Sorrisos gastronômicos
Há cerca de dois meses, estive em um jantar no Blason, na Casa Julieta de Serpa, para a apresentação do novo chef do restaurante, o aclamado Pierre Landry. Na matéria que fiz a respeito do inesquecível jantar (clique aqui para recordar) referi-me ao improvável e contagiante sorriso do chef.

Agora, já com a casa azeitada e com o controle total da situação, Landry já se sente à vontade para convidar outras estrelas para dividir as panelas com ele. E a escolha recaiu sobre quem? Ninguém menos do que Flávia Quaresma, a mais sorridente chef do planeta. Sei não, mas acho que Landry está querendo firmar o sorriso como a marca registrada do restaurante! E, desse jeito, o grande sommelier do Blason, João de Souza, sério como um bom gaúcho, em breve deverá fazer um curso de gargalhadas para se adaptar às regras da casa.

Quando Flávia se apresentou aos convidados, quase foi sequestrada, pois a maioria dos presentes não se conformava com sua ausência nas mesas cariocas. Numa boa, de bem com a vida, a televisiva chef explicou que não estava aposentada, mas que estava dando um tempo da rotina de um restaurante. Pior para nós, que continuaremos a depender de eventos bissextos para matar as saudades de sua entusiasmante cozinha e de sua presença radiante!

Tem gente que vibra com doces e sobremesas. Eu não: minha praia são os amuse bouches. E fiquei como pinto no lixo, no coquetel de recepção, quando os chefs-sorriso ofereceram quatro dos mais belos, deliciosos e criativos exemplares. A Rillette de pato com geléia de cebola com laranja e especiarias era nada menos do que sensacional e já de cara a elegi como o melhor. O contraste da ave com os toques de laranja e uma suave canela era magistral. As pessoas a minha volta, por outro lado, deslumbraram-se com o Crème brulée de foie gras, cremoso e com um delicada gelatina de lichia fazendo o contraponto. Os Anéis de lula em caldo thai, servidos em um copinho de shot, também me deixaram feliz da vida. Mas essas 3 entradas foram quase um complô que deixou os originais Palitos de polvo com batatas e tomates meio apagadinhos. Todos eles foram acompanhados pelo Crèmant de Bourgogne que Joãozinho está transformando em tradição no Blason.

O jantar
Já à mesa, chegou um excelente Risotto de abóbora com vieiras e Parma crocante. Para nossa surpresa, ficamos sabendo que a receita não tinha nem manteiga, nem queijo, o que fez todos conjecturarem de onde saía aquela cremosidade toda, que contrastava com o crocante do presunto. E como harmonizar um prato com abóboras, vieiras e presunto de Parma? Pois o ladino do Joãozinho tirou da cartola um brasileiríssimo Don Abel Chardonnay Reserva 2008, sem passagem em madeira, cujo frescor e estrutura escortaram devidamente o difícil prato. Para quem já está cansado da madeira exagerada dos exemplares sul-americanos, que tanto maltratam essa casta, o Don Abel é uma excelente alternativa. Não resisti e fui cumprimentar o sommelier pelo acerto.

Em sequência, nadou até a mesa um Filé de cherne grelhado com quiabo e cúrcuma, frutas tropicais que, embora não documentado ainda oferecia grãos-de-bico. A maciez do peixe com as diferentes texturas do grão e do quiabo fizeram um show. Ainda mais que acompanhados por um poderoso Esporão Private Selection Branco 2008 que, embora português, é um corte de Sémillon, Marsanne e Roussanne. Só deixei de lado o puré de frutas tropicais, mas isso é mais um problema de minha aversão ao doce do que do prato em si.

Finalizando o meu jantar, chegou um prato que - como diria o Landry - era uma chose de loque: Mignon de vitela com pupunha, shiitake e tamarindo. A vitela, cozida a baixíssima temperatura, era de uma maciez inacreditável. Vinha recheada com um paté, mas era difícil determinar onde terminava a carne e onde começava o paté. O pupunha, o cogumelo e a acidez do tamarindo completavam a iguaria que se desmanchava na boca. Facas para quê? João escolheu um tinto de Graves, Château Beauregard Lagupeau 2006, cuja elegância deixava o prato reinar absoluto.

Não posso esquecer que ainda chegou, para os outros, a sobremesa, um Moelleux de chocolate com farofa de castanha do Pará, coulis de cupuaçu, mas nem mesmo o exótico sorvete de pimenta-de-macaco que a acompanhava me convenceu a prová-la. Assim como, apesar de sua longa idade, também deixei de lado um L'Étoile Banyuls Grand Cru 1999.

Eu bem que tentei investigar qual chef tinha feito qual prato, para contar para os leitores, mas o assunto era tratado como segredo de estado e a resposta oficial era de que tanto Flávia quanto Landry participaram da preparação de todas as etapas. Haja sorrisos...

Oscar Daudt
O jantar
Rillette de pato com geléia de cebola com laranja e especiarias Palito de polvo com batatas e tomates Crème brulée de foie gras
Anéis de lula com caldo thai
Foto: Berg Silva
Risotto de abóbora com vieiras e Parma crocante Filé de cherne grelhado com quiabo e cúrcuma, frutas tropicais
Mignon de vitela com pupunha, shiitake e tamarindo Moelleux de chocolate com farofa de castanha do Pará, coulis de cupuaçu O requinte das mesas
Os vinhos
(fotos de divulgação)
Jean Louis Ballardin Cremant Cuvée Royale Brut Don Abel Chardonnay Reserva 2008 Esporão Private Selection Branco 2008
Château Beauregard Lagupeau 2006 L'Étoile Banyuls Grand Cru 1999
Os personagens
A sorridente Flávia Quaresma, chef convidada O sorridente Pierre Landry, chef do Blason O sommelier João de Souza
Carlos Alberto Serpa, proprietário da Casa Julieta de Serpa Nícia Maria, divulgadora cultural, e Beth Serpa, diretora da Casa Julieta de Serpa A pianista Cláudia Elizeu
O estado-maior do evento Landry e Carlos Alberto, com os garçons Paulo Carneiro e Lucas Brinati O personagem mais importante da noite: o belo casarão todo iluminado
Os convidados da imprensa
Lou Bittencourt (produtora de eventos), Melina Dalboni (O Globo), Maria Vargas (Documennta) e Carolina Isabel Novaes (O Globo) A crítica de gastronomia Danusia Barbara Bruna Talarico, do Caderno Zona Sul, O Globo
Rachel Almeida, do Jornal do Brasil Livia Breves, de O Globo Jornalista Gustavo Leitão
Mariana Fonseca, da Documennta Cíntia Parcias, da Documennta Uma das mesas do jantar
Comentários
Maria Vargas
Documennta Comunicação
Rio de Janeiro
RJ
25/03/2011 Foi uma noite memorável! Muitas saudades da Flavinha.

Obrigada, sempre, pela sua presença.

Beijos.
Maria
Bruna Talarico
Jornalista - O Globo
Rio de Janeiro
RJ
25/03/2011 Tudo uma delícia: comida, companhia, vinhos e clima! E essa foto, hein! Só eu não vi! :)
Maria Edna Arcoverde Cals
Do lar
Rio de Janeiro
RJ
08/06/2012 FLÁVIA, muito bom poder compartilhar e também rever o Maravilhoso Jornalista GUSTAVO LEITÃO.

VALEU! TOCOU! PARABÉNS!

Maria Edna
EnoEventos - Oscar Daudt - (21)9636-8643 - odaudt@enoeventos.com.br