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Invejável estrutura
Dentro de um trabalho sistemático empreendido pelo IBRAVIN para a melhoria da imagem do vinho brasileiro, fui convidado, junto com um grupo de jornalistas de diversos estados, a visitar a Serra Gaúcha, em plena época da colheita. Foi fantástico!

Eu, que apesar de gaúcho conhecia poucas vinícolas de nossa principal região produtora, fiquei emocionado ao constatar a pujança dessa indústria que até poucos anos era restrita a meu estado, mas que agora começa a fincar raízes em outras unidades, notadamente Santa Catarina e o Vale do São Francisco.

Na esteira da produção de vinhos, à exemplo do que ocorreu e ocorre em praticamente todas as regiões vinícolas do mundo, a Serra Gaúcha oferece uma estrutura de enoturismo bastante desenvolvida, com opções de gastronomia, hospedagem e diversão de uma qualidade que encanta os visitantes. E que encantou e divertiu a nós, os convidados, que retornamos com espírito renovado por muitas experiências e muitos vinhos.

2012: a melhor safra de todos os tempos?
Em todos os contatos que mantivemos com os produtores, era perceptível o entusiasmo - contido - de todos na comemoração dos resultados da safra 2012. A seca que assola o Rio Grande trouxe resultados animadores para a produção de uvas.

As castas brancas já haviam sido colhidas e alguns produtores ainda arriscavam uma colheita mais tardia para a elaboração de vinhos brancos com maior teor de açúcar e álcool. A alegria era contida pois ainda falta colher as variedades tintas e, claro, tudo pode acontecer, muito embora não haja previsão de chuvas no Estado até maio. Tudo indica que teremos uma das melhores - se não a melhor - safra de todos os tempos.

Segundo o enólogo Carlos Abarzúa, da Vinícola Geisse, as condições climáticas pareciam retiradas de uma Manual de Enologia: "O inverno de 2011 foi frio e chuvoso; na brotação e na floração, o tempo foi mais seco do que o usual, preservando as videiras de doenças; durante a maturação, a seca foi tão grande que obrigou até a irrigação dos vinhedos, prática incomum na região, e os diferenciais de temperatura entre o dia e a noite chegaram a 20ºC. Como resultado, as Chardonnay colhidas mais tardiamente apresentavam álcool potencial acima de 15%. Já se começa a vindimar a Merlot e a meteorologia continua ajudando."

Portanto, vamos torcer para que tudo continue favorável até o final da colheita para que possamos festejar, sem amarras, a melhor safra da história!

IBRASUCO
Para mim, que esperava apenas beber e respirar vinhos durante toda a viagem, foi uma completa surpresa a ênfase dada ao suco de uva em nossa programação. Vejam só o que tivemos:

  • uma palestra sobre os terroirs brasileiros, em que a maior parte deles era para a plantação de uvas para suco;
  • visita à planta de produção de sucos da Vinícola Fante;
  • palestra - interessantíssima, por sinal - sobre os benefícios do suco de uva à saúde;
  • degustação às cegas de diferentes tipos de sucos de uva;
  • visita à produção de sucos da Casa Valduga.

    Desconfiado, eu fui conferir a missão do Instituto e pude ver que, apesar do nome, é realmente seu papel promover o setor vitivinícola como um todo. Bem, me parece haver um conflito de interesses com tal estruturação, pois o IBRAVIN tem de dar uma no cravo e outra na ferradura. Mas quem sou eu para julgar?

    De especial interesse para os enófilos é o devastador efeito que os sucos de uva têm exercido sobre os vinhos de mesa. Conforme apresentado no gráfico ao lado, em 2004, cerca de 75% das uvas americanas eram destinadas à produção de vinhos de mesa; 7 anos depois, esse percentual diminuiu para cerca de 50%, ficando a outra metade para a produção de sucos. Com o tempo, pode-se esperar que o sucesso dos sucos brasileiros no mercado mundial venha a promover o tão aguardado desaparecimento dos vinhos de garrafão de nosso mercado.

    Exportar é o que importa
    O projeto Wines of Brasil aposta na exportação como forma de fortalecer as empresas brasileiras. E eu acrescento que, uma vez consolidados os produtos nacionais no mercado mundial, possivelmente o "complexo de vira-lata" que ainda rege os hábitos de consumo de muitos brasileiros venha a ser extirpado, conforme se passou, há mais de 50 anos, com o vinho norte-americano.

    Andreia Gentilini Milan, gerente de exportações comemora o crescimento de 34% no volume de exportações ocorrido de 2010 para 2011. O percentual, que poderia parecer explosivo, é infelizmente ainda calculado sobre uma base comparativa muito pequena. No entanto, as metas estão estabelecidas e a WofB trabalha de forma sistematizada para fazer com que, em 2025, 20% do total de vinhos produzidos no Brasil sejam destinados às exportações. É uma meta ambiciosa, é claro, mas só o fato de perseguí-la já traz benefícios diretos na melhoria de qualidade de nosso vinho.

    Oscar Daudt
    23/02/2012
  • Visita à Casa Perini
    A Vinícola Perini iniciou suas atividades em 1928, pelas mãos de João Perini, pai do atual proprietário, Benildo Perini, que, por sua vez, vem compartilhando com seus filhos, Franco e Pablo, a responsabilidade pela administração da empresa estritamente familiar.

    Com 92ha de vinhedos plantados, a vinícola elabora cerca de 2,5 milhões de litros de vinhos finos anualmente e sua aposta principal é a casta Marselan, cruzamento de Cabernet Sauvignon com Grenache. Como a casta caracteriza-se por exigir acidez para obter um equilíbrio - e acidez é o que não falta na Serra Gaúcha - a Perini aposta no grande potencial dessa variedade.

    A vinícola tem um grande varejo e um restaurante de excelente qualidade e serviço. No entanto, como está localizada fora dos circuitos usuais de enoturismo, a casa ressente-se da falta de um fluxo regular de visitantes e, com isso, seu restaurante só funciona sob reserva e apenas para grupos mínimos de 25 pessoas. Apesar de localizada na cidade de Farroupilha, a vinícola está mais perto de Caxias do Sul, a grande metrópole regional, e com isso, está procurando atrair os visitantes daquela cidade para aumentar sua demanda.

    Durante a degustação oferecida, tivemos a oportunidade de experimentar o principal vinho da casa, o Perini Qu4tro 2008, delicioso corte de Ancellotta, Cabernet Sauvignon, Merlot e Tannat.
    Jota Pe Moscato Casa Perini Marselan 2008 Perini Qu4tro 2008
    Espumante Perini Champenoise Perini Sushi Wine Rosé 2010 O por-do-sol sobre os vinhedos da Perini
    Benildo Perini Franco Perini Pablo Perini
    Visita à Vinícola Aurora
    A poderosa Cooperativa Vinícola Aurora, fundada há 81 anos, conta atualmente com mais de 1.100 associados. Não deve ser tarefa corriqueira administrar esse enorme conjunto de cooperativados, mas os técnicos responsáveis visitam e orientam a todos visando manter o padrão de qualidade que hoje a caracteriza.

    Se por um lado, a Cooperativa elabora alguns dos mais emblemáticos vinhos de mesa do Brasil, encontrados nas prateleiras de baixo de um sem-número de supermercados - Mosteiro, Country Wine e o famoso Sangue de Boi, usualmente referido em sua pronúncia francesa - por outro, a vinícola investe na qualidade de sua linha de varietais Aurora, nos quais se encontram o prestigiado Pequenas Partilhas Cabernet Franc e o top da linha, o Millésime Cabernet Sauvignon.

    Pela primeira vez, em 2011, as uvas plantadas no Centro Tecnológico de Viticultura, de Pinto Bandeira, normalmente utilizado apenas para pesquisas, foram vinificadas para desenvolver um produto comercial, um Chardonnay não barricado que ostentará a IP Pinto Bandeira. Um excelente produto para quem já anda cansado de tanta madeira aplicada a essa casta. Mas eu fiquei triste, pois ganhamos uma garrafa ainda não rotulada desse vinho e - surpresa! - não pude embarcar com ela de volta para casa, pois não é permitido viajar com garrafas não identificadas a bordo. Meu Deus, quem inventou essa norma?

    Tivemos também a oportunidade de experimentar o Aurora Reserva Merlot 2011, que ficou alguns anos fora de linha e agora volta com toda a força para ser lançado na próxima Expovinis.

    Outro momento especial foi a prova do Millésime Cabernet Sauvignon 2009, elaborado com uvas tardiamente colhidas, que apresenta aromas florais e uma madeira bem integrada, resultado de 12 meses de estágio em barricas de 2º uso.
    Espumante Aurora Chardonnay Charmat Espumante Aurora Pinot Noir Charmat Aurora Reserva Merlot 2011
    Vinhedos de Chardonnay, dourados, à espera de uma colheita mais tardia A Aurora está experimentando cobrir os vinhedos com uma tela vermelha visando uma fotossíntese mais eficiente Fomos recebidos com espumantes no jardim, ao som de um duo de violinos
    João Carlos Rigo, enólogo de campo Flávio Zílio, enólogo coordenador Lourdes Conci da Silva, gerente de marketing
    Degustação "Vinhos mais exportados em 2011"
    Uma interessante e esclarecedora degustação em que foram apresentados os 10 vinhos mais exportados pelo Brasil em 2011.

    Para aquelas vinícolas interessadas em exportar, a relação de vinhos compõe um bom resumo de o que os mercados externos esperam do vinhos brasileiros.
    Casa Valduga Duetto Chardonnay & Riesling 2011 Alísios Pinot Grigio Riesling 2011 Da'divas Chardonnay 2011
    Agnus Merlot 2009 Brazilian Soul Cabernet Sauvignon 2010
    (esse não é o rótulo de exportação)
    Casa Valduga Premium Cabernet Franc 2008
    Salton Classic Tannat 2011 Miolo Cuvée Giuseppe Merlot Cabernet Sauvignon 2009 Salton Flowers
    Espumante Aurora Moscatel Andreia Gentilini Milan, gerente de exportações da Wines of Brasil Julio Kunz comandou a degustação
    Visita à Vinícola Miolo
    A Miolo preparou uma especialíssima programação para nos receber. À chegada, nos esperava um brinde com os variados espumantes da casa, estrategicamente posicionado no alto de uma colina, de onde podíamos desfrutar da belíssima vista do Vale dos Vinhedos, das instalações da vinícola e do requintado Hotel e Spa do Vinho Caudalie.

    De lá partimos para uma atividade mais séria, na imbatível sala de degustações da Miolo, onde nos aguardava uma impressionante vertical de Lote 43, com nada menos do que 6 safras, incluindo a ainda não lançada safra 2011. Um show de bola!

    Eu já havia provado o excelente Syrah do Vale do São Francisco, há cerca de 6 meses, quando ele ainda não tinha nome nem garrafa. Mas Adriano, desta vez, apresentou o novo lançamento com o nome de Testardi (algo assim como teimosos), em homenagem aos que insistiram na elaboração desse vinho contra um batalhão de incrédulos. O vinho é saboroso, condimentado e com bom corpo, o nome é fortíssimo, mas o rótulo é bastante pobre e parece mais adequado a embalar uma tequila (vejam abaixo).

    Mas o ponto alto, para mim, apreciador compulsivo de vinhos brancos, foi conhecer o Quinta do Seival Alvarinho 2011, elaborado na Campanha e que será lançado na Expovinis, em abril próximo. O vinho fermenta em barricas novas de carvalho francês, onde repousa por um ano. Todas as minhas poucas experiências com Alvarinho barricado sempre foram de entusiasmar e este novo exemplar não ficou atrás. Mas também, não poderia ser diferente, pois o vinho conta com a consultoria de ninguém menos do que Anselmo Mendes, o rei dessa casta em Portugal, que elabora alguns dos mais respeitados exemplares que eu conheço. Não vejo a hora de abril chegar!
    A Miolo nos aguardava no alto de uma colina para um brinde com vista para os vinhedos Os espumantes Na sala de degustações da Miolo
    Vertical de 6 safras de Lote 43 O novo Testardi Syrah 2010, elaborado no Vale do São Francisco Jantar na Osteria Mamma Miolo
    Miolo Cuvée Giuseppe Chardonnay 2009 Merlot Terroir 2009 O enólogo Adriano Miolo
    Morgana Miolo Gabriela Jornada, gerente de marketing institucional Fabiano Maciel, gerente de exportações
    Os Caminhos de Pedra
    Os Caminhos de Pedra são uma iniciativa importante do turismo na Serra Gaúcha. Localizado na Zona Rural de Bento Gonçalves, reúne atualmente mais de 100 associados e recebe cerca de 60.000 visitantes por ano, que podem desfrutar de 15 pontos de visitação e 56 pontos de observação.

    É um passeio imperdível para quem vai à Serra Gaúcha. Os detalhes podem ser encontrados na página da entidade.
    O escultor Bez Batti Uma das famosas cabeças do escultor; o preço? 6 mil reais! A Casa da Erva-mate
    Degustação de brancos e rosés
    Localizado nos Caminhos de Pedra, o restaurante Casa Vanni está instalado em um típico casarão de madeira, construído em 1935 e recentemente restaurado. Foi nos belos e bucólicos jardins da casa que participamos, sentados na relva, de uma degustação que apresentou alguns dos vinhos brancos e rosés mais destacados da produção brasileira.

    É claro que os brancos fizeram a festa para mim, mas rosés não são exatamente a minha praia. Como destaques da degustação, conduzida com o eficiente serviço do sommelier Arlindo Menoncin, do IBRAVIN, estão:

  • Almadén Riesling 2011, um vinho honesto e agradável, praiano, que impressiona com sua etiqueta de 10-12 reais;
  • Sanjo Núbio Sauvignon Blanc 2011, plantado a 1200m de altitude na Serra Catarinense, exibe uma bela estrutura, permanência e frescor;
  • RAR Viognier 2010, dos Campos de Cima da Serra, um vinho com mais seriedade, que repousa 12 meses em barricas de carvalho francês, bastante saboroso.
  • Almadén Riesling 2011 Sanjo Nubio Sauvignon Blanc 2011 Campos de Cima Viognier 2011
    Don Laurindo Reserva Chardonnay 2010 RAR Collezione Viognier 2010 Don Guerino Moscato Giallo 2011
    Fabian Intuição 2011 Fausto Merlot Rosé 2011 Luiz Argenta Rosé 2011
    Pericó Taipa Rosé 2010 Da'divas Rosé 2010 O serviço foi comandado pelo sommelier Arlindo Menoncin
    Degustação em contato com a natureza Almoço na relva O ritmo da viagem era tão frenético que tinha gente dormindo com a taça na mão...
    Visita à Vinícola Salton
    Um dos momentos mais divertidos da visita foi a programação organizada pela Salton para nos receber. Ganhamos uma brítola (espécie de mini-foice para colher as uvas) e uma sportola (cesta de palha para guardar as uvas) e fomos à luta sob um escaldante sol de 40º. Uma vez terminada a árdua tarefa, o grupo foi dividido em duas equipes concorrentes para elaborar o vinho. A tarefa de debulhar os cachos é extenuante, assim como a etapa seguinte: uma "pisa" realizada com as mãos. Infelizmente ainda não inventaram um processo para fermentação instantânea e teremos de esperar alguns meses até que nossa produção possa ser engarrafada e enviada a nós, conforme promessa da Salton.

    Infelizmente, esse divertido programa ainda não está disponível para os turistas que por lá chegam. Para esses, está reservada um happy hour and a half, quando são servidos espumantes, vinhos e diversos petiscos, ao preço de 30 reais por pessoa.

    As instalações impressionam tanto externamente, quanto na parte da produção, pelo gigantismo: com seus 102 anos, a Salton é a maior vinícola brasileira. E vem crescendo a olhos vistos: de 2010 para 2011, o faturamento cresceu de 250 milhões para impressionantes 290 milhões! Para sustentar esse crescimento, a Salton acaba de adquirir 700ha em Santana do Livramento, na Campanha Gaúcha, dos quais 108ha já estão plantados com Chardonnay e Pinot Noir.

    Nos planos imediatos da empresa, está o lançamento do Projeto Gerações, cujo primeiro rótulo será o espumante Domenico Salton, em homenagem ao pioneiro da família a chegar ao Brasil. Ficamos sabendo, também, que a tradicional linha Series (com vinhos Teroldego, Cabernet Franc, Shiraz, Malbec e Carmenère) será desativada e substituída por uma outra linha mais moderna - ainda sem nome - em que algumas castas serão mantidas e outras substituídas.
    A imponente sede da vinícola O grupo a caráter para colher as uvas Daniela Salton também ajudou na vindima
    A colheita foi coordenada pelo sommelier da Salton, Vinícius Santiago Nosso time fez o melhor vinho A sala de degustações da Salton
    Espumante Salton Reserva Ouro Espumante Salton 100 Anos Salton Desejo 2007
    Fomos recebidos pelo diretor superintendente, Daniel Salton O jantar teve a trilha sonora dos cantores Sonia Porto e Dirceu Pastore
    Degustação "A Diversidade dos Vinhos do Brasil"
    Das degustações temáticas oferecidas pelo IBRAVIN, esta foi a melhor, mais diversificada e com a mais alta qualidade. Foi uma alegria experimentar tantos rótulos entusiasmantes quanto os que foram servidos.

    Os destaques foram:

  • o improvável Dezem Extrus Tempranillo 2008, elaborado em Toledo, no Paraná, que exibia toda a qualidade da casta;
  • Antonio Dias Cabernet Sauvignon 2008, elaborado na promissora região do Alto Uruguai, no Rio Grande do Sul, de onde o produtor vem angariando cada vez mais respeito entre os apreciadores brasileiros;
  • Valmarino Cabernet Franc XIII 2008, um aveludado, complexo e elegante exemplar dessa casta, que vem sendo paulatinamente difundida na Serra Gaúcha e que muitos consideram como a grande promessa da região. Segundo o sommelier Arlindo Menoncin, este vinho é o melhor Cabernet Franc dentre todos os elaborados na Serra.
  • Suzin Pinot Noir 2011 Luiz Argenta Jovem Shiraz 2011 Campos de Cima Ruby Cabernet 2008
    Dezem Extrus Tempranillo 2008 Kranz Merlot 2008 Alto das Figueiras Merlot 2009
    Antonio Dias Cabernet Sauvignon 2008 Valmarino Cabernet Franc Ano XIII 2008
    Visita à Vinícola Luiz Argenta
    A visita à Luiz Argenta não estava em nosso apertado programa, mas a insistência dos participantes foi tanta que o IBRAVIN decidiu abrir uma exceção para que pudéssemos conhecê-la.

    Sem sombra de dúvidas, trata-se da mais bonita vinícola da Serra Gaúcha e tudo por lá enche os olhos do visitante: a arquitetura arrojada, os belos vinhedos, a decoração moderna das instalações, o contraste com a histórica sede da Granja União - adquirida pela Luiz Argenta - e o design bonito e original das garrafas.

    Quase todos os participantes compraram o Luiz Argenta Syrah, com sua peculiar garrafa de dois fundos.
    Arquitetura arrojada Do bar, uma bela vista dos vinhedos
    A peculiar garrafa de dois fundos do novo vinho Shiraz apela para os jovens consumidores A caprichada loja da vinícola Em meio a esculturas modernas, a antiga sede da Granja União, comprada pela Luiz Argenta
    Visita à Casa Valduga
    Para meu gosto, os espumantes da Casa Valduga são os melhores produzidos no Brasil. E numa medida didática, a empresa decidiu classificá-los segundo o tempo de autólise das leveduras, exibindo claramente no rótulo a quantidade de meses empregada nesse processo: 12, 24 e 60 meses. Quando perguntei o porquê de o 130 Brut não seguir essa tão esclarecedora classificação, fiquei sabendo que o próprio nome do espumante impedia a impressão da quantidade de meses, pois ficaria um tanto confuso escrever no rótulo 130 36 meses. Uma pena, realmente, que esse espumante tenha um nome numérico! E ficou de fora, também, o exclusivo Maria Valduga, talvez por ser a jóia da coroa, que não necessita de explicações.

    A Casa Valduga é a vinícola mais bem estruturada, em termos de enoturismo, no Rio Grande do Sul. Além de contar com uma pousada em meio aos vinhedos, a Villa Valduga, e um charmoso restaurante de pratos tradicionais italianos, a Casa Madeira, oferece aos visitantes diversos programas de degustação e visitas guiadas. O resultado é que as acomodações estão sempre lotadas e é necessário fazer reserva com antecedência para conseguir uma vaga por lá.

    Em termos de tecnologia, a vinícola também investe pesado e o entusiasmado João Valduga, sócio da empresa, nos contou - até meio assustado com o valor - a recente aquisição de dois equipamentos de última geração para a produção dos vinhos: uma prensa inerte para uvas brancas, onde a prensagem se dá sem contato com o oxigênio, apenas nitrogênio; e uma especial selecionadora ótica de grãos, em que se pode programar quais os grãos aceitáveis, descartando aqueles que não cumprirem os requisitos estabelecidos. O rendimento é de até 10 toneladas de uvas por hora, infinitamente superior ao obtido pela seleção manual e, ainda assim, bem mais preciso. Em pouco tempo, a Valduga espera ter recuperado esse investimento de quase 1 milhão de reais.
    Degustação de espumantes O ícone da vinícola: Maria Valduga O aromático Casa Valduga Premium Gewürztraminer 2011
    Visita às caves Villa Valduga, a pousada em meio aos vinhedos Jantar no restaurante Casa Madeira
    O entusiasmado João Valduga Daniel Dallavalle, o enólogo do ano Fabiano Olbrisch, diretor de marketing
    Degustação da Dunamis
    Qual vinícola não gostaria de ter seus vinhos analisados por uma grande revista americana especializada? Pois não é que a jovem Dunamis, dirigida pelo jovem Júlio Kunz e tendo como enólogo o jovem Thiago Peterle conseguiu a façanha de levar a bela editora-executiva da Wine Enthusiast, Susan Kostrzewa, a participar da degustação de seus vinhos, realizada na Vinum Enoteca, de Porto Alegre? A vinícola está até hoje comemorando...

    A americana deve ter ficado - assim como eu - deveras impressionada com o espumante Dunamis Ar Brut, que nos recebeu naquele escaldante dia de verão da capital gaúcha. E o outro destaque da prova foi o Dunamis Pinot Grigio 2011, com bom corpo e boa extensão, deliciosos aromas de pera e pêssego que será lançado, daqui a alguns meses, em... Londres! Muito chique. Trata-se de um vinho desenvolvido para exportação, mas Júlio acalmou aqueles que já se sentiam órfãos do vinho informando que ele estará disponível também em nosso mercado.
    Espumante Ar Brut Dunamis Cor 2011 Dunamis Ser Sauvignon-Chardonnay 2009
    Dunamis Tom Rosé 2011 Não é para qualquer um: a degustação contou com a especial participação de Susan Kostrzewa, editora-executiva da Wine Enthusiast A charmosa enoteca
    Os convidados
    Flávia de Gusmão, do Jornal do Comércio, de Recife Izakeline de Paiva Ribeiro, do Diário do Nordeste, de Fortaleza Jeriel da Costa, do Blog do Jeriel
    Jorge Carrara, da Prazeres da Mesa José Maria Santana, da Gosto Naiobe Quelem de Oliveira, do site Quero Comer
    Oscar Daudt, do EnoEventos
    (foto de Daniela Salton)
    Rafael Lorenzato, do blog Epifania Etílica Regina Bochicchio, do jornal A Tarde, de Salvador
    Silvestre Tavares Gonçalves, do blog Vivendo a Vida Sílvia Mascella Rosa, da Adega
    Stenio Andrade, da Agência EFE Tânia Nogueira, da Menu
    Os anfitriões
    Diego Bertolini, gerente de marketing do IBRAVIN Gilmar Gomes, o fotógrafo oficial Morgana Forti, assistente de marketing do IBRAVIN
    Marcos, o impagável motorista Maurício Roloff, gestor de conteúdo Web
    (foto de Gilmar Gomes)
    Orestes de Andrade Jr, assessor de imprensa
    Comentários
    Silvia Mascella Rosa
    Jornalista e Sommeliére
    São Paulo
    SP
    24/02/2012 Parabéns, Oscar, pela bela cobertura! Foi um prazer viajar ao seu lado!

    Abraço!

    Também achei... Que venham outras oportunidades! Oscar
    Silvestre Tavares Gonçalves
    Wine blogger
    Vitória
    ES
    24/02/2012 Maravilha, Oscar, foram dias mágicos. A região está de parabéns pela beleza e pela coragem para grandes investimentos. Foi uma viagem para mudar conceitos.

    Abs e saúde
    Christovao de Oliveira Junior
    www.belovinho.com
    Belo Horizonte
    MG
    24/02/2012 Grande Oscar,

    Belíssimo relato. Um prazer de ler. Alem disso muito informativo. Sensacional.

    Parabéns,
    Christovão
    Eduardo Tlach
    Estudante de Enologia e trabalhador na Salton
    Bento Gonçalves
    RS
    24/02/2012 Foi um prazer vê-los na Salton. Uma equipe desse peso deixou a casa mais completa e com mais energia que acompanha todo copo de vinho!
    Tito Villar
    Enófilo
    Rio de Janeiro
    RJ
    24/02/2012 Oscar,

    Parabéns pelas excelentes informações da sua viagem. Com certeza os enófilos passaram a arriscar um pouco mais e frequentar esse oásis.

    Como frequentador assíduo dessa região, tenho acompanhado a evolução dos nossos vinhos que melhoram ano a ano. Eles têm lugar em muitas prateleiras e restaurantes, basta um pouco de boa vontade, para fazer o primeiro contato. Aqui no Rio posso citar 02 sommeliers que já possuem muitas destas preciosidades nacionais, que vc degustou, em suas cartas: o João Souza e o Pedro Lamonica, sem alavancar os preços.

    A Miolo já está abrindo sua quarta loja própria na Asia (digo própria mesmo). Só em mercados exigentes e eles estão comprando bastante, basta uma conversa com o Adriano.

    Outra vinícola bem pequena da Alta Campanha, chamada Guatambu, também está fazendo bonito; aquela turma de Bruxelas acampou lá 02 dias e saíram bem impressionados, o enólogo é uruguaio. E a Maximo Boschi na subida do vale tem um chardonnay de encher as papilas. Até um Shiraz da Estrada Real mineira tá fazendo sucesso pelas montanhas das gerais.

    Oscar, pra terminar já estou pensando em abrir o meu Lote 43 2005 de 6 litros quando a temperatura arrefecer; vc será convidado.

    Aquele abraço e muita saúde,
    Tito

    Valeu, Tito, 6 litros me deixam curioso! Abraços, Oscar
    Flávia de Gusmão
    Jornalista Jornal do Commercio
    Recife
    PE
    29/02/2012 Fantástica sua cobertura e sua companhia.

    Só uma correção, no entanto, o NOSSO time fez o melhor vinho kkkkkk

    Nada disso, o vinho de vocês foi muito concentrado... Bj, Oscar
    Brunno Guedes
    Sommelier (VinoCondor)
    Rio de Janeiro
    RJ
    24/02/2012 Bom dia para todos

    Oscar, é com grande prazer que nós consumidores de vinho, recebemos essa noticia tão boa que é ver nossas vinícolas produzindo vinhos delicados e complexos. Ainda hoje nossos produtos passam por certo preconceito, mas espero que logo isso seja superado.

    Att: Brunno Guedes
    Márcia Monteiro
    Jornalista & Guia Enoturismo
    Rio de Janeiro
    RJ
    17/06/2012 Olá, Oscar.

    Estive em Bento na semana passada...fiquei encantada!!!

    viagensdemarcia.blogspot.com.br
    EnoEventos - Oscar Daudt - (21)9636-8643 - odaudt@enoeventos.com.br