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Itália

Ousadia é a palavra
Encontrar dentro de uma taça as pérolas brilhantes do melhor vinho espumante é sempre uma emoção sem par. Todos conhecem a fama e a notoriedade do Champanhe, esse espumante feito no norte da França, sempre presente nos momentos de festa. O que talvez poucas pessoas conheçam são as várias declinações desse vinho, especialmente aquelas que empregam castas indígenas que fogem do padrão Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay.

Essa foi a boa desculpa para não perder a degustação vertical dos espumantes da zona de CUSTOZA (Verona, Itália) dos irmãos Andrea e Antonio Menegotti. Juntamente com o tio Vittorino, eles produzem espumantes "millesimes" feitos com as castas Chardonnay e Corvina. A Corvina é a uva tinta mais cobiçada da Valpolicella, responsável por fascinantes Amarones. Imaginá-la em versão espumante requer muita fantasia e ousadia.

Mas a Cantina Menegotti, em Villafranca, é exatamente assim: ousada. A terceira geração da família impulsionou ainda mais esse estilo.

Com somente 30 hectares, a casa produz 230 mil garrafas por ano. Numa coletiva para a imprensa, eles apresentaram uma bela vertical do espumante "assemblage" de 1998 até 2008, comentada por Giampaolo Giacobbo e Costantino Gabardi.

Destes, a safra 2004 foi algo de exotérico de tão maravilhoso: linda cor amarelo-ouro, aromas de levedura, abacaxi em calda, papaia, mel de flor de laranjeira, enorme sensação mineral como os rochedos molhados pela água do mar, pimenta branca... E no paladar, leve salgado, longo, completo, ótima persistência e intensidade.

Devagar, devagarinho...
Depois dessa experiência, entendi perfeitamente a frase dita por Vittorino: "quando você faz vinho, você nunca sabe o que vai encontrar naquela safra; tem que ter paciência e proceder devagar, SLOW".

O evento culminou com a apresentação do projeto mais arrojado: o primeiro espumante "millesime" Pas Dosé, com 60 meses de repouso sobre as leveduras, feito totalmente com Corvina! Assim que servido, o vinho demonstrou uma grande jovialidade em sua cor ainda amarelo-palha brilhante. Um buquê floral riquíssimo completado com notas de bergamotas, pêras, notas verdes frescas e tostado. Bom equilíbrio mineral. A sensação cítrica no paladar deixa a entender que talvez seja ainda muito jovem.

E já ficou marcado um encontro para daqui a um ano a fim de observar a sua evolução.

Ada Regina Freire é carioca, radicada no Friuli, sommelière formada pela AIS, comissária da Câmara de Comércio de Udine para as DOCs, membro do Grupo de Análise Sensorial da Universidade de Udine e Coordenadora dos vinhos do Piemonte para o Guia Vini Buoni D'Italia
07/07/2015
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