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Argentina
A EnoEventos iniciou uma parceria, por intermédio da Importadora Asa Gourmet, com os vinhos Penedo Borges, que passam a fazer parte da carteira de nossa loja. Esses vinhos são elaborados em Mendoza, sob o comando de Euclides Penedo Borges, ex-presidente e atual diretor da ABS-Rio. São vinhos feitos por quem conhece o mercado brasileiro.

E para comemorar a parceria, Euclides nos oferece uma matéria que conta a história daquela região e as influências estrangeiras que levaram ao grande sucesso que a Argentina desfruta no mercado internacional.

A capital argentina do vinho
A região de Mendoza, no oeste da Argentina, ao pé da Cordilheira dos Andes, é um deserto com pouquíssima chuva. A água disponível vem do degelo da neve que forma rios e alimenta o lençol freático, de onde pode ser bombeada.

Além da natural vocação da área para o cultivo de uvas – terrenos pouco férteis com ótima permeabilidade, excelente insolação, temperaturas elevadas no verão com pouca chuva - alguns fatos históricos se encarregaram de fixar as áreas em torno de Mendoza como a região vinícola por excelência na Argentina.

Dois desses fatos envolveram a Itália.

O primeiro foi a contratação do Engenheiro Cesare Cipoletti para desenvolver o sistema de irrigação dos solos mendocinos, estéreis e secos, a partir das águas do degelo, antes carreadas de forma rudimentar pelos indígenas locais. O dique Cipoletti, atração turística de Luján de Cuyo, testemunha a ação do engenheiro que mereceu uma estátua no local, ao lado do seu teodolito.

O segundo foi a chegada de imigrantes italianos, muitos deles com conhecimento de vinicultura. Conta-se que o governo pagava aos imigrantes uma pequena quantia para que se fixassem no local. A conseqüência no início foi a superprodução de vinhos populares.

Despertando para a qualidade
A produção e o consumo de vinho na Argentina atingiu níveis elevados na primeira metade do século XX e até os anos 1970, mas a maioria era de vinhos sem condições de entrar no mercado mundial. Isso não era problema, tendo em vista o elevado consumo local.

Como em quase todo Novo Mundo, a Argentina acordou para a qualidade nos anos 1980, quando foram modernizadas bodegas de primeira classe como Catena, Norton, Lagarde, Weinert, Trapiche, Finca Flichman, etc...

Dessa forma, o país se tornaria uma das grandes potências vinícolas do mundo nos anos 1990, quando trocou os grandes volumes voltados para o mercado interno por uma produção menor, de alta qualidade, dirigida ao mercado externo. E o fez com tanto sucesso que conseguiu, em pouco tempo, menos de vinte anos, importante nicho no mercado mundial de vinhos.

Em Mendoza a casta Malbec, originária da França, encontrou seu habitat ideal e tornou-se a uva emblemática da Argentina. Mas a qualidade da Cabernet Sauvignon e da Syrah na região é também superlativa.

A influência estrangeira
A presença estrangeira na produção vitivinícola mendocina, a partir de 1990, foi decisiva para a melhoria.

Embora a província de Mendoza disponha de enorme área de vinhedos e seja importante produtora de viníferas, ainda existe por ali grande quantidade de terrenos aptos para o cultivo, ainda não utilizados. Apesar dessa disponibilidade, os preços dos terrenos em dólares por hectare tem subido gradualmente e a razão para isso tem sido a instalação de empresas estrangeiras ao lado das argentinas tradicionais.

Os franceses da Moët Chandon deram a partida, há mais tempo, com a produção de espumantes no local e sua presença na Terrazas de Los Andes. Mais tarde desenvolveram o projeto Clos de los Siete com nomes da aristocracia industrial francesa, como Dassault e Rothschild, sob a coordenação de Michel Rolland. Também a família D’Aulan ali se instalou com a Bodega Alta Vista. Outras francesas são a Fabre Montmayou e a Lurton.

A Espanha faz-se representar pela Bodega Séptima, do Grupo Codorniú, e pela O. Fournier, em La Consulta. Os portugueses da Sogrape fincaram pé em Barrancas, adquirindo a tradicional Finca Flichman. Os austríacos dos cristais Swarowsky detém as ações da Bodega Norton.

Os italianos Alberto Antonini e Roberto Cipresso têm interesses respectivamente em Altos Las Hormigas e na Achaval Ferrer, esta sempre constando da lista dos melhores vinhos do mundo da revista Wine Spectator.

O Brasil comparece com a Otaviano Bodega y Viñedos, dos vinhos Penedo Borges, um projeto de 5 brasileiros em Luján de Cuyo, em terreno de 70 hectares, dos quais 48 plantados com Malbec, Cabernet Sauvignon, Syrah, Chardonnay e Sauvignon Blanc, além de pequenos cultivos de Petit Verdot e Cabernet Franc.

Não tenho a pretensão de ter feito uma lista completa. O que eu gostaria de salientar é que boa parte dos consumidores de vinhos argentinos de rótulos como Norton, Terrazas, O. Fournier, Penedo Borges, etc. talvez não saiba que Mendoza, alem de orgulho argentino na elaboração de vinhos de qualidade, inclui uma comunidade que congrega europeus de França, Itália, Espanha, Portugal, Áustria, bem como sul-americanos do Brasil e do Chile, em uma única província do Cone Sul.

Euclides Penedo Borges
22/07/2015
Os vinhos da parceria
Penedo Borges Reserva Malbec 2013
R$74,90

Penedo Borges Reserva Cabernet Sauvignon 2012
R$74,90

Penedo Borges Gran Reserva Malbec 2011
R$104,90

Penedo Borges Icono Malbec 2012
R$190,00

 
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