A história se repete
É inegável o aspecto transformador ocasionado pelo quase quarentão Desafio de Paris no mundo do vinho. Pelos depoimentos do seu criador, Steven Spurrier, as expectativas foram bem diferentes dos resultados práticos.

Pois não é que os vinhos californianos venceram de novo na semana passada? Como parte das atividades do Vamos ao Planalto 2015, evento anual do Fórum Enológico, da saudosa Academia do Vinho, o Desafio de Pirenópolis reuniu cerca de 30 enófilos que provaram 12 rótulos em 3 baterias às cegas(1).

Dentre os rótulos provados, os coordenadores da atividade, Humberto Cárcamo e Eduardo Amaral, malandramente incluíram 2 italianos para apimentar o exame.

As baterias
1ª Bateria: vinhos brancos
  • Chauvot Labaume Pouilly-Fuissé Le Clos 2013
  • Hess Collection Su'skol Chardonnay 2009
  • La Crema Chardonnay Monterrey 2012

    2ª Bateria: predominância de Merlot
  • Chateau Villemaurine 2009 (Saint Emilion)
  • Stag's Leap Wine Cellars Merlot Napa Valley 2010
  • Marchesi Incisa Della Rochetta Colpo D'Ala 2009 – Monferrato
  • Fleur Cardinale 2009 (Saint Emilion)
  • Chateau La Grâce Dieu 2009 (Saint Emilion)

    3ª Bateria: predominância de Cabernet
  • Arcanum 2009 (Toscana)
  • Verité La Joie 2012 (Alexander Valley)
  • Hess Collection Cabernet Sauv. Mount Veeder 19 Block Cuvée 2008
  • Chateau Prieuré Lichine 2009 (Quatrième Grand Cru Classé - Médoc - Margaux)

    E os resultados foram...
    Passados quase 40 anos desde o histórico evento parisiense e as suas inúmeras reedições mundo afora(2), uma vitória do Novo Mundo não deveria surpreender. No entanto, nenhum dos presentes esperava que os californianos fossem os preferidos nos 3 rounds!

    A forma de avaliação adotada era muito simples: cada degustador concedia 1 ponto para o melhor vinho da bateria em sua opinião, 2 pontos para o segundo melhor, e assim sucessivamente, de modo que o vencedor de cada bateria era o vinho com o menor número de pontos.

    Adicionalmente, foi pedido que o degustador estipulasse o país de origem do vinho.

    Se na 1ª bateria, a comparação foi prejudicada pela nítida diferença de estilos entre os californianos e o belo Pouilly-Fuissé (sem passagem em madeira), o painel seguinte trouxe um empate técnico entre o Napalino e a obra do enfant terrible Jean-Luc Thunevin. Como o californiano teve muito mais votos como o melhor do painel, decidimos sufragá-lo campeão da rodada.

    Encerrando a animada degustação, foram servidos 4 vinhos de exceção, com destaque para o especialíssimo e raro Verité La Joie, vinícola detentora de vários vinhos perfeitos, segundo Robert Parker. Novamente, domínio total dos californianos frente a um grande Margaux cheio de pedigree e um super-toscano com predominância de Cabernet Franc que amealhou fanáticos no corpo de degustadores.

    A tabela abaixo resume as pontuações computadas:



    Esse painel só foi possível graças ao apoio da Casa Flora, Porto a Porto, Decanter, Winebrands e Jackson Family Wines, que disponibilizaram seus rótulos sem custo. O Vamos à Montanha 2016 ocorrerá em terras gaúchas. Até breve!

    Notas:
    (1) Os degustadores sabiam quais vinhos estavam sendo provados e tiveram acesso às fichas técnicas em cada etapa da prova.
    (2) Em 2006, como parte das comemorações dos 30 anos da degustação histórica, uma nova prova foi realizada simultaneamente em Londres e na Califórnia com os vinhos tintos e safras do painel original.

    Eduardo Amaral é enófilo
    09/08/2015
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