa conseguisse licença para importação...

Cordialmente,
Iúri
João Montarroyos
Mestre equitador e enófilo
Rio de Janeiro
RJ
19/07/2009 Fantásticas as ilustrações do Roberto Cheferrino...é um mestre em publicidade!
Rafael Mauaccad
Enófilo
São Paulo
SP
19/07/2009 Caros Oscar e Abrão,

A sociedade norte-americana, liderada por Ralph Nader, desenvolveu canais de informacão e crítica para protecão aos consumidores. Lá chegam até ao boicote à compra dos produtos.

EnoEventos é um portal que proporciona a divulgacão e crítica dos mais variados temas da enofilia. A informacão gera conhecimento, que gera mudancas de atitudes, é a forma de defesa que tem os enófilos para garantir o consumo de vinhos com qualidade e precos competitivos. Exercemos o 4o Poder e tráz resultados, exemplo disso vejam o reflexo positivo na variacão a menor dos precos praticados pela Terroir.

Para ajudar a responder a 2a parte da questão do Abrão ("e podermos degustar mais e mais?"), peço ao Oscar criar um link ao meu comentário postado na matéria Qual a importadora mais barata? 3a edicão, onde transcrevo contribuicão de James Laube para auto-ajuda neste dilema. Abrão, veja que funciona: ajudou o Lalas e sua confraria a descobrirem o Vilasar Nebbiolo 2000, uruguaio; e mesmo ao Oscar a reparar no desapercebido Brunello de Montalcino 2003 de Donatella Cinelli Colombini. Conte-nos depois suas experiências.

Um grande abraco a vocês,
Rafael

Reprodução da auto-ajuda de James Laube:

  • Ignore o preco como avaliacão de qualidade.
  • Coloque limites em suas despesas com vinhos.
  • Tenha cuidado com as mailing lists,nem sempre os precos sào promocionais.
  • Tome os seus vinhos já adegados,faca as reposicões com boas oportunidades de compra.
  • Não seja exclusivista de uma região vinícola, amplie seus horizontes, conheca os vinhos do mundo, um mundo de oportunidades.
  • Compre por caixa e divida com amigos, normalmente são oferecidos bons descontos pelas importadoras e distribuidoras.
  • Escolha os restaurantes que tenham margens acessíveis sôbre os seus vinhos, e aqueles BYB, que permitem trazer suas garrafas.(Bring Your Bottle)
  • Apoie as vinícolas e enólogos favoritos, para sua continuidade comercial.
  • Marcus Ernani
    Leitor
    20/07/2009 Ano passado li um artigo de um professor da USP que estudou a formação de preço dos automóveis importados no Brasil. Ele verificou que o maior percentual pertencia ao item Mark-up e não a impostos como imaginávamos.

    Creio que isso explique em parte, a questão de formação de preço dos vinhos de nossas importadoras!
    Carlos Reis
    Rio de Janeiro
    RJ
    20/07/2009 Bom lembrar que em Buenos Aires, dependendo do valor da compra, ainda se consegue a devolução do IVA, ou seja, equivale a mais um descontinho de 12,5%. O Vinho de cem reais lá acaba saindo por 87,5 reais.
    Romero M. Titman
    Rio de Janeiro
    RJ
    30/07/2009 E o que não é mais caro no Brasil: turismo, tecnologia, veículos, auto-peças, materias de construção, telefonia, energia, serviços gerais, remédios, higiene e limpeza, IMPOSTOS? Tudo aqui é mais caro e nem sempre tão bom. Governo e empresários são sócios na espoliação dos consumidores. Já comprei ítens no exterior por apenas 10% do valor cobrado aqui dentro!!! Brasileiro é RICO e não sabe. Quanto mais voce viaja para o exterior mais indgnado fica!
    Vinicius Toledo
    Enófilo
    São Paulo
    SP
    02/08/2009 Pois é, no caso da Grand Cru, o negócio mesmo é passarmos a comprar direto com os argentinos e mesmo tendo que pagar o frete, fica mesmo mais barato do que comprar aqui em Sampa ou no Rio.

    Quem sabe, um dia, não nos unimos e formamos um Clube de Compras dos amantes do vinho bom e barato.
    Rubens Ignacio
    Sommelier
    Curitiba
    PR
    03/08/2009 Já tive o prazer de provar os melhores vinhos do mundo, desde Brasil até a França. Se tiver algo surpreendente e novo, me falem!
    EnoEventos - Oscar Daudt - (21)9636-8643 - [email protected]