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Restaurantes

Os bons tempos estão de volta
Quando o Margutta foi inaugurado, no distante ano de 1994, o sucesso foi imediato e a casa vivia lotada, comandada pelo casal Paolo e Conceição Neroni. Não havia nada de parecido na cidade. A festa durou 15 anos, até que, em 2009, a dupla arrumou as malas e partiu para comandar o Borsalino, na Barra.

Paolo e Conceição eram o corpo e alma do lugar e sua saída foi um golpe duro demais. Há cerca de 2 anos, estive nesse restaurante e dava vontade de chorar: a casa parecia abandonada e a experiência gastronômica não foi das melhores.

Há poucos dias tive a grata notícia de que o casal de chefes havia voltado para o lugar de onde nunca deveria ter saído. E fui convidado para desfrutar dos novos tempos com um jantar em que Paolo apresentou suas obras, em incontáveis porções.

Maestria sem firulas
Todos os pratos que passaram por nossa mesa eram marítimos, a grande especialidade do chefe. A técnica com que Paolo domina os frutos do mar é inigualável e, com isso, ele pode se dar ao luxo de praticar uma cozinha de raiz, sem nada de firulas. Não há espumas, fingimentos, flores comestíveis ou outras coisas que parecem estar na moda nas mesas cariocas. É o sabor pelo sabor e a apresentação dos pratos mostra apenas o que ele verdadeiramente é, como se fosse uma tradicional trattoria italiana. Enfeites? Apenas úteis fatias de limão...

Foram 9 pratos diferentes - em porções de degustação, é claro! - que apresentaram um painel do que de melhor há por lá. Começamos com o Arancini de lulas e ervilhas que é imperdível, crocante por fora e cremoso por dentro.

Cheia de orgulho, Conceição apresentou o Ceviche peruano com salmão e linguado, assinado por ela própria, como resultado de uma recente viagem à terra dos Incas. Delicado como poucos ceviches conseguem ser, foi a única cunha sul-americana numa casa totalmente italiana.

As Ostras gratinadas com ervas finas ultrapassavam os limites de serem deliciosas e se posicionavam como sublimes. Aliás, vale a pena contar que Paolo e Conceição, para comemorar a volta ao Margutta, estão oferecendo um Festival de Ostras com quase 20 pratos centrados nesses moluscos.

De entusiasmar também foram os Nhoques com camarão, açafrão e aspargos frescos, macios, cremosos, em uma combinação campeã. Simplesmente maravilhosos!

O monopólio dos vinhos
A carta de vinhos é bem interessante, muito embora seja - na prática - território de uma importadora só, a Decanter. Mas Conceição contou-me que muito em breve outra importadora passará a ser também fornecedora.

Como era de se esperar, os vinhos da Itália são dominantes, muito embora os principais países produtores estejam presentes. A grande e injustificável ausência é justamente o Brasil, que comparece - só para dizer que tem - com apenas dois espumantes da Chandon. É muito pouco... Até mesmo a própria Decanter tem excelentes rótulos brasileiros para oferecer.

Em relação aos preços, os vinhos em garrafa inteira custam a partir de 76 reais. Mas dos cerca de 90 rótulos, apenas 23% custam menos do que 100 reais.

Oscar Daudt
29/09/2014


Serviço
Margutta
Av. Henrique Dumont,62
Ipanema - Rio de Janeiro
Fone: (21)2259-3718
O cardápio do jantar
Pizza branca com queijo Arancini de lula e ervilhas Ceviche peruano de salmão e linguado
Ostras gratinadas com ervas finas Camarão à Lu Lacerda Lulas e camarões
Nhoque com camarão, açafrão e aspargos frescos Polvo com batatas Macarrão com vôngole
Vermelho ao forno à Neroni Torta Pastiera
Os vinhos
Dettori Bianco Badde Nigolosu IGT Romangia 2010 Caliterra Tributo Syrah Single Vineyard 2011
O Margutta
A sobriedade elegante do restaurante continua a mesma A preparação da foto dos Neroni
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