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Análises de preços
I - Introdução

De 2007 a 2014 (com exceção de 2013), o EnoEventos publicou anualmente a Comparação das Importadoras, apontando quais as mais baratas e quais aquelas que se deve evitar quando se busca a valorização de nosso dinheiro ao comprar vinhos.

Esta é, portanto, a 8ª edição, na qual analisamos os preços praticados pelas importadoras brasileiras de vinhos, por meio de uma metodologia desenvolvida pela EnoEventos.

Nesta nova edição, pesquisamos as 21 importadoras mais importantes que divulgam seus preço pela Internet. Mas como a Zahil possui preços diferentes para Rio e São Paulo, ela aparece classificada duas vezes em nossa tabela, que conta então com 22 linhas. Foram 357 os vinhos conferidos, com um total de 1.351 cotações encontradas no mercado americano. E esses números não refletem todo o trabalho envolvido: muitas outras importadoras foram analisadas sem que conseguíssemos qualificá-las para nossa análise. Muitos mais vinhos foram pesquisados e não encontrados. Foi realmente um trabalho estafante, mas a recompensa vale todo o esforço.

A tabela desta edição é atípica, visto que o dólar teve uma alta descontrolada nos últimos meses - e, principalmente, nas últimas semanas. Quando o levantamento foi realizado, em 2014, o dólar custava R$2,264 e agora, em 2015, a cotação pulou para R$3.882, o que significa um aumento 71%.

Todas as importadoras - sem exceção - apresentaram um queda significativa em seus Índices de Divergência (ID). Na média, a queda dos ID's foi superior a 50%. Mas isso, infelizmente, não significa que houve um surto generalizado de bondade para com os consumidores. O mais provável que tenha acontecido é que a velocidade do aumento da moeda americana foi tão estapafúrdia que as importadoras não conseguem refletí-la em suas tabelas de preços.

Temos 4 novidades na classificação. A nossa EnoEventos e a mineira Casa do Vinho estreiam com o pé direito e ocupam, respectivamente, a 2ª e a 4ª colocações na tabela. Já as outras duas, a Viníssimo e a Vin d'Ame, não fizeram um bonito papel e estão posicionadas, respectivamente, na penúltima e na última classificações.

Aproveitem bem os resultados e façam compras mais conscientes. É a única arma à disposição dos consumidores. Mais uma vez eu falo: acredito que essa seja a melhor contribuição que a EnoEventos pode prestar ao mercado brasileiro de vinhos, em busca de preços cada vez mais honestos.

Oscar Daudt
18/09/2015
II - Classificação das Importadoras

A 8ª edição da classificação
A tabela abaixo apresenta a classificação das importadoras, em ordem da mais barata para a mais cara, segundo o Índice de Divergência apurado nesta análise. Para cada importadora são apresentados os seguintes dados:

  • Classificação em 2015
  • Nome da importadora
  • Índice de Divergência de 2015
  • Índice de Divergência de 2014

    Como interpretar o Índice de Divergência
    O Índice de Divergência significa a diferença percentual entre o preço cobrado pela importadora e a média dos 5 menores preços encontrados no mercado americano para esse mesmo vinho, de mesma safra. Se o vinho custasse aqui no Brasil o mesmo que custa nos Estados Unidos, o Índice seria de 0%.

    Nesta edição, o Índice varia de 6,8% para a Cellar, até 176,1% para a Vin d'Ame. Isso quer dizer que, teoricamente, se um vinho custasse US$100 nos Estados Unidos, seria vendido pelo equivalente a US$106,80 na Cellar, enquanto que custaria, provavelmente, o equivalente a US$276,10 na Vin d'Ame!


  • III - Análise da classificação

    Segmentação das importadoras
    De acordo com os Índices de Divergência, podemos dividir as importadoras em 3 categorias:

  • preços baixos: de 0-50
  • preços médios: de 51-100
  • preços altos: de 101-200

    As importadoras de preços baixos
    Apenas três importadoras foram classificadas nesta virtuosa categoria:

    Cellar
    Participante de todas as edições de nosso Comparativo, a importadora de Amauri de Faria sempre ocupou colocações invejáveis em nossa tabela. Este ano ocupa a primeira colocação com o Índice de 6,8%. A importadora oferece rótulos fantásticos de apenas dois países: Itália e França. É uma verdadeira festa para os muitos apreciadores do Velho Mundo.

    EnoEventos
    Na cola da Cellar, ocupando um honroso 2º lugar, aparece a EnoEventos, com um índice de 8,6%, o que nos enche de alegria e nos motiva a continuar a oferecer excelentes rótulos por preços honestos. Apesar de um índice marginalmente acima do da Cellar, nossa importadora oferece muitas vantagens sobre a concorrente, como comércio eletrônico, sem limite mínimo de valor ou de garrafas, pagamento em cartão (com até 3 vezes sem juros) e, para Brasília e a maioria das capitais do Sul e do Sudeste, entrega em até 24 horas (prazo alcançado em 90% dos envios).

    Delacroix
    Essa é uma pequena importadora de São Paulo especializada em vinhos franceses. Diversas joias desconhecidas podem ser por lá encontradas.

    As importadoras de preços médios
    Das 22 importadoras classificadas, 11 delas estão concentradas neste segmento, onde se encontram a maioria de vinhos disponíveis em nosso mercado. Vale a pena salientar:

    Casa do Vinho
    Esta estreante importadora de Belo Horizonte ocupou a 4ª colocação, desbancando muita gente boa. Possui uma carteira diversificada, porém concentrada em vinhos italianos.

    As demais importadoras classificadas nesta faixa foram, pela ordem: Casa Flora, Decanter, Qualimpor, Grand Cru, Nova Fazendinha, Taste-vin, Mistral, Península, Vinci e Zahil-SP.

    As importadoras de preços altos
    Com um Índice de Divergência calculado entre 101 e 200, esta categoria é composta pelas seguintes importadoras, também apresentadas pela ordem: Interfood, World Wine, Winebrands, Vinos y Vinos, Zahil-RJ, Ravin, Viníssimo e Vin d'Ame.
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    IV - Inclusões e exclusões

    Diversas importadoras ficaram de fora da classificação. O principal motivo é a não divulgação de seus preços pela Internet, numa inaceitável sonegação de dados a seus consumidores. Com isso, nomes importantes de nosso mercado não puderam ser comparados.

    Outro motivo para as ausências é não termos encontrado um número mínimo de cotações (15) de seus vinhos no mercado americano. Normalmente, são pequenas importadoras, com uma discreta carteira de vinhos que não chegam aos Estados Unidos.

    Duas baixas importantes aconteceram de 2014 para 2015. A Porto Mediterrâneo, de Santa Catarina, fechou suas portas; quanto à paulista Vinea, não sei o que está acontecendo, mas sua página Internet estava inoperante no período da pesquisa.
     
    V - Metodologia

    A metodologia utilizada neste novo levantamento de dados contempla os seguintes princípios:

  • no levantamento dos preços praticados pelas importadoras, utilizamos a preço mais baixo oferecido ao consumidor; isso é uma modificação em relação à edição anterior, que só considerava os preços de lista;

  • a comparação sempre considerou vinhos de mesma safra, em nosso mercado e no mercado americano, a fim de evitar as variações de preço que algumas vezes ocorrem de um ano para outro;

  • nesta pesquisa o objetivo foi de conseguir comparar 20 vinhos para cada importadora, a fim de oferecer maior confiabilidade ao índice calculado; nem sempre conseguimos encontrar essa quantidade de vinhos no mercado americano;

  • para cada vinho comparado, foram consideradas as cinco mais baixas cotações encontradas nos Estados Unidos e calculada a média; no entanto, nem sempre foi possível encontrar essa quantidade;

  • os preços do mercado americano foram sempre obtidos por consulta ao site Wine-Searcher;

  • a fim de dar maior transparência à composição do índice, publicamos, para cada importadora, a quantidade total de cotações obtidas; o máximo teórico de cotações seria de 100 (20 vinhos * 5 cotações); para nenhuma importadora esse máximo foi alcançado;

  • por outro lado, estabelecemos uma quantidade mínima de 15 cotações no mercado americano, a fim de que a importadora pudesse ser considerada em nossa análise; de qualquer forma, é bom ter presente que quanto maior a quantidade de cotações encontradas, mais confiável é o Índice calculado para uma determinada importadora;

  • não foram nunca considerados vinhos americanos ou brasileiros, já que o método básico da análise é comparar vinhos importados, aqui e lá;

  • em relação aos parceiros e associados do Mercosul, procuramos incluir, para cada importadora, no máximo 4 vinhos provenientes de desses países, já que esses gozam de vantagens alfandegárias em relação aos vinhos oriundos dos demais países e a inclusão de menos ou mais vinhos dessas nacionalidade poderia distorcer o resultado final; no entanto, nem sempre isso foi possível, eis que determinadas importadoras são especializadas em vinhos espanhóis ou franceses ou italianos;

  • como os preços obtidos no Wine-Searcher não incluem o imposto, acrescentamos à cotação o imposto médio americano de 6,5%;

  • a taxa de câmbio considerada para a transformação dos preços em reais para preços em dólares foi de R$3,882, vigente em no dia 18/09/2015.

    OBSERVAÇÃO: quando da edição de 2014, recebi algumas críticas em relação ao preço dos vinhos pesquisados, a maioria custando acima de R$100 aqui no Brasil, enquanto que os vinhos mais consumidos estão abaixo deste limite. Não é uma opção que eu tenha feito. O fato é que é difícil encontrar, no mercado americano, a maioria dos vinhos que custam abaixo de 100 reais aqui em nosso país.
  • VI - Fontes dos Dados
    Todas as informações sobre os preços dos vinhos no Brasil foram obtidos nas páginas Internet das próprias importadoras ou de suas lojas associadas.

    Um caso especial é o da Casa Flora que não informa seus preços em sua página. No entanto, há uma loja virtual - a WineStore - que não tem vínculos formais com a importadora, mas é especializada em sua carteira de vinhos. Abrimos, portanto, uma exceção para esta inclusão indireta, principalmente porque seus preços são bastante tentadores.
    VII - Reprodução dos resultados
    Este é um estudo de utilidade pública da EnoEventos. Todos os que quiserem reproduzir, total ou parcialmente, os resultados da análise, podem e devem fazê-lo sem a necessidade de autorização prévia. Quantos mais enófilos tomarem conhecimento de nossa análise, melhor...

    Solicitamos, apenas, que a fonte seja citada.
    VIII - Considerações finais
    Para aqueles que tiverem curiosidade de conferir os dados que foram analisados para a determinação do Índice de Divergência, a planilha utilizada para a compilação de preços e cálculo do índice pode ser obtida clicando aqui.

    E, finalmente, lembramos que esta análise tem como objetivo orientar os enófilos brasileiros em suas opções de compra. Para a elaboração da mesma, não foram empregados métodos estatísticos rigorosos e, portanto, o Índice calculado significa, unicamente, aquilo a que se propõe: a divergência de preços dos vinhos selecionados frente à cotação obtida no mercado americano.
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    EnoEventos - Oscar Daudt - (21)99636-8643 - odaudt@enoeventos.com.br