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Muita história prá contar
A Sicilia é uma ilha, a maior do Mediterrâneo, mais conhecida por ser a bola que a bota italiana está em vias de chutar. Seu solo é predominantemente vulcânico e sua maior atração geológica é o Monte Etna, o vulcão de 3.300 metros de altitude, o mais ativo da Europa. Com seu pico permanentemente fumegante e coberto de neve na maior parte do ano, é de uma imponência ameaçadora. Estima-se que haja uma erupção a cada dois meses, em média. (A foto abaixo, tirada do espaço, mostra a imponência da montanha e de seu pico soltando fumaça na costa leste.)

Ponto estratégico no Mediterrâneo, a Sicilia sofreu a dominação sucessiva de diversos povos ao longo da história: primeiro foram os gregos, depois os romanos; durante a Idade Média esteve sob o domínio dos bizantinos, dos árabes e dos normandos; mais adiante, fez parte da Espanha, do Sagrado Império Romano e do Reino das Duas Sicílias. Atualmente, como se sabe, faz parte da República Italiana. Tal diversidade de dominação moldou a ilha com uma cultura multifacetada, na arquitetura, nos costumes e na gastronomia.

É um destino turístico importante e deslumbrante, com suas águas transparentes e azuladas, seu território verde e suas cidades improváveis, instaladas no topo de montanhas escarpadas que faz a gente pensar como puderam ser construídas por lá. Foi uma viagem realmente inesquecível...

Vinhos vulcânicos
Até poucos anos, a Sicília apostava na quantidade de sua produção sem dar muita atenção à qualidade. No entanto, há cerca de 15 anos o cenário começou a mudar e a leva de novos e talentosos enólogos passou a produzir vinhos excelentes. Em 1990, a produção siciliana, uma das mais altas da Itália, era de 10 milhões de hectolitros; dez anos depois, a produção caiu para 7 milhões, sem que tenha havido uma significativa redução na área plantada, revelando uma drástica diminuição do rendimento. Mas isso tudo é muito recente, é apenas o começo e é de se apostar que o melhor ainda está por vir.

A Sicília é a terra dos vinhos brancos e, com isso, eu encontrei uma ilha para chamar de minha. Seu solo predominantemente vulcânico empresta uma mineralidade que é a marca registrada de seus sedutores vinhos. São muitas as variedades autóctones de alta qualidade e a diversidade de escolha encanta os apreciadores. A uva que melhor lembranças me traz é a Grillo que alcança altos níveis de álcool potencial e é a melhor casta das quatro autorizadas para os vinhos Marsala. Mas a grande novidade são os encantadores exemplares de vinhos de mesa que começam a chegar ao mercado com sua marcante mineralidade. A Inzolia é outra das grandes castas da ilha, apresentada em deliciosos cortes. A Catarrato, mesmo com seu estranho nome, é uma das uvas mais largamente plantadas da Itália, muito embora exista apenas na Sicília, e é uma das variedades-chave do corte dos Marsalas. Normalmente utilizada para vinhos sem caráter, quando bem tratada, com rendimento controlado, pode oferecer excelentes varietais. Outras importantes variedades são a Carricante, a Grecânico e a Zibibbo.

Não bastando a especial diversidade de castas brancas, a Sicília ainda se dá ao luxo de importar outras castas. Um dos melhores exemplares é a Fiano, típica da Campania, que bem tratada pela Planeta elabora um dos melhores vinhos que provei por lá: o Cometa, com sua longevidade, seu corpo excepcional e seus toques condimentados e fumados. A Chardonnay também encontrou um lar por aquelas paragens e o banho de sol que recebe a transforma em uma explosão de frutas, mineralidade e volume.

As opções para os tintos são mais reduzidas, mas nem por isso menos importantes. A Nero d'Avola é o grande estandarte da vinicultura siciliana, elaborando vinhos profundos, frutados e com temperos de exotismo. Com participação mais discreta, a Nerello Mascalese é encontrada, normalmente em corte, nas denominações Etna Rosso e Faro.

A classificação dos restaurantes
No programa estavam incluídos 5 almoços ou jantares em restaurantes e mais 4 almoços durante as visitas às vinícolas. Como de costume, ao final da viagem, fiz um levantamento entre os participantes sobre a nota que eles davam (de 0 a 10) para cada uma das refeições, juntando no mesmo saco tanto os restaurantes quanto as vinícolas e calculando a nota média de cada um deles. Eu imaginava que os restaurantes iriam ganhar de lavada, mas não foi isso o que aconteceu.

O primeiro e o segundo lugares foram arrebatados por duas das vinícolas visitadas: a Donnafugata e a Morgante, deixando para trás restaurantes estrelados pelo Michelin. Na extremidade inferior, um vergonhoso e inquestionável último lugar - com nota bem inferior ao penúltimo colocado - foi atribuído à vinícola Planeta, que nos recebeu de forma desatenta (leia nas matérias específicas, mais adiante, qual o motivo do sucesso e do fracasso dessas visitas).

A classificação final ficou assim definida:

Oscar Daudt
22/05/2012
Morgante
A Morgante é uma pequena vinícola familiar siciliana que iniciou a produção de seus próprios vinhos em 1994. Com produção de cerca de 200.000 garrafas por ano atualmente, a vinícola se caracteriza por elaborar, unicamente, vinhos a partir da casta Nero d'Avola, o grande emblema da ilha. E, não obstante, em sua linha de produtos encontram-se dois atraentes e estruturados rótulos brancos, blancs de noirs.

Apostanto na qualidade, a vinícola contratou como enólogo ninguém menos do que Riccardo Cotarella, uma dos nomes mais prestigiados da vinicultura italiana. Os resultados mostram o acerto da decisão, com as vezes com que seu vinho ícone - Don Antonio - vem recebendo os cobiçados tre bicchieri da Gambero Rosso na maioria de suas safras. Eu fiquei entusiasmado com a potência e a maciez desse tinto extraordinário e voltei para casa com duas garrafas: uma magnun 2008, que me foi presenteada, e um exemplar da excelente safra de 2001.

A recepção dedicada pela família a nosso grupo foi inigualável. Além do respeitável Don Antonio, patriarca da família, junto com Dona Maria Morgante, lá estavam para nos receber o filho Carmelo, sua mulher Maria Rosa e o pequeno Antonio que com seus 8 anos desempenhava um papel atuante na apresentação da vinícola, mostrando o conhecimento que possui sobre os processos de produção. A continuidade da empresa está garantida... No almoço harmonizado com os belos rótulos da casa, a família fez questão de apresentar as melhores especialidades gastronômicas sicilianas, preparadas pelas competentes mãos de Dona Maria e sua nora. Foi, confesso, emocionante...

No Brasil, esses vinhos são importados pela Ravin e, como Grimberg não perde a oportunidade de lembrar, estão à venda nas lojas Bergut.
Os vinhos e o azeite da Morgante O próprio Don Antonio, patriarca da família Grimberg entrega a placa comemorativa à família reunida: Maria Rosa, Carmelo, o pequeno Antonio e D. Maria Morgante
Os típicos arancini: bolinhos de arroz recheados Queijos sicilianos Caponata
Planeta
A Planeta é uma das gigantes da Sicília, com produção de mais de 2 milhões de garrafas, distribuidas por 6 aziendas localizadas em diversos locais da ilha. Na classificação de vinícolas do Gambero Rosso é a mais bem posicionada da região, com duas estrelas e 22 pontos, o que atesta a excelência de seus vinhos. Visitamos a unidade Tenuta dell'Ulmo, que fica perto da cidade de Sambuca di Sicilia.

Na degustação que nos foi oferecida, tivemos a oportunidade de entender a razão do sucesso. Dos dois brancos servidos, sobressaiu-se o Cometa 2009, um vinho espetacular, elaborado com uma casta alienígena à Sicília: 100% Fiano. No primeiro dia, em um almoço em Taormina, bebemos a safra 2007 desse vinho, que possui excelente capacidade de envelhecimento e que deixou entusiasmados todos os presentes. Eu comprei duas garrafas de 2009 e pretendo deixá-las repousar por 2 anos para reviver as deliciosas sensações que esse vinho nos trouxe.

Os tintos também deram um espetáculo: o Plumbago 2010, 100% Nero d'Avola, ainda estava muito novo, mas tanto o Syrah Maroccoli 2008 quanto o Burdese 2006 (bordalês, no dialeto local) , 100% Cabernet Sauvignon eram excelentes.

No entanto, após o carinhoso tratamento que tivemos na Morgante, a visita à Planeta foi um choque: recepção fria, quase chegando às raias da antipatia. Nossa anfitriã, Chiara Planeta, não conseguia disfarçar seu enfado. E o almoço que nos foi oferecido era de ruborizar qualquer italiano: medíocre, mal servido e acompanhado pela linha de vinhos mais básica da casa. Nosso grupo, como um todo, não perdoou e classificou essa visita como a pior de toda a viagem.

Os vinhos da Planeta são importados aqui no Brasil pela Interfood.
Alastro 2010
Produtor: Planeta
Castas: Grecanico
Denominação: IGT Sicilia
Álcool: 12,5%
Cometa 2009
Produtor: Planeta
Castas: Fiano
Denominação: IGT Sicilia
Álcool: 13,5%
Plumbago 2010
Produtor: Planeta
Castas: Nero d'Avola
Denominação: IGT Sicilia
Álcool: 13,5%
Syrah Maroccoli 2008
Produtor: Planeta
Castas: Syrah
Denominação: IGT Sicilia
Álcool: 14,5%
Burdese 2006
Produtor: Planeta
Castas: 70% Cabernet Sauvignon, 30% Cabernet Franc
Denominação: IGT Sicilia
Álcool: 14,7%
Os vinhedos se projetam até o lago Arancio
Donnafugata
A Donnafugata, vinícola localizada na cidade de Marsala é uma das grandes produtores da Sicília, engarrafando cerca de 2,7 milhões de garrafas ao ano. Para mim, o que mais me encantou foi o branco Chiarandà 2006, um corte de Arsonica (Inzolia) e Chardonnay, com uma estrutura gigantesca, um equilíbrio perfeito, muita acidez e mineralidade. Mas nem foi na visita que provamos esse vinho, mas em um dos jantares que tivemos por lá.

No terreno dos tintos, destacam-se o Tancredi 2008, corte de Nero d'Avola com um pouco de Cabernet Sauvignon, elegante e condimentado, e principalmente o exótico Mille e una Notte 2007, um Nero d'Avola em sua pureza, concentrado, poderoso, frutado e muito demorado. E os apreciadores de vinhos de sobremesa ficaram entusiasmados com o Ben Ryè, um Passito de Pantelleria, 100% Zibibbo (ou, mais claramente, Moscato de Alexandria) e entraram em guerra para ficar com minha taça.

Além dos vinhos especiais, tudo na visita à Donnafugata foi perfeito. Um almoço requintado, com inúmeras etapas, e assinado pelo chef Nino Chirco, do restaurante "il Bucanieri", de Marsala. Um verdadeiro espetáculo de alta gastronomia com ingredientes puramente locais. E na bela sala de almoço tocava, discretamente, um disco gravado por Josè, a herdeira da vinícola e cantora profissional, com músicas de bossa nova, em nossa homenagem.

Mas o que mais despertou os bons fluídos foi nossa anfritriã, uma letã com um nome indizível, Zane Zvirgzda, que parecia ter engolido uma bateria de 12 volts para alimentar seu entusiasmo, simpatia, conhecimento, deferência e alegria. Fez toda a diferença! E a soma de todos esses fatores levaram os participantes a escolher esse almoço como o melhor da viagem, com a impressionante média de 9,5.

No Brasil, os vinhos da vinícola são importados pela World Wine.
Lighea 2011
Produtor: Donnafugata
Castas: Zibibbo
Denominação: IGT Sicilia
Álcool: 12,5%
La Fuga 2010
Produtor: Donnafugata
Castas: Chardonnay
Denominação: DOC Contessa Entellina
Álcool: 13,5%
Sherazade 2011
Produtor: Donnafugata
Castas: Nero d'Avola
Denominação: IGT Sicilia
Álcool: 13,5%
Tancredi 2008
Produtor: Donnafugata
Castas: 70% Nero d'Avola, 30% Cabernet Sauvignon
Denominação: IGT Sicilia
Álcool: 14%
Mille e una Notte 2007
Produtor: Donnafugata
Castas: Nero d'Avola
Denominação: DOC Contessa Entellina Rosso
Álcool: 13,5%
Ben Ryè
Produtor: Donnafugata
Castas: Zibibbo
Denominação: DOP Passito di Pantelleria
Álcool: 14,5%
Gamberoni reali e gamberetti con frutta fresca e carciofi Busiate con pomodorini, capperi, mandorle e bottarda di tonno Polpetta di tonno con salsa e menta
Stracotto di manzo in Mille e una Notte con verdure grigliate e patate al rosmarino Macedonia di frutta di stagione Chef Nino Chirco, do restaurante "il Bucanieri", de Marsala
O salão do almoço Milleanni, o azeite da Donnafugata Grimberg homenageou nossa anfitriã, Zane Zvirgzda
Florio (Duca di Salaparuta)
Segundo maior grupo vinícola siciliano - só perdendo em produção para a Cooperativa Settesoli - a Duca de Salaparuta é composta por 3 aziende: a própria Duca di Salaparuta, a Corvo (presente em quase todos os supermercados brasileiros) e a Florio, localizada na cidade de Marsala, produzindo apenas vinhos dessa mesma denominação. Foi essa última que nós visitamos.

Eu - e acho que grande parte da torcida do Flamengo - pensava que Marsala eram apenas vinhos doces, mais utilizados para elaborar Escalopinho ao molho Marsala. Qual o quê! Nossa anfitriã, a cativante Sara Montalbano, nos proporcionou uma verdadeira aula sobre essa denominação, onde pude aprender que existem diversos tipos desse vinho: são três vinhos doces - Fino, Superiore e Superiore Riserva - e, no topo da pirâmide de qualidade, dois vinhos secos: o Vergine (no mínimo 5 anos de envelhecimento) e o Vergine Riserva (no mínimo 10 anos de envelhecimento). Eu experimentei esses dois últimos e fiquei vivamente impressionado, pois lembram muito um Jerez Oloroso. São absolutamente memoráveis e eu trouxe uma garrafa da safra 1997 dentro da mala.

Foi interessante saber como se elaboram os Marsala secos. Simplesmente, acrescenta-se aguardente vínica ao vinho base pronto e - voilà! - é só esperar 5 ou 10 anos. Muito embora o Conselho Regulador permita a utilização de 4 castas - Grillo, Insólia, Catarrato e a desconhecida Damaschino - a Florio elabora seus vinhos com a utilização apenas da Grillo, considerada a melhor dentre elas.

Mas, atenção: a vinícola exibe no rótulo da garrafa um ano muitas vezes impressionante: por exemplo 1840, 1926 e por aí vai... Mas não se deixe enganar, esse ano em destaque é apenas a data em que o vinho foi lançado no mercado pela primeira vez, não tendo nenhuma relação com a safra. Aliás, muito embora se possa elaborar os Marsalas no sistema de "Soleras", a Florio optou por elaborar apenas vinhos safrados.

Aqui no Brasil, os vinhos estão divididos por dois importadores: enquanto os vinhos da Duca di Salaparuta e da Corvo são trazidos pela Bruck, os Marsalas da Florio estão na carteira da Franco-Suissa.
Terre Arse 2000
Produtor: Florio
Castas: Grillo
Denominação: Marsala Vergine
Álcool: 19%
Brut Riserva NV
Produtor: Duca di Salaparuta
Castas: Grecanico e Chardonnay
Denominação: Vino Spumante di Qualità
Álcool: 12%
Calanica 2011
Produtor: Duca di Salaparuta
Castas: Inzolia e Chardonnay
Denominação: IGT Sicilia
Álcool: 12,5%
A imponente sala de degustação da vinícola O museu de garrafas históricas Interessante saber que, durante a Lei Seca americana, a Florio exportava os Marsalas em "embalagens hospitalares" que recomendavam "beber 1 dose 2 vezes ao dia"
Shrimp with rocket and parmesan cheese, swordfish carpaccio Hand-made pasta with crustacean sauce Lemon grouper, grilled prawns and stuffed vegetables
Salada de frutas Grimberg homenageia nossa anfitriã Sara Montalbano Exposição no salão do almoço
Taormina
A bela enseada de nosso hotel
O hotel Villa Sant'Andrea A típica cerâmica siciliana As improváveis cidades no topo dos penhascos
As laranjas são vermelhas A Trinachia é o simbolo da Sicília Uma ruela de Taormina
O imperdível Teatro Grego As águas azuis da Sicília, vistas do alto do Teatro
Com o Etna fumegando ao fundo, a vista de Taormina a partir do Teatro Grego
Jantar no Grand Hotel Timeo, de Taormina
Há cerca de dois meses, Cristiana Beltrão publicou aqui no EnoEventos uma excepcional matéria sobre um jantar no Grand Hotel Timeo harmonizado com uma grande erupção do Etna (clique aqui para recordar). Portanto, nossas expectativas eram de vivenciarmos a mesma insólita experiência.

E naquele ambiente maravilhoso, com uma mesa no terraço e uma vista indescritível de Taormina à noite, meus olhos não se desgrudavam do poderoso vulcão. Eu esperava, pelo menos, um pequeno espirro de lava. Mas, qual o quê! O Etna não se pronunciou, apenas expelindo fumaças que alimentavam nossas expectativas...

O jantar em si foi bom, mas nada excepcional, e o grupo o posicionou numa modesta 6ª colocação na classificação de restaurantes.
Amuse bouche Sformatino di melanzane con ricotta salata e foglie di basilico Trofie con vellutata di pistacchi di Bronte e gambero rosso di Mazara
Rosette di vitello con salsa ai carciofi Cassata siciliana Da varanda do restaurante, admirava-se o Etna que, no entanto, ficou mudo...
Jantar na Locanda Don Serafino, em Ragusa
A Locanda Don Serafino é detentora de uma estrela Michelin. O salão é escavado na pedra, com uma iluminação dramática e mesas e cadeiras transparentes para não interferir no ambiente. A comida mostra a que veio, com pratos que misturam os ingredientes da ilha com a criatividade do chef. Todos os participantes, sem exceção, concordaram que foi a melhor cozinha da viagem.

Como então o restaurante ficou posicionado no terceiro lugar apenas? Graças ao serviço. Para atender as quatro mesas ocupadas pelo nosso grupo havia apenas um sommelier e apenas uma carta de vinhos. A confusão foi generalizada e até os vinhos chegarem a nós, passaram-se bem mais de 45 estressantes minutos. E o sommelier, esquecendo suas obrigações de gentileza, chegou a ser agressivo com dois de nossos companheiros. Uma vergonha que não está à altura de uma cozinha tão especial.
Ricciola lievemente affumicata con insalatina in fiore e salsa aromatica Millefoglie di pollo ruspante al timo limoncino panelle e maionese alla senape rustica Minestra con pasta mista di Grangano con cernia cozze, zenzero in agrodolce e basilico
Suino nero dei Nebrodi brasato al Nero d'Avola, crema de patate al limone ed erbe di campo O vinho de destaque da noite: o Gravner Ribolla Anfora 2002. Fantástico! O belo restaurante é escavado na pedra
O Duomo de Monreale
Não estava no programa original da excursão, mas Grimberg nos presenteou, no último dia, com uma surpresa inesquecível: uma visita a Monreale (nos arredores de Palermo) e sua magnífica catedral, considerada uma das mais belas da Europa.

Construída a partir de 1174, o estilo é normando, mas foi recebendo influências arquitetônicas diversas, incluindo um pórtico triplo na época da Renascença. O conjunto é impressionante, mas é na decoração interior que o Duomo se destaca. O magnífico altar e as paredes superiores são ricamente decorados em mosaicos de vidro dourados, de uma perfeição que não deixa ninguém insensível. A parte inferior das paredes são de mármore branco entremeados por centenas de frisos de desenhos geométricos, cada um diferente do outro. O teto é todo entalhado em madeira dourada.

Realmente, para uma viagem centrada em vinhos e gastronomia, foi um grand finale para elevar os espíritos.
A fachada frontal O magnífico altar Detalhe do teto
As passagens bíblicas são contadas em mosaicos douradas O vinho também tem seu lugar As intrincadas paredes externas
Os vinhos da Sicília
(que vieram em minha bagagem)
Chiarandà 2006
Produtor: Donnafugata
Castas: Arsonica (Inzolia) e Chardonnay
Denominação: DOC Contessa Entellina Bianco
Álcool: 14%
Brasi 2010
Produtor: Ferreri
Castas: Catarrato
Denominação: IGT Sicilia
Álcool: 13,5%
Cometa 2009
Produtor: Planeta
Castas: Fiano
Denominação: IGT Sicilia
Álcool: 13,5%
Adènzia 2010
Produtor: Baglio del Cristo di Campobello
Castas: Chardonnay e Grillo
Denominação: IGT Sicilia
Álcool: 13%
Grappoli del Grillo 2009
Produtor: Marco di Bartoli
Castas: Grillo
Denominação: IGT Sicilia
Álcool: 13%
Marsala Riserva Dry 1997
Produtor: Pellegrino
Castas: Chardonnay e Grillo
Denominação: DOC Marsala Vergine
Álcool: 19%
Don Antonio 2001 e Don Antonio 2008 (magnun)
Produtor: Morgante
Castas: Nero d'Avola
Denominação: IGT Sicilia
Álcool: 14%
Deliella 2006
Produtor: Principi di Butera
Castas: Nero d'Avola
Denominação: IGT Sicilia
Álcool: 13,5%
Serra della Contessa 2004
Produtor: Benanti
Castas: Nerello Mascalese e Nerello Cappuccio
Denominação: DOC Etna Rosso
Álcool: 14%
Contrada Porcaria 2009
Produtor: Passopisciaro
Castas: Nerello Mascalese
Denominação: IGT Sicilia
Álcool: 14%
Mille e una Notte 2007
Produtor: Donnafugata
Castas: Nero d'Avola
Denominação: DOC Contessa Entellina Rosso
Álcool: 13,5%
Duca Enrico 2006
Produtor: Duca di Salaparuta
Castas: Nero d'Avola
Denominação: IGT Sicilia
Álcool: 13,5%
Os viajantes
A foto oficial
Ana Maria Antonio Gláucia e Glauco
Homero e Jô Janaína Janete e Márcio
Jorge José e Ester Lilian
Lou e Mário Maria Maria Ilda
Oscar
(foto de Ana Maria Magalhães)
Raimundo Regina e Paulo
Sérgio Sheila Sílvia
Stefano, nosso guia Valéria e Antonio Carlos
Comentários
José Lumier Victorino Filho
ABS-Rio
Rio de Janeiro
RJ
22/05/2012 Oscar, a reportagem é uma excelente aula. Obrigado.
Eugênio Oliveira
Enófilo
Brasília
DF
22/05/2012 Caro Oscar, mais uma bela viagem.

Se eu tivesse que escolher apenas um vinho dos postados, para tomar, certamente seria o Gravner Ribolla Anfora (que é do Friuli), ainda mais sendo da safra 2002. Aqui no Brasil esse vinho era trazido pela Zahil ao preço de R$ 496,00 (em SP, nos outros estados havia um acréscimo de 10%). Agora ele está na Decanter (safra 2005) por R$ 375,00 mas ainda não chegou ao país.

Você não trouxe uma garrafa dessas não???!!!!

Eugênio, os sicilianos que me perdoem, mas esse foi o melhor branco da viagem. Se não me falha a memória, custou 80 euros no restaurante.

Claro que eu e muitos outros companheiros da viagem procuramos o vinho para trazer, mas é impossível encontrar vinhos do Friuli na Sicília. Bem que tentei achá-lo no free-shop de Roma, mas esse é um vinho muito especial e não se encontra em qualquer lugar... Ficou só na lembrança.

Abraços, Oscar
Rafael Mauaccad
Enófilo
São Paulo
SP
22/05/2012 Oscar,

Como a viagem à Sicília te fez bem! Seu texto reflete a beleza dessa ilha, aromas, perfumes, sabores, seus vinhos, gastronomia, a hospitalidade e a generosidade sicilianas.

Nós, da contestadora, conturbada e conflituosa geração anos 70, temos em nosso imaginário a Sicília dos anos 40 e 50, retratada magistralmente por Francis Ford Coppola, em 1972, no épico O Poderoso Chefão - The Godfather, baseado no romance de Mario Puzo, estrelado por Marlon Brando e Al Pacino, com música composta por Ennio Morricone e Nino Rota.

Convido a todos relerem a matéria ouvindo The Godfather Soundtrack. Voltem no tempo e no espaçoo, exatos 40 anos!! Cliquem aqui para ouvir.

Boas recordações com bons vinhos sicilianos,
Rafael

Valeu, Rafael, perfeita harmonização! Eu bem que insisti para que fôssemos a Palermo, pois queria reviver a cena final do Poderoso Chefão III, nas escadarias do Teatro Massimo, mas não consegui convencer o Grimberg.

Abraços, Oscar
Ana Maria Magalhães
Enófila e consultora de vinhos
Rio de Janeiro
RJ
23/05/2012 Oscar,

Parabéns pela brilhante reportagem. Você retratou fidedignamente a Sícilia, suas cores, sabores, artes, arquitetura, vinhos, e, principalmente, o nosso encantador grupo de amigos.

Gostaria, também, de agradecer ao Grimberg e a seus colaboradores por mais esta oportunidade de participar dessa viagem fantástica, cheia de surpresas, enfim, inesquecível.

Até a próxima!!!

Abraços
Ana Maria Magalhães
Roberto Rodrigues
ABS-Rio
Rio de Janeiro
RJ
23/05/2012 Oscar,

A vida é interessante. Minha experiência com a Sicília foi muito diferente da sua em dois aspectos: Planeta e Donnafugata.

Nossa recepção na Planeta, pela Chiara, foi muito boa. Trata-se de uma pessoa tímida mas que abriu (apenas para mim e Berna) seis bons vinhos para degustarmos, mas não ficou por aí. A cada pergunta sobre um determinado vinho, uma garrafa do mesmo era aberta para degustarmos. Ao final ainda nos brindou com um delicioso vinho de sobremesa que não tínhamos degustado e garrafinhas dos três azeites distintos que a Planeta produz, além de folhetos com dados técnicos, fotos, etc. Não tivemos almoço pois era uma visita técnica. Mas foi uma excelente visita.

Já com a Donnafugata o problema, aparentemente, ocorreu no Brasil com World Wine. Pedimos a visita com um mês de antecedência; uma semana antes escrevi perguntando. Nenhuma resposta. A visita seria numa segunda-feira pela manhã (um ano atrás) e não ocorreu. Na segunda à noite acessei um e-mail (pontos falhos da Sicilia é o acesso à internet e os mapas dos GPS) passado no sábado à tarde confirmando a visita para a segunda pela manhã, sem mapa, contato, nada.

Mas, na viagem, vocês perderam muito ao não visitar a Tasca d'Almerita que foi, sem sombra de dúvida, a melhor visita que fizemos na Sicilia. Pela recepção, pelo local e pelos excelentes vinhos (em um dia - tarde, noite, manhã e almoço) degustamos uns 40 vinhos diferentes.

Bela repostagem.

Abs,
RR
José Grimberg
Bergut Vinho & Bistrô
Rio de Janeiro
RJ
23/05/2012 Oscar,

Parabéns pela aula/matéria. Espero que ela leve muitos amantes do vinho e da boa comida a visitar a Sicília.

Foi um prazer contar com você neste alegre e divertido grupo. A Bergut espera você nas próximas viagens.

Um abraço
Grimberg
Mário Miranda
Enófilo
Rio de Janeiro
RJ
26/05/2012 Prezado Oscar,

Mais uma vez, parabéns pela ótima matéria! Retrata fielmente a realidade de nossa inesquecível viagem à Sicilia, com seu habitual senso de humor e crítico! Ótima referência para enófilos e amantes das viagens que desejarem visitar a Sicilia, desgustando bons vinhos e saboreando a traditional culinária siciliana.

Grazie mille!!!
Lou & Mario Miranda
Antonio Carlos Padua
Enófilo
Niterói
RJ
29/05/2012 Oscar.

Foi a nossa terceira viagem juntos. Perplexo com a seriedade, precisão, abrangência, erudição, sutileza e bom humor que seus textos, fotos, comentários, opções, comparações e notas em conjunto denotam! Parabéns!

Além disso: subscrevo as palavras exatas da nossa brilhante Ana Magalhães e agradeço ao incansável José Grimberg por mais essa oportunidade, numa palavra, fabulosa!

Antonio Padua
Sílvia e Sergio Boccaletti
Enófilos
Rio de Janeiro
RJ
04/06/2012 Oscar,

Além da ótima companhia, a sua descrição da viagem acaba sendo um livro de memórias de gostos e sabores desta deliciosa viagem da qual participamos. Parabéns pela reportagem.

Abraços,
Silvia e Sergio
EnoEventos - Oscar Daudt - (21)9636-8643 - odaudt@enoeventos.com.br