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Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima...
Eu era um frequentador contumaz do Aconchego Carioca desde o tempo em que ele se localizava na outra calçada. A casa atravessou a rua, cresceu, sofisticou-se e eu continuei fiel. Até que, há dois anos, tive uma experiência muito negativa por lá e simplesmente deixei de visitá-los. Nesse meio tempo, pude matar as saudades dos bolinhos de Kátia Barbosa, quando a encontrei em Limoux, no sul da França, há cerca de um ano, nas comemorações do Toques et Clochers, onde ela foi uma das chefs convidadas para o festival. Mas voltar ao Aconchego, em si, nunca mais havia voltado.

Precisou de uma incursão da confraria Safári Gastronômico para me levar de volta ao passado e aproveitar, até com certa nostalgia, a aplaudida casa da Praça da Bandeira. E foi um retorno a rigor, com todas as delícias que saem da cozinha de - surpresa! - Bia Lopes (foto à esquerda). Kátia agora anda muito ocupada com a filial de São Paulo e é sua bela filha, que herdou seus dotes culinários, quem está no comando da casa carioca. E segurando com perfeição a peteca!

Vinhos na terra da cerveja
Para quem está aterrisando agora no planeta, eu explico que o Aconchego Carioca é o que há de mais elevado na baixa gastronomia dos botequins do Rio de Janeiro. E o que pode ser melhor do que acompanhar os petiscos com uma das maiores cartas de cervejas do balneário?

Bem, nem todo o mundo pensa assim e a casa já disponibiliza uma carta de vinhos - pequena, é verdade - para oferecer a seus clientes.

A confraria considera menos ainda a hipótese das loiras geladas e optou por levar seus próprios vinhos, numa deferência especial da casa. E conforme explicou Mme. N, uma das confreiras: "Quanto mais simples o local, mais complexos devem ser os vinhos!". E vocês podem conferir que a regra foi seguida à risca com os estupendos rótulos que causaram espanto às mesas vizinhas. Não é todos os dias que se vê por lá um Selbach-Oster Riesling 1990, um Casa Ferreirinha Reserva Especial 1997 ou um Vega-Sicília Único 1999!

A escolha dos vinhos não foi fácil, pois os pratos planejados eram complicados, com misturas insólitas de ingredientes e a harmonização com cada um deles rendeu incontáveis e-mails durante duas semanas. Ao final, cansados de tantos pitacos, cada um levou o que quis e a harmonização foi decidida de estalo, à medida em que os pratos iam chegando. E não é que deu certo!

O DNA de bolinhos
Mas eu e minha cruzada anti-açúcar ficamos um tanto deslocados em determinados momentos, pois 2 dos vinhos eram meio-doces e 3 dos pratos levavam doçuras. Não tivesse o evento sido organizado por uma assumida formiga, a Mme. L. E eu me sinto impossibilitado de opinar tanto sobre uns quanto sobre outros.

Mas a vocação da casa está nos bolinhos, que desde o início fizeram a fama do Aconchego Carioca. Numa votação informal, houve unanimidade quanto às Almofadinhas (pastéis de tapioca com recheio de camarão, R$24 por 6 unidades) consideradas por todos como o melhor momento do almoço. Com massa cremosa envolta em crocância e com camarões no ponto certo, foi o abre-alas de um desfile espetacular.

Os Bolinhos de feijoada (R$21 por 4 unidades), cartão de visita da casa, voltaram à velha forma e chegaram quentinhos, crocantes e deliciosos. Já é um clássico dos pés-limpos cariocas!

Uma das etapas de nosso longo menu foram os Jilós do Claude (R$24 a porção), petisco assinado pelo televisivo Claude Troisgros. Por prazerosa coincidência, o chef estava por lá, almoçando em outra mesa, e eu não resisti e tive de documentar o momento, com o chef-marrravilha exibindo sua criação em parceria com Bia.

Já fora do esquema de petiscos, outro altíssimo momento foi o Camarão na moranga (R$175), com catupiry gratinado. O preço pode até assustar, mas o prato é uma fartura de crustáceos em plena textura e duas porções serviram com largueza os 10 confrades. Imperdível!

Ao final, melhor do que a própria gastronomia, do que os vinhos inesquecíveis e do que as divertidas companhias, foi a consciência de haver "feito as pazes" com o Aconchego Carioca.

Oscar Daudt
19/03/2013


Serviço:
Aconchego Carioca
Rua Barão de Iguatemi, 379
Praça da Bandeira
Rio de Janeiro - RJ
(21)2273-1035
O almoço
Almofadinha (pastel de tapioca com recheio de camarão) Bolinhos de aipim com bobó de camarão Camarão na moranga
O camarão na moranga empratado Moqueca de banana da terra com pupunha Moqueca de banana da terra com pupunha empratada
Jiló do Claude (jiló frito com balsâmico, mel e queijo de cabra + torradinhas) Bia e Claude apresentando o prato-parceria Bolinho de baroa com carne seca
Bolinho de feijoada Picanha suína com redução de cerveja preta Costelinha de porco com molho na goiabada
Atolado de cordeiro Pudim de cachaça
Os vinhos
Champagne Larmandier-Bernier Blanc de Blancs Sanct Valentin Pinot Grigio 2008 Sandalford Riesling 2005
Gravner Ribolla Anfora 2005 Conundrum 2007 Selbach-Oster Riesling Spätlese 1990
Argiano L'O 2009 Medici Ermete Concerto Lambrusco 2010 Casa Ferreirinha Reserva Especial 1997
Vega-Sicilia Unico 1999 Mouchão 2006
Comentários
Celso de Souza Caron
Enófilo
Curitiba
PR
19/03/2013 Prezado Oscar,

Tenho sentido falta dos endereços e telefones dos restaurantes comentados. É o caso do Aconchego Carioca.

Cordialmente
Celso Caron

Você tem razão, foi falha minha. Já acrescentei à matéria. Abraços, Oscar
André Paranhos
Blogueiro
Rio de Janeiro
RJ
19/03/2013 Sensacional Oscar! Parabéns pela escolha do local!! Fiquei com água na boca e vontade de voltar imediatamente!!!
Cesar Gomes de Oliveira
Enófilo
Rio de Janeiro
RJ
26/04/2013 Prezado Oscar

Excelente matéria sobre o Aconchego Carioca, vou aparecer por lá para conferir.

Saudações
César
EnoEventos - Oscar Daudt - (21)9636-8643 - odaudt@enoeventos.com.br