Orgulho ferido
Muito mais do que a desastrada mentira do nadador Ryan Lochte, a agressão norte-americana que mais ofendeu os cariocas foi a antipática matéria do jornalista David Segal, do New York Times, falando mal de um dos patrimônios gastronômicos de nossas praias.

Numa reportagem enviesada e com ululante falta de pesquisa, o jornalista bobão atacou nada menos do que nosso Biscoito Globo, o indiscutível ícone das areias cariocas, que há 50 anos é a preferência de 10 entre 10 banhistas. E, de quebra, desancou a gastronomia do Rio de Janeiro como um todo, classificando-a como "meh" (um adjetivo depreciativo que quer dizer "não interessa", "sem importância" ou algo assim).

Faltou ao autor da matéria olhar para o próprio rabo. Por toda a Nova Iorque encontra-se os incompreensíveis "pretzels", biscoitos duros, secos e muito sem graça. Mas nunca vi nenhum jornalista perdendo tempo a falar mal deles, em respeito às tradições daquela cidade.

Assim como no Rio de Janeiro, em Nova Iorque se come muito bem! E também se come muito mal... Tudo depende das escolhas, tanto numa cidade como na outra. Em determinada passagem, o reporter ataca os restaurantes a quilo, como se em sua cidade não houvesse um restaurante desse tipo a cada esquina.

Mas há males que vêm para bem. E enquanto a população da cidade se indignava que a agressão gratuita, os proprietários da fábrica de biscoitos riam de orelha a orelha, já que seu produto foi transformado em uma dos assuntos mais comentados durante as Olimpíadas.

Como harmonizar?
Como minha preferência é pela versão salgado do Biscoito Globo, vou me limitar a sugerir uma harmonização para ele. E esse biscoito é sinônimo de alegria e ilustra com clareza o jeito descontraído do carioca, principalmente quando está pegando um sol na praia. Nada melhor do que devorar um pacote inteiro e depois partir para um mergulho para se livrar dos farelos que tomam conta de você e da cadeira.

A mais óbvia escolha, portanto, deve ser um espumante brut branco, bem gelado e bem brasileiro, que vai completar o clima de festa, clima esse que o desafinado jornalista não conseguiu perceber.

Outra opção, continuando no clima de descontração, é acompanhar a crocância do querido biscoito com a estrutura, o frescor e as usuais notas de castanha-do-Pará de um bom Pinot Grigio italiano. É uma harmonização campeã, para curtir a vida adoidado!

Oscar Daudt
04/09/2016
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