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França
Casa Flora

Caindo da cadeira
Semana passada, a Casa Flora ofereceu uma descontraída degustação - na verdade, descontraída demais - para apresentação de alguns dos novos rótulos de sua carteira. A cidade estava presa em grandes engarrafamentos e o evento começou com mais de uma hora de atraso. Para complicar ainda mais, era noite em que o Flamengo decidia a final da Copa do Brasil e muitos participantes estavam bem mais interessados em assistir ao jogo do que nos próprios vinhos, pressionando para que tudo terminasse bem rápido. Foi difícil...

Essa importadora sempre foi uma das minhas preferidas, pois oferece uma grande variedade de vinhos, com rótulos de excelente qualidade e com preços que cabem no bolso da maior parte dos consumidores. E, além disso, aplica uma margem de lucro bastante razoável, tendo sido posicionada em 3º lugar no Comparativo de Importadores de 2012.

Uma análise de seus preços ao consumidor final retrata bem essa situação. Considerando apenas os vinhos de 750ml, de safras correntes, nota-se, na tabela ao lado, que a distribuição percentual dos preços privilegia os rótulos das faixas mais baratas, com 73% vendidos a preços inferiores a 100 reais ao consumidor final.

Portanto, justifica-se eu quase ter caído da cadeira ao saber do preço de um dos vinhos da prova: 710 reais! E não parou por aí, com minha pressão arterial aumentando à medida em que outros preços me eram revelados: 522 reais, 722 reais, 820 reais...

Cheguei até a duvidar se estava mesmo em um evento da Casa Flora.

O rebelde do Loire
E que vinhos são esses que fizeram a importadora desviar-se tanto de sua curva normal? Bem, são vinhos do Domaine Didier Dagueneau. Ponto.

Didier Dagueneau (foto acima) foi um cultuado produtor da denominação Pouilly-Fumé, que buscava elaborar o "melhor Sauvignon Blanc" do mundo. Para tanto, obtinha rendimentos baixíssimos, colhia manualmente as uvas em múltiplas passadas para obter o amadurecimento ideal e lançava mão do estágio em madeira, prática abandonada na região. Mas seu maior feito parece mesmo ter sido valorizar os preços dos vinhos a níveis impensáveis para o Loire. Seus produtos são caríssimos, mesmo nos Estados Unidos e na Europa, e ainda assim bastante disputados.

Em 2008, em um acidente de ultra-leve, o grande mago morreu aos 52 anos. Muitos apreciadores ficaram temerosos pelos rumos que sua vinícola iria tomar após seu passamento, mas seu filho Louis-Benjamin vem obtendo o mesmo respeito de que seu pai gozava, seguindo com rigor suas práticas e sua filosofia.

Não é todos os dias em que se tem a oportunidade de degustar um dos cultuados vinhos do Domaine Didier Dagueneau. O que dizer então de três vinhos em uma mesma prova? Na verdade, eram quatro vinhos, mas nem Dagueneau consegue me fazer beber um vinho doce.

Os vinhos eram fantásticos, mas infelizmente o ambiente não colaborou para uma degustação à altura.

Oscar Daudt
04/12/2013
Os vinhos de Didier Dagueneau
Le Mont Damné Chavignol 2009
Produtor: Domaine Didier Dagueneau
Região: Sancerre - Loire
Casta: 100% Sauvignon Blanc
Preço (consumidor final): R$709,80
Pur Sang 2009
Produtor: Domaine Didier Dagueneau
Região: Pouilly-Fumé - Loire
Casta: 100% Sauvignon Blanc
Preço (consumidor final): R$551,73
Silex 2009
Produtor: Domaine Didier Dagueneau
Região: Pouilly-Fumé - Loire
Casta: 100% Sauvignon Blanc
Preço (consumidor final): R$721,96
Les Jardins de Babylone Moelleux 2009
Produtor: Domaine Didier Dagueneau
Região: Jurançon
Casta: 100% Petit Manseng
Preço (consumidor final): R$820,75
Os vinhos de Barmès Buecher
Crémant d'Alsace Brut 2009
Produtor: Domaine Barmès Buecher
Região: Alsace
Casta: 42% Auxerrois, 36% Pinot Gris, 13% Chardonnay, 8% Pinot Blanc e 1%Pinot Noir
Preço (consumidor final): R$124,63
Clos Sand 2010
Produtor: Domaine Barmès Buecher
Região: Alsace
Casta: 100% Riesling
Preço (consumidor final): R$224,95
Pinot Noir Réserve 2009
Produtor: Domaine Barmès Buecher
Região: Alsace
Casta: 100% Pinot Noir
Preço (consumidor final): R$142,87
Pinot Noir Vieille Vigne 2009
Produtor: Domaine Barmès Buecher
Região: Alsace
Casta: 100% Pinot Noir
Preço (consumidor final): R$454,45
Os personagens
Jô Mendes, embaixador dos vinhos no Brasil Humberto Cárcamo, representante da Casa Flora no Rio de Janeiro
Comentários
Stefano Zannier
Consultor de vinhos
Rio de Janeiro
RJ
04/12/2013 Infelizmente. Didier Dagueneau e François Barmes Boucher, grandes amigos, os dois vitimas de acidentes mortais, muito novos……………………..

Deixaram muita saudade e grandes vinhos e vinhedos.

SZ
André Santanna
Aeronauta
Rio de Janeiro
RJ
04/12/2013 Olá Oscar,

Comprei o Silex 2009 em NY por 99 dólares (230 reais) e estão vendendo a 720 reais?? Não sei se a margem está tão boa!

O Pinot Noir alsaciano "Barmes Buecher Reserve", que por sinal é um excelente vinho, paguei 30 libras em Londres. Muito caros ainda no Brasil.

Abcs,
Carlos Alberto Amorim Junior
ABS-Brasília
Brasília
DF
04/12/2013 Há muitos anos, nos tempos do evento da Pedra Azul, tive a grata satisfação de degustar um Silex. Não recordo a safra e também não encontrei as notas de degustação. Lembro que o vinho era sensacional e com preços correspondentes.

Para os afortunados que conseguirem pagar os preços ora cobrados certamente serão recompensados com maravilhas nas taças. Não é o meu caso.
Rafael Mauaccad
(via Facebook)
São Paulo
SP
04/12/2013 Sempre compramos as frutas secas de Natal na sua loja matriz do Brás. Este ano desistimos, pelos altos preços e qualidade razoável.

Incrível, na zona sul paulistana, os preços desses mesmos produtos estão mais baixos e com melhor qualidade. Ainda há tempo para reverter esta situação!
Alex Szigethy
(via Facebook)
Caxias do Sul
RS
04/12/2013 Tenho alguns vinhos do Didier. Esse cara era um gênio.
Abílio Cardoso
Dentista e Enófilo
Brasília
DF
05/12/2013 Fui apresentado aos belíssimos vinhos de Didier Dagueneau e do Barmès pelo Jô Mendes.

Em nosso jantar de fim de ano da confraria tivemos o prazer de degustar um Les Jardins Du Babylone, néctar engarrafado. E graças às boas indicações do Jô, ainda tenho umas garrafas de Pinot Noir do Barmès. Infelizmente, a alta do dólar e do euro deixaram o Vielles Vignes com um valor proibitivo para mim. Mas é um biodinâmico excepcional!!

Abraços
Marcos Lima
Sommelier
Niterói
RJ
05/12/2013 Prezados,

O discurso referente a preços e comparações em relação a NY, Londres, Paris etc... ainda vai longe.

Preços a parte, quero agradecer ao amigo Humberto pelo convite. Tive o prazer de degustar além das obras de arte do Didier Dagueneau, os alsacianos do fantástico Barmès e um excelente Crémant para iniciar os trabalhos. O clima realmente estava descontraído, mas nada que tirasse o encantamento de todos pelos vinhos.

Parabéns à Casa Flora pelo enriquecimento no portfolio.

Att
Marcos Lima
Roberto Rodrigues
ABS-Rio
Rio de Janeiro
RJ
05/12/2013 Oscar

Esta, em minha opinião, está entre as melhores degustações do ano aqui no Rio. Por vários motivos:

1- o vinhos do Dagueneau sobre os quais não há mais o que acrescentar (só achei que o primeiro vinho não estava no seu ótimo) todos muito bons e inesquecíveis;

2- a recepção sempre muito boa de todo o pessoal da Casa Flora;

3- o clima descontraído e arrisco dizer "alternativo" que tem tudo a ver com o Dagueneau;

4- a seleção de convidados conhecedores, um pouco rebeldes (tudo a ver) e que são a nata da área no Rio;

5- para quem não saiu para ver o Framengo teve ainda charutos, etc. Eu tive que sair pois estava acompanhando a Ada (do Friuli) e fomos à ovelha negra onde bebemos um espumante da Filipa Pato (!).

Belo encerramento do ano na Casa Flora.

Agradeço à Casa Flora e ao Humberto por ter tido a oportunidade de participar deste evento.

Oscar, por último digo que causou-me espanto seu primeiro parágrafo:

“Semana passada, a Casa Flora ofereceu uma descontraída degustação - na verdade, descontraída demais - para apresentação de alguns dos novos rótulos de sua carteira. A cidade estava presa em grandes engarrafamentos e o evento começou com mais de uma hora de atraso. Para complicar ainda mais, era noite em que o Flamengo decidia a final da Copa do Brasil e muitos participantes estavam bem mais interessados em assistir ao jogo do que nos próprios vinhos, pressionando para que tudo terminasse bem rápido. Foi difícil...”

Não entendi pois:

a)- O evento começou pontualmente com o serviço do Cremant dAlsace em profusão, acompanhado de três azeites, três tipos de presunto espanhol e outros comes. Excelente como precedente de uma degustação no início da noite em que todos estão com fome.

b)- Não ví ninguém mais interessado em assistir ao jogo do que em degustar.

c)- O mais engraçado é que você é uma das pessoas que sempre quer os vinhos sejam servidos rápido para que termine logo o evento.

d)- Nâo foi nada "difícil" para mim, foi muito bom!
João Oliveira
Lojista
Rio de Janeiro
RJ
12/12/2013 Gostaria muito de ter ido, pois fui ao lançamento do Jacobs Creek, há um mês, e gostei muito.

Obrigado por nos manter informado, Oscar.

Abraços enormes e boas festas a você, a todos amigos do Enoeventos e adoradores do vinho.
Felipe
Engenheiro e blogueiro
Rio de Janeiro
RJ
16/12/2013 Oscar, estive recentemente em Pouilly-sur-Loire e trouxe muita coisa comprada direto dos produtores. Sinceramente não acredito que uma diferença de 500% seja apenas por conta de impostos e taxas alfandegárias e de frete.

Tirando os exemplares de Dagueneau, que ganharam muita fama e assim fica difícil analisar a questão do preço, há muita coisa boa por lá e em Sancerre, que não justifica o absurdo cobrado por aqui.

Abraços.
EnoEventos - Oscar Daudt - (21)99636-8643 - odaudt@enoeventos.com.br