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| França |
 Excepcional viagem enogastronômica
A viagem organizada por José Grimberg, das lojas Bergut, com o apoio da AL Turismo, foi sensacional! Grandes vinhos, alta gastronomia e muita camaradagem e alegria. Vivi momentos inesquecíveis e reparto um pouco com vocês das experiências que desfrutei. Nota 10!
Degustações e Châteaux Sem sombra de dúvidas, o momento mais impressionante de nossa viagem foi a degustação oferecida, em nosso próprio hotel, pelo Château Mouton Rothschild. Realizada no salão mais luxuoso do Regent, foi uma inequívoca demonstração do prestígio de José Grimberg e contou com a presença do diretor geral da vinícola, Mr. Hervé Berland. Só ficou faltando La Baronne. Porém não foram os rapapés, nem o ambiente, o que na verdade deixou a todos de queixo caído - e papilas alertas - mas sim a qualidade, a variedade e a quantidade dos vinhos servidos. Foram 2 safras do segundo vinho, Le Petit Mouton, 4 safras do mítico Château Mouton Rothschild e a apresentação do novo vinho branco, o Aile d'Argent. E não eram aquelas doses de degustação usuais, mas taças servidas com inacreditável largueza - estimo em 200ml cada dose. Para aqueles que ainda tivessem fígado, as taças podiam ser repetidas à vontade. E, ao final, as garrafas que sobraram ainda foram levadas para o nosso jantar.
Outro momento inesquecível, foi a degustação oferecida pelo Château Bonalgue, de Pomerol, realizada nos jardins com a presença da família do produtor, exalando simpatia e gentilezas. O aveludado vinho, elaborado com predominância de Merlot, era uma festa para os sentidos e foi apresentado em duas safras (2000 e 2006), numa mini-vertical. Já durante o almoço que se seguiu, no próprio château, além de degustarmos os outros vinhos produzidos pela família, ainda fomos brindados com mais duas garrafas do excepcional vinho, recolhidas na reserva particular da família, empoeiradas, das safras de 1989 e 1985! Foi um show!
Também excepcional, a visita ao Château Lynch-Bages foi fantástica, onde fomos recepcionados pelo proprietário do Château, Mr. Jean-Michel Cazes, e visitamos o imperdível museu, dentro do château, com os inacreditáveis equipamentos utilizados para a produção de vinho no século XIX. A degustação que se seguiu apresentou uma safra do segundo vinho, Château Haut-Bages Averous (que na recente safra de 2009 trocou de nome para Echo de Lynch-Bages) e quatro safras do primeiro vinho - 2001, 1998, 1997 e 1996 - com que podemos notar as estonteantes diferenças que existem entre elas.
A visita ao Château Beau-Séjour Bécot, em Saint-Émilion, apesar de apresentar apenas duas safras de seu vinho, também foi digna de nota, pois o passeio pelas galerias subterrâneas (de 7 km de extensão), onde os vinhos são armazenados e encontram-se diversas relíquias romanas recuperada durante as escavações, foi um dos momentos altos da viagem.
Já as visitas aos belíssimos Châteaux Margaux e Château La Mission Haut-Brion foram burocráticas e pareciam parte de um certame para ver quem conseguia servir menos vinho.
Alta gastronomia A parte gastronômica da viagem não ficou atrás dos vinhos e conhecemos excepcionais restaurantes, muitos deles estrelados pelo Guia Michelin. Embora seja difícil escolher o melhor dentre todos, acho que meu voto fica para Le Chapon Fin, em Bordeaux, com a cozinha criativa, elaborada e até mesmo divertida do chef Nicolas Frion, em um cenário decorado com motivos cavernosos que foi tombado como Monumento Histórico da França. Ostenta uma estrela do Michelin. Uma imperdível visita para quem for àquela cidade.
Em Saint-Émilion, outro momento especial foi o restaurante Hostellerie de Plaisance, do chef Philippe Etchebest, que foi agraciado com 2 estrelas Michelin, e que exibiu pratos que mais pareciam pinturas. Lindo e delicioso.
Eu gostei demais do Saint James, na pequena Bouliac, onde o chef Michel Portos é detentor de 2 estrelas e exibiu uma sequência interminável de criações surpreendentes. Mas fui voto vencido e a maioria dos presentes reclamou muito do tamanho das porções oferecidas.
Na briga pela minha preferência, outro endereço maravilhoso é o Château Cordeillan-Bages, em Pauillac, do chef Jean-Luc Rocha, mais um restaurante com duas estrelas, que só de sobremesas apresentou 5 etapas - fora outras 5 etapas salgadas. Um desfile maravilhoso de pratos lindos, com ingredientes sofisticados que fizeram a festa de meu estômago.
Por último, o recentemente estrelado La Grand' Vigne, do chef Nicolas Masse, localizado no hotel Les Sources de Caudalie, nos ofereceu a melhor carne de toda a viagem, numa região em que todas as carnes são suculentas, deliciosas e acintosamente macias: era um bife da bovinos da raça Blonde d'Aquitaine, cuja carne é extremamente macia e marmorizada.
Bares de vinho Eu recomendo dois endereços imperdíveis em Bordeaux. No número 14 do Cours de l'Intendance, ao lado de nosso hotel, está localizada a Max Bordeaux Wine Gallery & Cellar. É fácil de passar pela frente sem notar, pois é uma discreta porta, sem vitrines, mas que se abre para uma loja moderna, grande, bem decorada, com taças de cristal penduradas do teto e repleta de máquinas Enomatic, onde se pode provar cerca de 70 dos melhores rótulos bordaleses, em doses de 25, 50 ou 75ml. Os preços variam de 2 euros até assustadores 113 euros para a dose de 75ml do Château Ausone 2006. Imperdível. Eu organizei para mim mesmo 2 horizontais, uma de Pomerol e outra de Pauillac, e fiz a festa. O maior problema de lá é que, por ser uma loja, fecha às 20 horas.
Com um horário um pouco mais extenso, até às 22 horas, o Bar à Vin, da Escola de Vinhos de Bordeaux é outro endereço que não se pode perder. Localizado no 3, Cours du XXX Juillet, também pertinho do nosso hotel, é um bar com vários ambientes - inclusive mesas na calçada - com uma decoração descolada, com poucas mesas e muitos sofás. Só vende vinhos em taças de 150ml, a carta é enxuta e os preços variam de 2 a apenas 8 euros por taça. Para acompanhar, algumas tábuas de queijo ou de fiambres. Você não vai encontrar nenhum Mouton Rothschild por lá, mas com certeza passará horas de grande prazer.
Corrida à beira do Garonne Essa não é propriamente uma dica enogastronômica, mas para quem gosta de corrida, a ciclovia ao longo do rio Garonne é um chuá. Nos dias em que consegui acordar cedo, fui correr para recuperar as forças para a maratona do dia. E sempre encontrava outros madrugadores de nosso grupo por lá. Vale uma corrida!
Considerações finais Se você gostar da matéria e quiser participar de uma próxima viagem dessas, já aviso que não é assim tão fácil. O Grimberg organiza de vez em quando essas viagens, mas elas não são nem anunciadas e as vagas se esgotam rapidamente com os clientes usuais. É quase como se fosse uma viagem fechada e para conseguir lugar, só mesmo com QI.
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Algumas frases curiosas ouvidas durante a viagem
"Ou eu bebo muito ou estão me servindo pouco!" - Mário"Se o Oscar não bebeu é porque a coisa é ruim mesmo." - Zizi"Vous êtes marrié?" - Uma enófila mais afoita dirigindo-se ao proprietário de um château"Estou nadando em uma piscina de Mouton!" - Anônimo"Vous avez dejá mangé la baronne?" - Anônimo desenfreado, dirigindo-se a um négociant
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Um caso sério Seria de excelente alvitre que a Secretaria da Receita Federal providenciasse, com urgência, um treinamento para seus funcionários que atendem ao público.
Na chegada da França, fomos recebidos por duas senhoras, fiscais da receita, mal-humoradas e inaceitavelmente destemperadas. Travestidas de autoridades, julgavam-se no direito de destratar os cidadãos que, em suma, pagam seus salários. A falta de educação e a prepotência não pouparam nem uma velha senhora, de cerca de 85 anos, que era empurrada em cadeira de rodas e foi alvo do que se pode classificar como pura desumanidade.
Dos fiscais, uma casta de funcionários extremamente privilegiada do Governo Federal, o mínimo que se pode esperar é cortesia.
Oscar Daudt |
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