Caro amigo,

O mundo do vinho no Brasil vive momentos decisivos. Agora é mais do que necessário fazer um alerta a nossos clientes sobre algumas notícias muito preocupantes para os amantes de vinho.

Por incrível que pareça, surgem outra vez notícias a respeito da pressão dos grandes produtores gaúchos sobre o governo para que haja um novo aumento de impostos sobre o vinho importado, como se a gigantesca carga tributária atual não representasse proteção suficiente para o vinho nacional. Fala-se agora em “salvaguardas”, como se a indústria nacional estivesse em perigo, em risco de falência, quando na verdade as notícias enviadas à imprensa reportam um grande crescimento de vendas. Afinal, é preciso definir qual discurso é o verdadeiro: o vinho nacional vai muito bem ou vai muito mal? Os comunicados e números oficiais dizem que vai muito bem, o que invalida o argumento a favor das “salvaguardas”. Além do que, os impostos atuais já são altíssimos, e representam o verdadeiro grande inimigo do consumo de vinhos no Brasil.

Além do aumento de impostos — pediu-se um aumento de 27% para 55% no imposto de importação, o primeiro da longa cadeia de impostos pagos pelo vinho importado — desejam também limitar a importação pelo estabelecimento de cotas para a importação de cada país. Ficariam livre das cotas apenas os vinhos argentinos e uruguaios. Incrível: cotas de importação para proteger ainda mais um setor, o de vinhos finos nacionais, que cresceu cerca de 7% em 2011 — ou seja, nada menos do que quase o tripo do crescimento do PIB brasileiro! Se forem adotadas salvaguardas para um setor que cresceu o tripo do PIB em 2011, que medidas de proteção se poderia esperar então para o restante da economia? Repito porque parece incrível, mas é verdade: pedem salvaguardas para um setor que cresceu cerca de 7% em 2011! É preciso dizer mais alguma coisa?!


 
Pedem que o rótulo frontal contenha informações
que hoje já constam dos contra-rótulos obrigatórios

Além de mais impostos e das cotas, os mesmos grandes produtores pedem também ainda mais burocracia, como se a gigantesca burocracia que já envolve a importação de vinhos no Brasil também não fosse proteção suficiente para o vinho nacional. Nem bem foi implantado o malfadado selo fiscal e já se pede agora que o rótulo principal do vinho, o rótulo frontal, contenha algumas das informações que hoje já constam dos contra-rótulos obrigatórios. Essa nova medida, se for adotada, vai afetar — como sempre acontece com a burocracia no caso dos vinhos — apenas os vinhos de alta qualidade e pequenos volumes, já que os grandes produtores mundiais não terão nenhuma dificuldade em imprimir rótulos especiais apenas para o mercado brasileiro. Isso, por outro lado, obviamente não será possível para aqueles produtores que embarcam menos de 50 ou 100 garrafas de cada vinho para o nosso país.

Quem, afinal, seria responsável pelo aumento no interesse pelo vinho no Brasil? Certamente são esses pequenos produtores, de tanto charme e história, cuja vinda se tenta dificultar aumentando a burocracia, em uma medida sobretudo pouco inteligente. A importação desses vinhos deveria ser incentivada por todos, inclusive pelos grandes produtores nacionais, porque são eles os grandes veículos de propagação da cultura do vinho no mundo inteiro.


Agora são os vinhos orgânicos de pequenos produtores
que têm sua posição ameaçada em nosso país

Para completar esse quadro preocupante, agora também são os vinhos orgânicos de pequenos produtores que têm sua posição ameaçada em nosso país. A partir de Janeiro deste ano, os vinhos orgânicos ou biodinâmicos — mesmo os certificados como tal em seus países de origem ou por órgãos certificadores internacionais — não poderão mais ser identificados como tal no mercado brasileiro, a menos que sejam certificados por organismo certificador brasileiro. Expressões como “orgânico”, “ biodinâmico”, “bio”, etc, são proibidas agora nos rótulos, privando o consumidor dessa informação essencial — com exceção dos vinhos certificados por organismo certificador brasileiro. Acontece que o processo de certificação brasileiro é caro e demorado, sendo na prática inacessível aos pequenos produtores do mundo todo. Acreditamos que apenas os grandes produtores mundiais conseguirão se registrar aqui como orgânicos ou biodinâmicos, privando assim o mercado do conhecimento de um número já muito grande e sempre crescente de produtores orgânicos. O vinho é um produto muito particular e específico, em que a maior parte da produção mundial de qualidade está nas mãos de produtores muito pequenos, que não terão recursos para obter a certificação brasileira. Sem dúvida acreditamos que é o caso de adiar a aplicação dessa medida para os vinhos, pelo menos até que sejam assinados acordos de reciprocidade, que permitam o reconhecimento mútuo dos processos de certificação no Brasil e no exterior. Afinal, a quem interessa dificultar a propagação dos vinhos orgânicos a não ser a quem não tenha a intenção de produzir vinhos dessa forma?

Diante desse panorama triste, a pergunta que se impõe é a seguinte: qual o limite para a proteção necessária aos grandes produtores nacionais para que possam competir no mercado? Ou tudo isso seria apenas uma busca por maiores lucros? Algumas das medidas adotadas recentemente, como o malfadado selo fiscal, atingem fortemente os pequenos produtores nacionais também. Vale repetir que os pequenos produtores brasileiros deveriam ter um papel importante no panorama vinícola nacional, uma vez que não existe país com alguma relevância no mundo do vinho onde o mercado seja dominado por apenas alguns grandes produtores. Afinal, todos nos lembramos do período anterior ao início dos anos noventa, quando o mercado pertencia a um pequeno grupo de gigantes da indústria nacional, a maioria multinacionais, e a alguns gigantes da indústria vinícola internacional — situação que obrigava o consumidor brasileiro a consumir vinhos caros e medíocres, quando no país nem sequer se sabia o que significava a palavra sommelier.


É preciso ter uma agenda
positiva para o vinho no Brasil

Estaríamos na iminência de uma volta a esse passado triste para o vinho em nosso país? Será que serão perdidos todos os ganhos dos últimos anos, quando, à custa de tantos esforços, aumentou enormemente a cultura do vinho no Brasil, com o surgimento de muitos milhares de profissionais ligados ao vinho, de inúmeras publicações sobre essa bebida maravilhosa, de tantos novos empregos e de tantas novas possibilidades de crescimento profissional? Seriam os muitos milhares de brasileiros que trabalham nesse novo mercado criado pelo vinho importado, em particular o verdadeiro exército de sommeliers, menos brasileiros do que aqueles que trabalham nas grandes empresas produtoras de vinho nacional? E vale lembrar que de cada 5 garrafas de vinho consumidas no Brasil, entre vinhos finos, espumantes e vinhos comuns (produzidos com uvas de mesa), nada menos do que quase 4 (77.4%) já são de vinhos brasileiros! Os números de vendas e de crescimento do vinho nacional são gritantes, e tornam absurdo se buscar ainda maior proteção!

O consumidor precisa se manifestar, precisa dizer não a esses verdadeiros abusos!

É preciso ter uma agenda positiva para o vinho no Brasil, com todos lutando juntos para um aumento do consumo, para que o vinho obtenha o tratamento tributário de um complemento alimentar — como em diversos países da Europa — e não um tratamento punitivo com ocorre aqui, onde o ICMS pago pelo vinho é o mesmo pago por uma arma de fogo! É preciso também lutar para diminuir a burocracia, que tanto atrapalha os pequenos produtores de vinhos de baixo volume e alta qualidade — aqueles que criam mercado para o “produto vinho”.

É importante que se compreenda o quanto antes que o vinho não é uma commodity, onde o único fator a influenciar a compra é o preço. Vinho é cultura, é diversidade, é terroir, é arte. É como o mercado de livros: o brasileiro lê pouco, assim como bebe pouco vinho. E dificultar a venda de livros de autores estrangeiros não apenas não serviria para aumentar a venda de livros de autores brasileiros, como certamente inibiria ainda mais o hábito da leitura. O mesmo ocorre com os vinhos. É uma ilusão achar que encarecendo o vinho importado o consumidor vai substituí-lo automaticamente pelo vinho nacional. Na verdade o mais provável é que substitua por outro vinho importado mais barato, ou pela cerveja gourmet, ou pelo whisky, por exemplo. O que é preciso é popularizar o consumo do vinho pela diminuição dos preços e da burocracia, tanto para os vinhos nacionais como para os importados. Na verdade eles são aliados, e não inimigos como acreditam aqueles que defendem um protecionismo ainda maior para o vinho brasileiro.

O amante do vinho precisa reagir contra essa situação. Ou teremos todos que aceitar uma volta à situação de 20 anos atrás, com a perda de todo o esforço, todo o trabalho e toda a evolução obtida nesse período.

Cordialmente,

Ciro de Campos Lilla
Presidente das importadoras Mistral e Vinci
20/03/2012

Comentários
Reinaldo Paes Barreto
Enófilo
Rio de Janeiro
RJ
20/03/2012 Artigo lúcido, sereno e ... definitivo.

Seria uma "sovietização" do mercado do vinho aumentar o imposto sobre o produto importado. Além de não resolver o problema do vinho fino brasileiro que, por exemplo no Rio, paga 27% de ICMS para ser comercializado -- portanto se queremos apoiar a indústria nacional deveríamos rever essa alíquota -- afetaríamos em cheio uma atividade que vai muito além da garrafa e do copo. Ela roda uma roda que move sommeliers, restaurateurs, turismo, consumo, publicações, blogs, aulas, conferências, etc.

Vamos pra luta, Ciro!
Lilian Boden
Consultora de vinhos
Rio de Janeiro
RJ
20/03/2012 Parabéns, realmente esta declaração mostra como se posicionam as Empresas que construiram e conquistaram o mercado com vinhos qualificados e preços corretos.

Em algum momento deve-se pensar que temos trabalho, existe um mercado crescente com muito potencial pela frente, mas que tudo isso pode desabar por conta de uma atitude impensada de governantes que optam por aumentos de impostos por ser este o caminho mais fácil e viciado no Brasil.
Julio Ribeiro
Publicitário
Rio de Janeiro
RJ
20/03/2012 Senhores,

Esta é mais uma discussão sobre o mesmo tema.

Continuam as esplanações sobre os interesses próprios, enquanto o tema principal é simplesmente ignorado pelos senhores.

Quando deixaremos de lado a guerrra entre produtores nacionais e importadores e passaremos a guerra contra o consumo de produtos de baixíssima qualidade, seja ele produzido aqui ou importado? Já li neste site a opinião de diversos importadores apregoando a falta de qualidade do vinho nacional. Entretanto, não encontrei sequer um comentário destes mesmos importadores, falando da quantidade exorbitante de vinhos "meio seco", de qualidade duvidosa importados (por quem mesmo?) para o Brasil e oferecidos por todo o país.

Como cita o Paes Barreto, a importação de vinhos gira uma roda viva, que alimenta sommeliers, restaurateurs, turismo, aulas, palestras, consultores e tambem jornalistas. Sendo assim, pergunto: Quem há de morder a mão que vos alimenta?

Caro Paes Barreto, tambem estou ansioso para ir a luta, entretanto, proponho que o façamos juntos e pelos motivos certos: Vamos a luta contra o vinho ruim, seja ele nacional ou importado. E também contra o vinho caro, seja qual for sua nacionalidade.

Isto é para quem quer a melhoria do consumo no Brasil, mas não para quem quer o lucro a todo custo ...

Reflitam ...
Luiz Carlos da Nóbrega
Ex-comerciante de vinhos e enófilo
Rio de Janeiro
RJ
20/03/2012 Durante os 15 anos que trabalhei com vinho no Brasil, como representante, importador, distribuidor e divulgador do vinho, não tive o prazer de conhecer o autor desse artigo sobre a lamentável situação em que se encontra o mercado brasileiro na atualidade: reserva de mercado, selo fiscal, aumento dos impostos de importação (já absurdos).

Nada a acrescentar a seus serenos argumentos, em prol da liberdade de mercado, para que o consumidor possa escolher o melhor pelo melhor preço justo. Parabéns ao EnoEventos por dar guarida a esse debate.

Luiz Carlos da Nóbrega.
Carlos Reis
Enófilo
Rio de Janeiro
RJ
21/03/2012 Caros,

Fico triste que, por conta da paixão pelo tema, sejam feitos comentários que, ao defender uma dada posição, acabem por veicular ataques pessoais, muitos sem qualquer argumentação mínima, o que, convenhamos não combina nada com pessoas apreciadoras de bebida tão elegante como o vinho. Liberdade de manifestação de pensamento em uma democracia não é apenas veicular livremente nossos pensamentos, mas sim TOLERAR opiniões contrárias às nossas, que nos incomodam em muito, nos revoltam até. Esse é o grande teste democrático.

Li todos os comentários e diversos posts, cartas, documentos sobre o tema. Não consigo ver razão, com todo o respeito, nos argumentos da IBRAVIN e cia. Essas medidas “protetivas” da indústria vinícola nacional acarretarão grave retrocesso, não na venda de vinhos importados no Brasil, mas sim na cultura do vinho que, ano a ano, vem se firmando entre nós, apesar dos preços altíssimos, sem precedentes no mundo, e decorrentes não só de pesada carga tributária mais sobretudo da nossa burocracia e da ganância de muitos.

Acarretarão tais medidas, junto com outras pretéritas (selo fiscal) e futuras (rótulo frontal com dizeres em português) uma má vontade do consumidor com o vinho brasileiro, e já estão acarretando, pelo menos comigo. Muitos dos defensores das “medidas protetivas” da indústria nacional do vinho insistem em generalizar e dizer que o brasileiro não sabe beber bem, o que é ainda mais preocupante, já que cada um, em sua individualidade, tem seu próprio gosto.

E são esses mesmo defensores que parecem querer ser nossos "curadores" na busca por vinhos melhores, segundo eles, impondo o padrão que entendem o “melhor”, no caso, ao que parece, o dos vinhos brasileiros.

A medida, antes de representar uma ameaça ao bolso de nós consumidores, é sobretudo um verdadeiro atentado à nossa liberdade de escolha, aos nosso individualismo, um desrespeito ao nosso “gosto” pessoal. Uma sociedade que se diz democrática não pode deixar que um segmento politicamente forte possa se sobrepor sobre os demais, aniquilando individualidades. Vinho é cultura, e uma sociedade realmente democrática deve saber ser multicultural.

Por isso assinei a petição eletrônica em post anterior desse site (posto intitulado "Em Defesa do Vinho Brasileiro"). Leva só um minutinho.

Saudações e paz a todos.
Carlos Reis
Rafael Mauaccad
Enófilo
São Paulo
SP
21/03/2012 Sr. Ciro Lilla,

O senhor advoga em benefício próprio ao divulgar esta carta aos seus clientes e aos meios de comunicação. De um lado como representante do comércio de vinhos importados, elenca quesitos de defesa contra os reclames da indústria vinícola brasileira, e de outro lado como industrial paulista escuda-se nas solicitações da FIESP-Federação das Indústrias do Estado de São Paulo junto ao Governo Federal, quanto as medidas para reequilíbrio da competitividade da indústria brasileira, com a ruptura da política industrial vigente, estas também solicitadas pela industria vinícola nacional, que parcialmente as reproduzi em meus comentários neste portal.

Para conhecerem a Cia. Lilla de Máquinas Ind. e Com, em que Sr. Ciro Lilla é Presidente, clique aqui.

Sr.Ciro Lilla, não dá para pedir a benção a Deus e ao Diabo juntos e ao mesmo tempo!!

Saudações, Rafael
Frank Tenorio de Almeida Costa
Enófilo - ABS
Rio de Janeiro
RJ
22/03/2012 Os preços dos vinhos importados no Brasil já são um absurdo por conta de taxas e impostos. Exemplos: Vinhos que custam entre 10 e 15 euros na Espanha, não saem por menos de 100 reais aqui.

Abaixo o protecionismo. Que adquiram qualidade e competência para se tornarem competitivos.

Att.,
Frank Tenorio
Danton Souza
Empresário e enófilo
Niterói
RJ
22/03/2012 Prezados,

A conclusão é muito simples: o vinho nacional, salvo algumas exceções, ainda não atingiu o grau de excelência de muitos vinhos europeus (principalmente) e de alguns produtos Chilenos e Argentinos. Isto é um fato.

Outro ponto importante é a tributação, que torna nossos vinhos caros, pelo que oferecem se comparados com alguns importados de mesmo nível. É mais facil, pressionar o Governo por salvaquardas/cotas, alegando que a Indústria Brasileira vai mal por causa da importação, do que batalhar para redução dos impostos, melhorar a qualidade e aumentar a competitividade. E, mesmo assim, a Indústria cresceu.

Vocês sabem que temos salvaguarda para o Coco ralado?? Isso é sério ou não? Vamos trabalhar pessoal, vamos melhorar o nível, reduzir custos e aumentar a competitividade e, democraticamente, deixar que os amantes do vinho façam suas escolhas sem restrições.

Cordialmente
José Paulo Schiffini
Enófilo da velha guarda
Rio de Janeiro
RJ
22/03/2012 Basta! Boicote já! Boicote ao vinho Nacional! Boicote aos impostos! Paciência tem limite!

A análise serena do Ciro se completa com a análise do veterano produtor nacional, argentino de nascimento, Lona que simplesmente disse: "Erraram o foco novamente!"

Eu continuo em greve com o vinho Nacional e ontem visitei a feira que ainda ocorre no Rio Centro, NINGUEM defende tais salvaguardas Para a Indústria Vitivinícola Nacional.

Alô Adriano, Alexandre, Fabio Miolo, alô João, Juares Valduga, vocês estão calados gostando da situação? Venham a público!

Schiffini em greve com os vinhos nacionais.
Carlos Machado
Winemaker Amador - Co-proprietário da Viña Avanti
Teófilo Otoni
MG
22/03/2012 Oscar,

Como nem poderia deixar de ser, você tem oferecido um canal para o debate acalorado em torno do vinho brasileiro, ou na minha opinião, da tentativa de alguns em denegrir o vinho brasileiro.

É totalmente infeliz o importador Ciro de Campos Lilla, pois é de um parcialidade significativa. Debate não se faz de "ataques", e sim construindo pontes.

Lamento ver que muitos formadores de opinião, alguns, talvez, até de forma apressada, ou em fidelidade aos importadores, estão adotando uma posição em defesa do movimento intentado pelos importadores; afinal, o que está em jogo é sustentar os avanços que o vinho brasileiro fez e ainda fará.

O que me assusta é que todos os produtores de fora, e seus importadores aqui no Brasil, podem proteger os seus interesses, mas quando o produtor brasileiro busca a mesma proteção, ocorre a provocação de uma "guerra" ao nosso vinho.

Contudo, acredito que sairemos fortalecidos, e que fique claro, não desejamos mal aos importadores, e muito menos ao vinho, seja de qual nacionalidade for, inclusive o BRASILEIRO!

Abraços!!!
Walter Humberto Subiza Pina
Enófilo
Rio de Janeiro
RJ
22/03/2012 Parabéns Ciro, devemos de ter uma agenda positiva. O que temos todos que lutar é por menos impostos e mais racionais, de maneira de favorecer a indústria nacional para tornar ela mais competitiva e obrigá-la a melhorar a qualidade em relação aos importados. Assim se conquista um mercado.

Mais impostos num país cheio de impostos, que não trazem retorno algúm para o consumidor, é um absurdo. A reserva de mercado históricamente mostra que favorece apenas as grandes industrias e prejudica as pequenas e os consumidores, senão, alguém que demostre o contrário.
Robert Phillips
Representante Importadora KMM
Rio de Janeiro
RJ
22/03/2012 Leiam também a coluna "Pátria Amada" de Carlos Alberto Sardenberg na pg. 6 de O Globo de hoje (22/03).

É mais um ajudando a tentar reverter essa loucura nacionalista.
Valdiney C. Ferreira
L'Orangerie
Rio de Janeiro
RJ
22/03/2012 Caro Oscar,

Foi por puro instinto que tão logo tomei conhecimento da lista de assinaturas contra a proposta de salvaguardas em nome da industria brasileira de vinho encaminhada à Secex/Mdic, a assinei.

Os signatários da petição encaminhada ao Governo foram Ibravin, Uvibra, Sindivinho e Fecovinho, órgãos sabidamente controlados por um pequeno grupo de grandes produtores brasileiros. Nada contra, faz parte do jogo e afinal tem que defender seus interesses e seus investimentos. Fariam melhor se unissem os esforços do setor e lutassem por uma melhor classificação da bebida (benchmark com muitos países produtores) e consequente redução de impostos.

Depois de gastar algumas horas analisando o mesmo, assinaria novamente a lista pela pouca consistência das justificativas ali apresentadas. E para chegar a esta conclusão, analisei dados dos últimos 10 anos de produção, comercialização e importação de vinhos da própria Ibravin entre outros.

É uma balela afirmar que o aumento de importação de vinhos dos últimos anos afetou o mercado de trabalho da industria. Estes por serem vinhos finos representam apenas cerca de 10% da produção brasileira. A conta é simples. Não dá para aceitar este argumento.

O contrario pode ocorrer nos serviços (vendedores e representantes de importadoras, bares de vinho, lojas especializadas, etc) onde um grande contingente de mão de obra floresceu com o aumento do consumo dos vinhos finos importados que trouxeram diversificação, melhor relação qualidade-custo quando comparado ao similar brasileiro. Aqui faço uma ressalva para reforçar que competência e adequada relação qualidade-custo é reconhecida pelo mercado.

Tenho uma loja especializada e pelos números de vendas dos últimos 5 anos posso afirmar que o espumante brasileiro não precisa de salvaguardas: sozinho vende 3 vezes mais do que a soma de Champagnes, Cavas, Franciacortas e Prosseccos. O que quebra também a máxima que o brasileiro só quer consumir os importados porque é mais chique. O motivo é outro: o produto é bom e tem preço adequado. O mesmo não ocorre com os vinhos tranquilos nacionais e acredito que não ocorrerá com proteção do mercado: está com preço inadequado para a sua qualidade. Já insisti muito colocando-os em destaque nas prateleiras, mas os consumidores não os compram acarretando um giro tão ruim que reduzimos sua participação a alguns poucos que fogem a esta regra.

A questão da similaridade (vitis-vinífera e embalagens) com o produto nacional então é sofrível. Vinho é qualidade, característica, estilo, local de origem. O que está do lado de fora como embalagem não tem nada de similar com o que está dentro. Espero que pelo menos os Enólogos destas empresas alertem os proprietários para este erro básico no posicionamento do produto. Não teríamos escala para competir na similaridade e sim na diferença de nosso terroir vitícola. Nunca vamos ganhar de Chile e Argentina nesta linha de conduta.

Ressalto aqui um dado positivo no documento que é a reestruturação do segmento de vinhos finos visando redução nos custos de produção. Apesar de positivo é coisa de "cachorro grande" porque envolve grandes investimentos em máquinas e equipamentos o que deixa de fora os pequenos que produzem a diversidade tão vital para a cultura e a graça do vinho.

O documento é longo, chato, mal elaborado e tem outras argumentações frágeis. Mas, fico por aqui na análise do conteúdo.

Fiquei triste com o posicionamento do EnoEventos. Não é com reserva de mercado que o tão desejado desenvolvimento da industria brasileira de vinhos e consequente aumento do mercado consumidor acontecerá. Vai atrasar como já vimos ocorrer em outras industrias. Estão aproveitando uma momento da conjuntura econômica mundial para proteger suas incompetências.

Abraços
Rafael Mauaccad
Enófilo
São Paulo
SP
22/03/2012 Oscar,

Não poderia deixar de postar o desabafo publicado pelo jornalista Luiz Horta em sua página do Facebook, com a chamada "Produtor de vinho brasileiro não é bandido".

"Antes de viajar preciso escrever algo que tem me incomodado na história das salvaguardas. Produtor de vinho brasileiro não é bandido, nem o vinho nacional é intragável. O que vi no sul foram famílias, na sua quarta geração de colonos italianos que construiram cantinas e conseguiram, muitas vezes contra a vontade dos mais velhos, erradicar híbridas e plantar uvas finas, investir e fazer vinhos, primeiro bons, atualmente de nível médio e alto.

Sou contra aumento de preço de vinhos, quaisquer vinhos, e quem gosta de imposto é o governo e os que lucram com sua sombra. No Paladar de amanhã minha posição está esclarecida de modo bem claro. Mas todo mundo que urra brasil!!! batendo no peito em qualquer partidinha vagabunda de futebol, agora é inimigo do produto nacional e fica festejando posições e boicotes que não são motivo algum para orgulho.

Muita gente que recentemente estava em todos os convescostes, bocas livres e almoços das vinícolas nacionais, elogiando aos mesmos Miolos, Saltons, Valdugas, Dal Pizzols e todos os demais, pedindo amostras, patrocínios e anúncios, amando os seus lançamentos, hoje odeia esses produtores e despreza seus vinhos. Foram-se os tapinhas nas costas interesseiros.

Pressão sobre o governo, ótimo, estou junto. Não rotundo para salvaguardas e protecionismos, idem, somo minha voz. Vamos pressionar. Mas cara de pau, falsidade na louvação, desonestidade intelectual, estou fora. Um pouco de coerencia, por favor.

Ando envergonhado desta época obscura, macartismo do bananal. O vinho brasileiro está bom e os produtores não são criminosos. Usaram o poder político de pressão que tinham, como usam os importadores, os comerciantes, os industriais, os banqueiros e nós, o povo. Foram mais eficientes, ou o poder público viu nisso chance de ganho de capital político, mas nada foi feito fora do legal. Não é ilegal pressionar o governo, tanto que estamos pressionando de modo contrário.

Dito isso, posso voltar a dormir tranquilo sem me sentir um patife."
Carlos Machado
Winemaker Amador - Co-proprietário da Viña Avanti
Teófilo Otoni
MG
22/03/2012 Gol de letra para o importador CIRO LILLA!!! Vejam a dimensão que as coisas estão tomando...

Oscar, o que tá acontecendo? É um absurdo!!!

Transcrição integral:

"Como falei em meu post anterior, a Salvaguarda já está prejudicando muito o vinho brasileiro. Acabo de ver na página do Facebook de Roberta Sudbrack, uma das maiores Chefs do país e dona de um dos restaurantes mais apreciados e respeitados do Rio de Janeiro, o anuncio que retirou rótulos de algumas vinícolas nacionais da carta de seu restaurante.

Veja o seu comentário na página: “Sobre as vinícolas que apóiam a salvaguarda por enquanto sabemos dessas: Miolo, Salton, Aurora, Aliança, Don Giovanni, Valduga, Dal Pizzol. Da carta de vinhos do RS foram retirados os da Casa Valduga e Dal Pizzol… Mantidos os vinhos da Vallontano, Angheben e Cave Geisse. Minha torcida para que o bom senso impere e possamos um dia voltar a trabalhar com todas as vinícolas brasileiras que fazem um bom trabalho e tratam o consumidor com respeito”.
"
Alejandro Maglione
Periodista enogastronomico
Buenos Aires
Argentina
22/03/2012 Es extraordinario leer esto escrito por un amante del vino brasilero. Argentina se está cerrando apresuradamente y todos los amantes de los buenos vinos no paramos de lamentarlo.

Nuestros vinos son lo que son porque en los '90 la libertad de importación absoluta nos permitió saber lo que eran los grandes vinos... que no eran los nuestros. Hoy, Argentina que exportaba 5 millones de dólares por año, exporta un billón. Hace falta hablar más de las ventajas de permitir la libre importación?
Pedro Esteves
Enófilo
Rio de Janeiro
RJ
22/03/2012 Um dos grandes problemas, que os defensores da salvaguarda apontam, é a inundação de vinhos baratos de baixa qualidade que tiram os vinhos brasileiros da jogada. Quer dizer, são os RESERVADOS da vida que acabam com a competitividade dos nossos SELEÇÕES e etc. (que são muito melhores que aqueles).

FAÇO A SEGUINTE PROPOSTA (que obviamente é mutável e contem erros): Uma taxa para vinhos importados que hoje custem até 25 Reais no Brasil. Seria acrescido um valor de 10 a 20 Reais neles. Ou seja, se tornariam vinhos caros para a população que os consomem, levando os a ter que compara vinhos nacionais de maior qualidade e, dessa forma, resolveríamos dois problemas: o lucro das vinícolas brasileiras aumentaria (o que é bom para o Brasil) e iniciaríamos um processo de EDUCAÇÃO do paladar do povo para vinhos de mais refinamento e qualidade (no futuro, quem sabe, até o “vinho” de garrafão deixe de ser o maior consumo)

Abraços
Hong Lee
Administrador
São Paulo
SP
22/03/2012 Sabe o que vai acontecer se realmente aumentar a aliquota??

Para o consumidor final, NADA, absolutamente NADA. Quem vai arcar com este aumento no fundo vão ser os importadores com seus lucros pornográficos, por que além do consumo per capita no Brasil ser ridículo, o consumidor final não vai aceitar pagar mais por produtos já caríssimos. Como os vinhos argentinos, chilenos e uruguaios estão fora do aumento, veremos uma inundaçao de produtos dos nosso vizinhos.

Também nunca poderemos esquecer que o mercado de cerveja premium concorre diretamente com o dos vinhos.

Reitero, não existe espaço para aumento dos preços dos vinhos importados, mesmo que aumente a alíquota.
Marcus Ernani
Leitor
Rio de Janeiro
RJ
22/03/2012 Caro JP Schiffini,

Uma pista do verdadeiro valor e interesse que os grandes produtores nacionais dão ao mercado brasileiro e carioca que justifique as tais reservas de mercado, pode ser dada pelo questionamento que lhe faço: quantas produtoras de vinho nacional estavam promovendo seus vinhos na feira Expofood (segunda maior feira supermercadista) à qual você e eu estivemos ontem no Riocentro?

Obs: havia um espaço com mais de 20 expositores internacionais em área exclusiva, "BRASIL INTERNACIONAL WINE FAIR - MOSTRA INTERNACIONAL DE VINHOS"
Jandir Passos
Enófilo
Rio de Janeiro
RJ
22/03/2012 Façam um lobby, aqueles que pediram "salvaguarda", para a DIMINUIÇÃO dos impostos em cima dos vinhos nacionais e apoio não faltará...
José Rios 22/03/2012 Estamos em franco processo de cubanização. As tais medidas protetivas da indústria nacional, agora relacionadas com os produtores nacionais de vinho, somente espelham a real intenção de retrocesso na agenda econômica nacional.

Em breve, somente Dom João VI poderá decretar a abertura dos portos no Brasil! Quem viver, verá!!!
Sergio Murillo Pinto
Enófilo - ABS-RJ
Rio de Janeiro
RJ
22/03/2012 Oscar

Passei a receber o EnoEventos há algum tempo, acompanho as matérias com interesse, mas ainda não havia decidido participar ativamente. A ocasião surgiu com o debate sobre as salvaguardas, que tem provocado discussões calorosas, apaixonadas e, algumas vezes, sem o necessário equilíbrio.

Tratei de ler as reportagens publicadas nas revistas semanais, as considerações da Silvia no Vinho Verde e Amarelo, sua opinião no EnoEventos e os vários comentários que se seguiram, como os do Lalas, Jandir, José Augusto, Valdiney e o longo texto do Lilla. Considero-me, pois, informado para contribuir com minha opinião sobre tema tão relevante para todos os enófilos, sem entrar nos detalhes já exaustivamente focalizados.

Creio que seria um grande equívoco adotar as salvaguardas propostas. Os produtores gaúchos, liderados pelos grandes, decidiram aproveitar a visita da presidente, seus laços com o Rio Grande do Sul, seu nacionalismo e alguns aspectos da conjuntura, como queda na produção industrial brasileira e tendência protecionista em países importantes, para defender seus interesses pelo caminho mais rápido - e equivocado (sim, Julio, todos defendem seus interesses, conscientemente ou não).

O vinho brasileiro é caro porque é fortemente tributado, a produtividade é baixa (ver O Globo, 18/3) e as condições climáticas não são das melhores. Os espumantes, em geral considerados os melhores vinhos que se fazem no país, vendem muito bem. Os bons tintos e brancos são poucos e caros, sobretudo se comparados com os argentinos, protegidos pelo Mercosul. Mesmo assim, as empresas vêm crescendo bem.

Se precisam de uma ajuda do governo para se prepararem melhor para a concorrência, por que não pedem isenção de impostos em vez de salvaguardas que serão ruins para todos? A Silvia disparou uma saraivada de críticas, em geral procedentes, mas posicionou-se claramente contra elas. Protecionismo, ingênuo embora bem intencionado, não é necessariamente a melhor maneira de defender o interesse nacional.

Sergio Murillo Pinto
Paulo Roberto Tabarelli Valente
Enófilo
São Paulo
SP
22/03/2012 Infelizmente este governo esta querendo retroceder ao inicio dos anos 90, onde havia barreiras alfandegárias protecionistas, que só prejudicavam o produtor nacional, assim como o consumidor e a competitividade da industria brasileira, ao invés de criarmos mecanismos para que a indústria nacional obtenha um grau excelente de competitividade no Brasil e no exterior e criarmos mecanismos que incentivem os produtores nacionais a investirem mais para atingirem um grau de qualidade inquestionável, a solucão volta ao PROTECIONISMO XENÓFOBO.

Só para lembrar que quem quebrou estes cartéis foi o governo Collor.
Rodrigo Coppola
Engenheiro
São Paulo
SP
22/03/2012 Essa briga vai longe... Não somos contra o produtor nacional, pelo contrário, nós queremos que ele exporte seus vinhos de tão bons que são... Mas será que este é o caminho??

Nós queremos variedade, amamos o pequeno produtor de bons vinhos. Nós não vamos beber coca-cola nem a cerveja da Ambev, ainda que ela seja mais barata...

Pobre consumidor brasileiro que mais uma vez é prejudicado pagando cada vez mais caro para ter qualidade... uma pena...
José Paulo Schiffini
Enófilo da velha guarda
Rio de Janeiro
RJ
22/03/2012 Respondendo: eu não ví produtor de vinho nacional algum, ontem na feira.... Eu fico triste, pois gosto de beber vinho de qualidade desde criancinha... agora o vinho já foi derramado.... o estrago já foi feito... eles mesmos deram um tiro no pé... e terão de caminhar muito mais para recuperarem estes 39 anos de desenvolvimento do mercado de vinho de qualidade no Brasil... Graças à internet a reação foi instantânea, contundente e será ainda mais por parte dos consumidores de vinho de qualidade....

Chega! Basta de artificialismos! Deixa o Brasil crescer, não atrapalhem nosso crescimento econômico, social, político e institucional. Chega de monitorar o mercado, deixa ele agir...

Schiffini
Maurício Nascimento
Sommelier
Rio de Janeiro
RJ
22/03/2012 Bravo, Ciro Lilla. Estamos juntos nessa batalha.

O vinho é um complemento alimentar elaborado a partir da fermentação do mosto (sumo) de uvas vítis vinífera que transformam o açucar natural em álcool, gás carbônico e inúmeras outras substâncias.

E os empregos de milhares de profissionais para onde vão?
François Sportiello
Importador de vinho Nova Fazendinha
Rio de Janeiro
RJ
23/03/2012 ACORDEM!

- O pedido de salvaguarda, baseado em dados incorretos e inverídicos, pode ser apenas uma cortina de fumaça. Mesmo assim, ABBA, ABRADE, ABRAS e a fundação PRO CHILE vão ter que gastar muito para enfrenta-lo. A questão sendo política.

- A inclusão, pelo governo, dos vinhos e espumantes na lista de exeção da TEC / Tarifa aduaneira externa comum a pedido da Ibravin, Uvibra e agregados, já esta decidida com aumento de 20 para 35% ( Espumantes ) e de 27% para 55% ( Tranquilos ) . Poderá entrar em vigor em 1/04. Esta medida não ira afetar o Chile , a Argentina e o Uruguai . Portanto o verdadeiro problema da viticultura brasileira continua e vai piorar. As importações destes países vão se intensificar.

O aumento de custo será de 20% para os vinhos de preços médios ( 3 a 12 USD) provenientes de países fora do Mercosul . O grande perdedor : o consumidor que não gosta de vinhos sul americanos, alguns dirão que já esta acostumado a pagar caro, vai pagar mais caro ainda, de + 10% a + 15% . O único verdadeiro beneficiário : o governo .

- Desde do dia 19, todos os vinhos, por ser objeto de inquérito no MDIC, estão sujeito a licenciamento DECEX antes do embarque, prazo de deferimento 60 dias .( recuamos 20 anos ) As cargas embarcadas deverão esperar o deferimento da licença para poder ser desembaraçadas. ( até 60 dias ), esperamos que não seja no sol. A ligação de um container refrigerada custa 150 R$ / dia .

- Esta se cogitando seriamente em impor dizeres em português nas etiquetas frontais dos vinhos importados, embora os mesmos dizeres já constam dos contra-rótulos.

É uma guerra suja, golpes baixos, sacanagens e mesquinharias, declarada há dois anos pelos produtores mais prósperos do Brasil, com a tentativa de impor o selo de controle de IPI.

Nada a justifica já que estas empresas vão muito bem, apresentando crescimento expressivo . . . O empenho do governo em atende-las é incompreensível. e surpreendente.

Há em curso, para todos ver, uma tentativa de cartelização da produção e da fixação de preços dos vinhos no Brasil. A mesma coisa esta acontecendo no setor de carne.

Um momento decisivo como diz Mr All.

At ,
François Sportiello
Julio Ribeiro
Publicitário
Rio de Janeiro
RJ
23/03/2012 É com muita tristeza que continuo lendo inúmeros comentários baseados em interesses próprios.

Caros Marcus Ernani e Schiffini, também estive na SuperRio, e visitei o espaço "Brazil Wine Fair". Realmente não encontrei nenhuma vinícola brasileira. O que ví ali, foram alguns rótulos de vinhos de qualidade e algumas importadoras buscando mais espaço para suas importações.

Assim como as vinicolas brasileiras estavam ausentes, senti tambem a ausencia dos grandes rotulos vendidos no auto serviço. Não vi os Reservados. Não vi os Santas. Não vi os diversos rotulos de vinhos "???meio secos???", que são colocados aqui no Brasil por menos de três reais e vendidos por até vinte reais.

Não vi nada disto, como tambem não vejo os profissionais que se apregoam como "defensores do consumo nacional" levantarem uma bandeira contra os vinhos ruins e caros, sejam nacionais ou importados. (muitos destes, nem VINHO são).

Não vi e não verei, pois no fundo, cada um só quer olhar para seus interesses e benefícios próprios.

Mas compreendo, realmente tem que ser assim, afinal, como poderão visitar novamente a Europa, ou darem aquela esticadinha até a California? Imaginem se as importadoras deixarem de patrocinar viagens internacionais ... Afinal, para o sul do Brasil , qualquer um vai, e lá não há Duffry ...

Mas isto é muito triste ....
Laura Kudjawski
Bióloga
São Paulo
SP
23/03/2012 Como apreciadora, há muitos anos acompanho de perto a questão do vinho no Brasil. É incrível o que o governo tem feito para dificultar as importações de vinho, pressionado pelos produtores gaúchos que pegaram carona no crescimento desse mercado nos últimos 20 anos mas só sabem reclamar, fazer vinho bom eles não sabem, é só zurrapa com algumas raras exceções para os espumantes.

Tratem de aprender a fazer vinho, espelhem-se no mercado norte-americano que com as portas abertas para o mundo também pegaram carona no crescimento de lá sem reclamar ou pedir proteção para o governo.
Jorge Bragança
Niterói
RJ
23/03/2012 A questão principal é a postura da "Indústria Nacional". Uma postura exdrúxula e com argumentos totalmente contraditórios, que penaliza o consumidor, o bebedor de vinhos.

Por quê não foi proposta a diminuição de tributos e a adoção de subsídios em relação ao vinho nacional? Essa é a pergunta crucial!

Agora, a partir de hoje, haja vista a posição mesquinha, mercenária e protecionista de nossos produtores nacionais, boicotarei o vinho nacional definitivamente e farei campanha maciça para que sintam o que é prejuízo de verdade.

Adeus, Valduga... Gostava muito de vc...
Leila Furlan
Sócia da Bacco's Importadora
São Paulo
SP
23/03/2012 Nossa empresa fará 44 anos no próximo mês de Julho e já passamos por muitas crises, taxações absurdas, greves, inflação de 30% ao mês, dólar a 4 reais! Milagrosamente sobrevivemos! Fomos uns dos poucos!

Cada ano que passa somos massacrados com mais impostos, políticas absurdas que são baseadas em tudo menos no bom senso! Um mercado informal, competição desleal do duty free e o ônus do custo Brasil! E agora mais esse absurdo!!

Acredito no ditado: Quem não tem competência não se estabelece! Quanto maior a concorrência, temos que fazer mais e melhor e com isso todos ganham, especialmente nossos clientes. A concorrência nos fez acordar mais cedo, trabalhar mais, inovar mais e fazer da nossa empresa um exemplo de seriedade e competência! Que os produtores nacionais reflitam em como melhorar e não em como acabar com o incentivo de buscar novos caminhos!
Carlos Machado
Winemaker Amador - Co-proprietário da Viña Avanti
Teófilo Otoni
MG
23/03/2012 Sugiro que assistam ao programa Conta Corrente Especial, que vai ao ar neste final de semana... O presidente da VALE será entrevistado, e vai falar da "guerra" que se instalou no mercado mundial, após a crise dos anos 2007/2008 ... Cada país está se protegendo e se defendendo como pode... mas nós brasileiros, ou pelo menos alguns, ainda insistem em defender o produto importado, mesmo que seja em detrimento ao nosso... É UM ABSURDO !!!
Paul Medder
Consultor de vinhos (Wine Intelligence)
Rio de Janeiro
RJ
23/03/2012 Caros amigos

É muito importante que todas os amantes do vinho no Brasil continuam lutando juntos contra essas "salvaguardas".

Como Jorge Lucki escreveu ontem no Valor, "fico na esperança de virem pressões de fora". Em sintonia com Jorge, eu escrevi uma reportagem em inglês, que já apareceu na media: clique aqui.

Espero que esse apoio possaa influenciar nossa causa.

Abraço
Paul Medder
Carlos Reis
Enófilo
Rio de Janeiro
RJ
23/03/2012 Caros,

Defendo sim meus interesses nesse episódio de salvaguardas, a saber: minha liberdade de escolha e meu bolso. Sou consumidor e não preciso de pseudos tutores ou curadores para saber do que gosto ou não gosto. Pago pelos meus vinhos.

Parei de comprar vinhos dos grandes produtores que apoíam as salvaguardas. Continuarei comprando os que se firmarem publicamente contra a medida.

Carlos Reis
Eliane Vasconcellos
Enófila
São Paulo
SP
23/03/2012 Muito boa sua manifestação, Sr Ciro Lilla. Bem fundamentada, competente. Fornece dados preciosos para nós apreciadores, consumidores de vinho.

Retrocesso. É um dos temas que se destaca ao ler-se a tal Portaria do Min. do Desenvolvimento. Ela vai além de um procedimento burocrático-econômico: expressa uma visão retrograda da dinâmica do mercado e do mundo.

Não é o caso de repetir os vários outros pontos negativos associados a esta portaria, já mencionados por outros aqui neste debate. Alguns preciosos pelo bom humor e capacidade de síntese da barbárie, como o do sommelier Cleverson Castro.

...e Carlos Reis. Infelizmente estou chegando a mesma conclusão que você. E olha que tenho sido uma defensora firme do bom vinho nacional. É uma pena. Concordo também que o importante é manter o debate num bom nível, com competência, sem acusações pessoais. Combina com vinho.

Abraço a todos
Maurilio Engel
Enófilo
Brasília
DF
23/03/2012 Caros,

Gostaria de lembrar sobre a reserva de mercado referente à indústria de TI (tecnologia da informação), imposta por governos por muitos anos. Penso que os prejuizos foram muito grandes, pela eliminação/redução da concorrência, que obrigaria ao aprimoramento da indústria nacional. Os produtos nacionais eram defasados anos-luz em relação ao estado da arte observado em outros países.

Sobre a indústria automobilística, nem se fala (carroças...).

Penso sinceramente que a vitivinicultura nacional não deveria embarcar nessa...Os pseudo benefícios no curto prazo podem se mostrar nefastos no médio e longo prazos.
Humberto Heidrich
Comerciante
Canela
RS
26/03/2012 Basta de protecionismo, deveríamos nos levantar todos pela reforma tributaria neste pais, cuidar mais das fronteiras para não entrar um turbilhão de vinhos e bebidas quentes free, uma policia mais ativa, coibindo esta pratica que cada vez mais avança, principalmente em nosso Estado, que os cantineiros nacionais se preocupassem mais em fazer vinhos com qualidade, se levantando todos para criar imposto unico , para que os consumidores tivessem alcance a vinhos mais baratos colocando na mesa no dia a dia vinho e não remedios. É essa a preocupaçao que os governos e cantineiros deveriam ter.

Aumentar o consumo, forçar praticas de propaganda que alcançasse todas as camadas socias dos beneficios do vinho , aliando-se ao governo com propagandas na televisão em horarios nobres, beba vinho e não va ao médico sempre com moderação.

Vamos de uma vez dar o grito da liberdade de comercio neste pais facilitando a relaçao importação comercio nacional, liberação de Lis automaticas, fiscais mais preparados que trabalham hoje nas instituições federais e estaduais. Chega de exigencias futeis que só prosperam em nosso pais, contra etiquetas , rotulos e selo um absurdo atando a realidade do consumo e a demora nos processos , de liberação em nosso comercio.

Chega de coisinhas e novidades que só atrapalham nosso trabalho.
Carlos Flosi
Administrador
São Paulo
SP
26/03/2012 Está escrito no jornal O Estado de São Paulo, Suplemento Paladar, de 29/03/2010, pra quem quiser ler. Após todos os impostos e todas as despesas que envolvem o custo do vinho:

  • Importadoras: 100% de lucro
  • Supemercados: 35% de lucro
  • Restauranres: 50% de lucro

    Uma garrafa que custa R$25,00 na origem chega para os consumidores, simples mortais como eu que não tem "amigos" no mundo dos vinhos e que sustentam o mercado, pela bagatela de R$150,00.

    Restaurantes e supemercados podemos evitar uma vez q existem um sem número deles espalhados por aí, certo? Agora pergunto: quando e como vamos promover o boicote às importadoras?
  • Renato Antônio Savaris
    Vinícola Maximo Boschi
    Bento Gonçalves
    RS
    26/03/2012 Ciro,

    Sou proprietário de uma pequena vinícola e dia a dia percebemos o declinio do vinho brasileiro. A cada medida que impõem na forma de tapa-buraco e que sabemos de longa data a sua ineficácea, principalmente quando são tomadas por "meia dúzia" de grandes empresas em nome de todo o setor. Um pequeno exemplo foi o selo fiscal.

    Tudo isso é a falta de união do setor para conseguir as tão almejadas mudanças que precisamos. Espero que não percebamos a realidade tarde demais.

    Um abraço,
    Renato
    EnoEventos - Oscar Daudt - (21)9636-8643 - [email protected]