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Brasil

A vitória que não veio
No campeonato brasileiro de 2009, meu time do coração, o Sport Club Internacional, de Porto Alegre, tinha grandes chances de conquistar a taça, disputada até a última rodada, juntamente com os demais pretendentes, Flamengo e São Paulo. Para as comemorações que se avizinhavam, comprei algumas garrafas do Champagne Sport Club Internacional, um espumante da Peterlongo. A empresa, por força de decisão do Supremo Tribunal Federal, tem o direito de usar essa denominação, para desespero do CIVC (conforme pode-se conferir no detalhe à direita).

Mas tudo deu errado! O Flamengo conquistou o campeonato e a garrafa que eu abri para comemorar, sem muita graça, a segunda colocação, revelou um espumante bastante simples.

Maus tratos
As garrafas que sobraram foram deixadas de lado, sendo muito mal-tratadas ao longo desse tempo todo. Quando havia lugar na adega, lá iam elas se refrescar; quando o espaço se tornava disputado, voltavam para as prateleiras destemperadas do depósito.

Borbulhas abusadas
Agora, 5 anos depois, bateu-me a curiosidade de experimentar o que o tempo havia feito com esse vinho que eu tanto desprezei. E a surpresa foi grande... e positiva!

As borbulhas, que eu imaginava terem desaparecido, pelo contrário, mostravam-se abusadas, pequenininhas e muito persistentes. O tempo também havia feito muito bem para a cor, que agora exibia um amarelo-ouro vibrante e tentador.

No nariz, as leveduras cantavam vitória, como se fossem argentinos em Copacabana. Mas eram secundadas por toques de avelã, pera madura e leves notas cítricas.

A boca mostrava a evolução ocorrida na garrafa e eu - um apreciador de espumantes bem evoluídos - fiz a festa. Apesar dos anos, a boca permanecia crocante e com bela acidez, embalada por uma estrutura fantástica, uma boa permanência e toques caramelizados. Havia, é certo, um leve amargor ao final, mas nada que comprometesse o conjunto.

Mais 5 anos
Foi um deliciosa e surpreendente experiência. E com isso, vou tratar melhor a garrafa que me sobrou e - prometo! - daqui a mais 5 anos, abrí-la e contar o que terá acontecido.

Oscar Daudt
14/07/2014
 

Comentários
Pedro Portugal
(via Facebook)
Rio de Janeiro
RJ
14/07/2014 Oscar, meu amigo Gustavo Araujo se casou há uns anos e comprou caixas do Cave Geisse 2003 para a festa. Sobraram algumas e de vez em quando abrimos. Continuam muito boas e melhorando.
Eduardo Amaral
(via Facebook)
Rio de Janeiro
RJ
14/07/2014 EMHO, espumantes que não são feitos para envelhecer, acabam amargando demais com a idade. Os Geisse de 98 estão assim; não tem mais qq graça e leveza.

Acho que o Inter deve ter batizado essas garrafas com algo mais próximo de Bollinger Grande Année do que de Peterlongo...
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