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Na cola de Bruno Agostini
Bruno Agostini passou uma semana em Buenos Aires experimentando os melhores restaurantes de lá, para organizar uma lista atualizada e eclética dos melhores restaurantes da bonita capital portenha. Contou-me ele que houve dias em que chegou a fazer 6 refeições. Haja estômago!

Como fruto desse trabalho extenuante, Bruno publicou há cerca de um mês no Caderno Boa Viagem, de O Globo, uma excepcional matéria relacionando os 11 restaurantes que mais lhe agradaram e que, a partir de então, conforme testemunho dos próprios restaurantes, passaram a ser invadidos por brasileiros.

Eu fui um deles! Convidei alguns amigos para viajar para lá, fugindo da confusão da Rio+20, para uma experiência enogastronômica que repetiria os passos do Bruno. Não todos, é claro, porque ninguém, além dele, é de ferro. Mas experimentamos 6 restaurantes da nova lista e mais um de uma outra seleção que o mesmo jornalista publicou há 3 anos.

Foram dias excelentes, quando passeamos por um painel do que há de mais representativo da gastronomia argentina atual. Minhas impressões, data venia, estão abaixo.

O golpe do taxi
Na ida para um restaurante em Palermo, sofremos o golpe para o qual a matéria do Bruno havia alertado: não entregar notas de 100 pesos para os motoristas, pois eles trocam por notas falsas e pedem para você dar outra. Mas em nosso caso, como a corrida havia custado 120 pesos, eu fui obrigado a entregar uma nota de 100, porém fiquei alerta. O taxista rapidamente trocou minha nota por uma de 10 pesos e avisou que eu havia me enganado. A partir daí, a discussão foi ríspida, assustadora, mas eu finquei o pé e ao final ele desistiu da falcatrua. Saí do táxi me sentindo um herói.

A satisfação, no entanto, durou pouco. Ao contar a história para os companheiros que seguiram em outro carro, fiquei sabendo que a corrida deles, igualzinha a nossa, havia custado apenas 42 pesos.

Oscar Daudt
25/06/2012
Hernán Gipponi
De acordo com a opinião unânime de nosso grupo, o melhor restaurante que visitamos. Ambiente requintado, bela decoração, serviço atencioso e afinado e, principalmente, uma gastronomia de entusiasmar. E para tornar perfeito aquilo que já é excelente, o preço é de fazer corar qualquer restaurante carioca: o menu-degustação de 9 etapas custa 195 pesos (ou a bagatela de cerca de 86 reais)! Inacreditável!

Localizado no Fierro Hotel Boutique, em Palermo Hollywood, o restaurante é comandado pelo chef de mesmo nome, cuja experiência inclui dois restaurantes duplamente estrelados na Espanha: o Guggenheim Bilbao e o El Poblet in Denia, em Valencia. Com a chave da adega, o jovem sommelier Martin Bruno oferece um serviço atencioso e preciso.

A carta de vinhos é excelente, variada, com preços praticamente iguais aos das lojas. Foi lá que bebemos o melhor vinho branco de toda a viagem: um elegantíssimo Escorihuela Gascón Chardonnay Pequeñas Producciones 2010. Em um país dominado pelos vinhos tintos, onde é difícil se encontrar bons exemplares brancos, esse rótulo foi um oásis!

Recomendo, de olhos fechados e sem pestanejar, para qualquer um que vá a Buenos Aires, fazer uma visita a esse inesquecível restaurante e aproveitar uma das melhores experiências gastronômicas daquela cidade.

Fierro Hotel
Soler, 5862
Palermo Hollywood
Buñuelo de acelga - crema de nuez-moscada Moluscada - crema de queso Sbrinz - velo de albahaca - piñones Mollejas - puré de papa & nabo - caldo de lemongrass - hinojo
Pesca del dia con caviar andino - nube de calamar - txipirones - espárragos - alioli de perejil Arroz meloso de langostinos de Madryn - tomates secos - hongos silvestres - verdeo Lechoncito de campo (12kg) - crema de papa y azafrán - zapallito de tronco - berros - chimichurri de pistachos
Sorbet de pomelo - gallos - gellé de bitter - sablée breton Granita de lulo - yogurt espumoso - litchis - pipas de calabaza garropiñadas Ricotta - helado de frutilla - menta - pimienta de Jamaica - pan de especías - aceite de oliva
Escorihuela Gascón Chardonnay Pequeñas Producciones 2010 Tomero Semillon Reserva 2007 Navarro Correas Alegoria Gran Reserva Malbec 2008
Tarquino

Um belíssimo restaurante, localizado na Recoleta, impressiona desde o átrio, todo em mármore branco, sem qualquer decoração que venha a comprometer a elegante leveza. O salão, com teto de vidro e interminável pé-direito, é todo enfeitado com lã de carneiro e com iluminação exageradamente aconchegante, em que quase nada pode se ver.

A cozinha do chef Dante Liporace é excelente, deliciosa e bonita, mas um tanto repetitiva em sua técnica: dos 7 pratos que compõem o menu-degustação, 4 tinham espuma e 3 vinham com esferas moleculares.

O menu é do tipo confiança, em que não se sabe o que será servido. Para quem quiser o menu harmonizado, tudo bem... Mas como optamos por pedir vinhos a parte, a confusão foi grande! Desconhecendo os pratos, partimos para a solução mais lógica: primeiro um branco, depois um tinto. Só que as coisas não se passaram conforme imaginado. As duas primeiras etapas, que acompanharam o branco, eram uma releitura de pizza (foto ao lado), com provolone e presunto, e uma polenta com carne e cogumelos, em uma completa desarmonização. Em seguida, já acompanhadas pelo vinho tinto, vieram um risoto de lagostins e um polvo crocante. Mais um grande desacerto. A partir daí, as coisas voltaram aos eixos, com um prato de entraña e outro de cabrito bem servidos com outro tinto.

No entanto, a empáfia do maître quase que estraga a nossa noite. E, sim, estragou a minha matéria, pois fui proibido de tirar fotos dos pratos.

O menu-degustação de 7 etapas custa 400 pesos (450 com harmonização).

Rodriguez Peña, 1967
Recoleta
Tegui

Mais um belo momento da viagem, o restaurante Tegui tem uma fachada que não entusiasma ninguém. Uma parede toda grafitada e uma porta de ferro, daquelas de depósitos, sem nenhum letreiro informando que ali é um restaurante. Deve-se tocar num interfone e avisar que se tem uma reserva. Estranho, muito estranho...

O menu degustação de 8 etapas custa 350 pesos, mas eu preferi a fórmula de 3 etapas (290 pesos) e pedi 2 entradas e 1 prato principal. Como eu havia lido na Internet que o chef Germán Martitegui não permite que seus pratos sejam fotografados, nem levei minha câmera. E assim fica difícil lembrar o que se passou por lá. Uma das entradas era de caranguejo, excepcional, e a outra eu não me "acuerdo". Como prato principal, foi um peito de frango decepcionante, sem cor e sem gosto, igualzinho aos que servem nos hospitais públicos. Mas meus companheiros escolheram, todos, um prato de lomo e ficaram bastante satisfeitos.

Costa Rica, 5.852
Palermo
Sipan
O Sipan é um restaurante de cozinha peruana de capital portenha, em dois endereços: um em Palermo, outro no Centro. Cansados de enfrentar problemas com os taxistas da cidade, optamos por visitar o último, bem mais perto de nosso hotel.

O restaurante é muito bonito, bem decorado e aconchegante quase ao ponto da escuridão total. Os pratos são deliciosos, criativos, bonitos e apimentados no ponto certo. Um espetáculo! O próprio cardápio aconselha a pedir uma entrada (ou tiradito) por pessoa e dividir um prato principal para dois. Foi o que fizemos e saímos bastante satisfeitos.

Recomendo as Conchitas gratinadas, um belo prato de vieiras em suas conchas, que vem - literalmente - pegando fogo, o que naquele breu oferece uma bela apresentação. Excelentes, também, os Rolls Rosita: têm cara de sushi, gosto de sushi, mas dizem que é peruano; elaborado com salmão defumado, abacate e queijo cremoso, enrolados em arroz e encimados com polvo gratinado.

Como prato principal, escolha o Picante de camarones, que chega em uma panela de ferro, muito bem servida, com bastante camarão em molho cremoso, batatas e ovos cozidos. Maravilhoso.

Mas - e, infelizmente, tem um mas - a carta de vinhos é decepcionante. Embora venha em iPad, as opções são bastante limitadas (cerca de 6 vinhos brancos e um pouco mais de tintos), todos eles muito simples e, o que é pior, com preços de vinhaços. Com certeza, a pior carta de vinhos que encontramos por lá.

Paraguai, 624 (esquina com Florida)
Microcentro
Amuse-bouche Pulpo al olivo con salsa de aceitunas negras y palta Rol Rosita, con salmón ahumado, palta y queso, con trozos de polvo gratinados
Conchitas gratinadas con parmezan, marinadas con pisco y aji amarelo Empanada de lomo saltado criollo Picante de camarones, con salsa cremosa y patatas
Cordero com mandioca e batata-doce, feijão branco, na cerveja escura, petit pois e cenoura Sobremesa Sobremesa
Oviedo

Um daqueles restaurante clássicos de Buenos Aires, com toalhas brancas, móveis de madeira e decoração tradicional. A comida é caprichada e o serviço um tanto atrapalhado.

A especialidade é a gastronomia mediterrânea, onde abundam os frutos do mar. Excelente carta de vinhos e preços honestos. Um bom restaurante, mas eu não o colocaria entre os melhores de Buenos Aires.

Antonio Beruti, 2602
Barrio Norte
Don Julio

Conforme o Bruno, as melhores carnes de Buenos Aires. É uma churrascaria simples, sem nenhum dos salamaleques encontrados nas casas do Rio de Janeiro.

Eu, como bom gaúcho, sou um apreciador de costela, carne que, quando bem preparada, é uma das mais saborosas que há. Por isso, minha escolha recaiu sobre um Asado de tira. Estava péssimo, gorduroso ao extremo, com uma cor sofrível e quase sem carne. Meus companheiros, no entanto, preferiram o comer um Bife de lomo (filé mignon) e ficaram satisfeitos.

As carnes vêm sem acompanhamentos, que devem ser pedidos separadamente. As opções são bem limitadas e tradicionais, como batata frita, arroz ou salada.

Guatemala, 4.699
Palermo
El Sanjuanino

Esse foi o único restaurante a que fomos que não fazia parte da seleção de 11 restaurantes do Bruno, mas constou da relação desse mesmo jornalista de 3 anos atrás. Sua especialidade são as empanadas, consideradas as melhores de Buenos Aires. Como o grupo estava animado para conhecê-lo e eu sou um apreciador desse pastel tipicamente argentino, abrimos uma exceção em nossa diretriz de conferir apenas o time de futebol recentemente escalado.

Localizado na Recoleta, o bairro mais exclusivo de Buenos Aires, é um tradicional restaurante, simples, decorado com tudo o que se possa imaginar. Fomos atendidos por um garçom extra-simpático que falava em carioquês, chiando mais do que os moradores da Tijuca.

No entanto, as empanadas foram, para mim, uma grande decepção. Pedi uma de carne suave e outra de cebola com queijo. Ambas eram feias, com recheio ruim e com uma massa grossa e molengona. Já comi muitas outras, em lugares sem fama, que eram muito superiores.

Depois disso pedimos um meio frango assado, que vinha nadando em óleo e era simplesmente incomível. Não recomendo esse lugar para ninguém...

Posadas, 1515
Recoleta
Comentários
Ricardo Gaffree
Blogueiro - www.amigogourmet.com
Brasília
DF
26/06/2012 Também estive no Don Julio e comi uns rins muito bons. Em compensação as pessoas que me acompanhavam comeram pessimamente. O Dom Julio já foi bom...

Também estive no Tegui e comi maravilhosamente bem!!!
Bruno Agostini
Jornalista
Rio de Janeiro
RJ
26/06/2012 Oscar, meu amigo.

Fico muito feliz em ler a sua crônica, sincera e bem escrita. Como já te disse pessoalmente, o seu site está ótimo, e cada vez melhor. Bem escrito, com lindas fotos, bem humorado (ou mau humorado, o que também é fundamental), atento ao que está acontecendo.

É uma honra para mim poder inspirar um artigo como este. Não sabia que as fotos no Tegui eram proibidas. Fui lá, sem que soubessem que sou jornalista, fiz as fotos do ambiente, dos pratos, e ninguém disse nada.

No Don Julio, sugiro a entraña e o ojo de bife, que foi o que provei, e estavam ótimos.

Foi um prazer te encontrar ontem. Um grande abraço.
Eduardo Seixas
Engenheiro e enófilo
Rio de Janeiro
RJ
26/06/2012 Caro Oscar,

Também estive em Buenos Aires (quase nos encontramos!), na Recoleta, e fiz um tour por alguns restaurantes. Escolhi entre os da reportagem do Globo e os do livro do Herzog, e fui ao El Sanjuanino (concordo, bem fraquinho), ao Fervor (ao lado do Sanjuanino (esse muito bom), ao La Biela (interessante), ao Lola (bom mas carissimo) e, finalmente, ao que mais gostei: ao Croque Madame. Um restaurante pequeno, na entrada do Museu de Arte Decorativa, na Recoleta. Um amor de restaurante, de tradição francesa, no tamanho e valor certo. Com o bom tempo, pode-se comer nas mesas do jardim perto da entrada do museu, que aliás vale a pena conhecer também.

Da proxima vez que for a Buenos Aires, não deixe de conhecê-lo! Quem sabe nos encontraremos (finalmente!).

Grande abraço,
Eduardo
Maria Tomasia Middendorf
Aposentada
Rio de Janeiro
RJ
26/06/2012 Ao ler a matéria sobre os bons restaurantes de Buenos Aires, fiquei com água na boca. O Don Julio é tudo de bom, carne excelente.

Como sou adepta a raramente trocar de uva, vou sempre no Malbec argentno e me dou bem.

Amo a Argentina e sempre vou a Buenos Aires e Mendoza, por isso, guardarei essa matéria que, sei, será muito útil quando lá voltar.

Abraços,
Maria Tomasia Middendorf
Elida Guida
Psicopedagoga
San Juan
Argentina
26/06/2012 Estube en Hotel Fiero, Restaurant Hernán Gipponi. ECEPCIONAL!
Teresa Cristina
Enófila
Rio de Janeiro
RJ
28/06/2012 Oscar!!!!

Quase nos encontramos no aeroporto!!! Eu voltando ao Rio e você chegando em BAires!!!

Adoro o San Juanino e suas empanadas... entretanto, peço a San Juanina (picante), e de prato, sempre os pratos regionais de San Juan... nunca os comuns.

Da próxima vez, experimente a parrilla "Chori&Wine", não vai se arrepender. Bjks
Carlos Stoever
Advogado, enófilo
Porto Alegre
RS
30/06/2012 Amigo Oscar,

Em Buenos Aires, para carnes, vou no La Cabrera! Sem erro!

Abraço!
EnoEventos - Oscar Daudt - (21)9636-8643 - odaudt@enoeventos.com.br