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No Vale dos Vinhedos
Passeando pelo Vale dos Vinhedos, nas mais de 30 vinícolas localizadas nesse roteiro enoturístico, o visitante se depara com vinícolas de pequeno e de grande porte, com filosofias e objetivos diferentes umas das outras. Isso sem falar do tratamento e do atendimento aos visitantes... onde as pequenas vinícolas encantam com suas particularidades e com a atenção dada ao seu principal cliente, o consumidor final.

Foi em busca dessa sensação que fiz uma visita aos Vinhos Larentis, com o objetivo de conhecer e ouvir um pouco da história dessa vinícola tradicional no que se refere ao modo de elaboração de vinhos e nos costumes de uma família italiana. Com horário agendado, fui recebida por André Larentis, um dos enólogos que integra a equipe composta, sobretudo, por pessoas da família.

A tradição
A família Larentis, emigrada dos Alpes italianos em 1876, chegou ao Brasil e estabeleceu-se na Linha Leopoldina, atual Vale dos Vinhedos, onde três gerações consolidaram a vocação pela vitivinicultura sempre presente na família. Do plantio à colheita, da elaboração à comercialização, todo processo é desempenhado pela própria família, uma rotina que se iniciou em 2001, quando a produção deixou de ser artesanal e passou a priorizar a elaboração de vinhos finos. Quem visita a vinícola hoje, depara-se com os membros da família desempenhando diversas funções, especialmente no atendimento acolhedor que é prestado no varejo.

Todos, sem exceção - pais, filhos, netos e irmãos -, emprestaram seu tempo e suas habilidades para criar uma vinícola com jeito familiar. Quem visita a Vinhos Larentis tem a experiência de conhecer na prática um dia de trabalho de uma família que mora no Vale dos Vinhedos e vive da elaboração de vinhos.

Os cuidados com as uvas e sua elaboração
Com uma estrutura de tanques de aço inox, barris de carvalho norte-americano e equipamentos modernos, a Larentis se dedica à produção de vinhos finos com a identidade do Vale dos Vinhedos. Seus vinhedos próprios são cultivados em sistema espaldeira e o manejo recebe atenção especial através da seleção manual de cachos, limitando sua produção em busca de qualidade. Com 18 hectares de vinhedos e uma capacidade de 100 mil litros, a vinícola produz atualmente 80 mil litros por ano.

Sua linha de vinhos é diferenciada em:

  • Varietal: onde são comercializados Chardonnay, Pinotage, Cabernet Sauvignon e Merlot, que permanecem engarrafados na cave por no mínimo 6 meses; todos os varietais comercializados atualmente no varejo são da safra 2008, por R$ 15,00 a garrafa;

  • Reserva Especial: são os vinhos elaborados nas melhores safras (até agora, safras de 2002, 2004, 2005 e 2008). Contemplando as melhores uvas e a melhor exposição solar, dá origem a vinhos com boa estrutura, que descansam na cave por no mínimo um ano. Estão à venda no varejo Cabernet Sauvignon e Merlot safras 2005, Ancellotta e Marselan safras 2008. Vinhos vendidos por R$ 30,00;

  • Gran Reserva: Mérito é o primeiro assemblage da vinícola, em comemoração aos 10 anos da empresa, com um lote de apenas mil garrafas. Um vinho único, exclusivo, elaborado a partir da união perfeita de quatro variedades viníferas (60% Merlot, 20% Cabernet Sauvignon, 10% Ancellotta e 10% Marselan). A escolha das variedades levou em conta dois fatores: o primeiro, a qualidade da matéria-prima e o segundo, a sugestão dos quatro sócios fundadores: o patriarca Cilo Larentis e os seus filhos Olivar, Larri e Celso. Cada um indicou uma das uvas. Coube ao enólogo responsável, Aldérico Sassi, capturar o melhor de cada variedade e buscar na união entre elas o melhor resultado. O vinho passou por envelhecimento em barricas de carvalho norte-americano durante 10 meses e descansou na cave de envelhecimento por 18 meses. O cuidado empregado na produção limitada resultou em um vinho para colecionadores, um vinho de guarda e complexo, com potencial de evolução na garrafa. Safra 2008, R$ 63,00.

  • Espumantes: são elaborados o Brut (100% Chardonnay) e o Moscatel, ambos pelo processo Charmat.

  • Vigna D'Oro: acondicionados em bag-in-box, disponível nos varietais tintos Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinotage e o branco Chardonay, vinhos de excelente custo-benefício e qualidade, para consumo diário.

    Minha surpresa foi em relação à Pinotage. É uma casta originária da África do Sul que exige muitos cuidados, pois é bastante suscetível a pragas. Da mesma família da Pinot Noir e da Gamay, a Pinotage produz um vinho leve, porém selvagem, com aromas de frutas silvestres. Este varietal é um diferencial da Vinhos Larentis, que também é comercializado no bag-in-box de 4 litros por R$ 29,00.

    Na ocasião, André me oportunizou a degustação do Pinotage safra 2011 que ainda está no tanque de fermentação e deve ser vendido jovem, no início do ano que vem. Segundo os planos da família, a partir desta safra, este varietal será comercializado somente engarrafado e não mais no bag-in-box devido à pouca produção. Acabei comprando uma garrafa da safra 2008 para degustar com calma, em casa, e nem fiz hora de colocar na adega. Abri a garrafa na primeira oportunidade que tive e me encantei com seus aromas.

    Além do Pinotage, a Larentis está obtendo bons resultados com Ancellota e Marselan. Os planos para o futuro da vinícola envolvem teste com outras três variedades de uvas tintas, a expansão estrutural da vinícola, elaboração de espumante pelo método Champenoise e um novo espaço para receber os turistas. A vinícola possui também espaço para organização de eventos para grupos fechados e a possibilidade de o consumidor ter um vinho personalizado, com um rótulo comemorativo.

    Nas palavras do sucessor do negócio, André, a filosofia da Larentis é "manter a pequena produção até o ponto em que nós mesmos consigamos cultivar as videiras e ter o controle de todo o processo; este é o grande diferencial, onde se acompanha desde o plantio da muda, até a relação pessoal com o consumidor. Para a evolução do negócio e o aprimoramento contínuo do vinho e de sua qualidade isto é primordial", afirma André com muito orgulho do trabalho e dos resultados obtidos.

    Em poucas palavras
    Vinhos Larentis: um legado familiar na elaboração de vinhos finos com qualidade superior e em pequenos lotes.

    Não deixem de conhecer o Pinotage e o Cabernet Sauvignon, este que é o vinho mais vendido na vinícola.

    Como adquirir os vinhos? No próprio varejo, em casas especializadas e alguns restaurantes da região.

    Serviço:
    Entrega de vinhos para todo o Brasil pelo site: www.larentis.com.br
    Telefone de contato: (54)3453-6469
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    Imagens
    Três gerações da família Larentis vivem do cultivo da uva e elaboração de vinhos finos
    (foto de Janquiel Mesturini)
    Vinhedos em tempo de vindima
    (foto de André Larentis)
    Comentários
    Tito Villar
    Medico, enófilo
    Rio de Janeiro
    RJ
    05/09/2011 Joyce, parabéns por divulgar quem está fazendo bonito em nossas terras. Sou fã do trabalho que a Larentis vem realizando há algum tempo e com uvas de tipicidade bem diferentes, com que não estamos acostumados e preços bem atraentes. É uma das minhas visitas obrigatórias quando estou no Vale.

    Tenho toda a linha deles na minha adega e a qualidade surpreende aos desavisados. O Mérito estou aguardando um pouco para abrir.

    Quanto aos preços, a queixa dos consumidores brasileiros é que o vinho nacional é muito caro. Sinceramente não entendo, paga-se até 4 vezes mais por um vinho importado desta categoria.

    Uma outra sugestão de uma vinícola bem simples, porém que surpreendeu, é a Calza do Antoninho, um pouco a frente, em Monte Belo. O seu Sangiovese é excelente e o seu Cabernet Sauvignon (Ouro negro, 12,8% 2008) não passa por barrica e surpreendeu em uma degustação às cegas em Brasília, realizada por 12 sommeliers profissionais a pedido do Planalto. Hoje este vinho é um dos nacionais que fazem parte do cerimonial.

    Todos os produtores, apesar das dificuldades, estão melhorando muito, isto é fato. E a safra 2011 promete. Vamos em frente apoiando o que é nosso.

    Um grande abraço, Tito
    Sílvio Brandão Passos
    Economista
    Rio de Janeiro
    RJ
    05/09/2011 Conhecemos os vinhos Larentis quando iniciamos nossas "incursões" por vinhos tintos finos, antes mesmo de lermos textos mais especializados sobre o assunto. E sempre nos agradou (Merlot 2001). Imagino agora como deve ter melhorado, em face do esmero da família Larentis em aperfeiçoar a produção de sua empresa, em especial, na qualidade.

    Parabéns! Vamos provar os vinhos das safras mais recentes. Torcemos para que a Larentis colabore para o vinho tinto fino brasileiro ascender mais e mais no ranking internacional.

    Cordiais saudações.
    Josue Ferreira dos Santos
    Enófilo
    Rio de Janeiro
    RJ
    10/09/2011 Bela reportagem, excelente para divulgação de nossos vinhos. Onde encontro estas preciosidades aqui no Rio de Janeiro?

    Abraços
    Osvaldir Francisco Castro
    Professor Universitário e enófilo
    São José do Rio Preto
    SP
    10/09/2011 Acompanhamos o trabalho da Família Larentis há 10 anos. Através de visitas periódicas, vimos mantendo um verdadeiro relacionamento familiar. Os vinhos, frutos de um trabalho familiar de amor, são de excelente qualidade.

    Cumprimentos pela excelente matéria.
    Ednilson Zotelle
    Contador
    Nova Venécia
    ES
    10/09/2011 PARABENIZO A TODA FAMILIA LARENTIS, PELOS EXCELENTES VINHOS. SOU APRECIADOR DOS VINHOS LARENTIS HÁ ALGUNS ANOS, PELO BOM ATENDIMENTO, FACILIDADE DE COMPRAS E QUALIDADE DOS PRODUTOS.

    COM MÉTIRO, DEIXO ESTA MENSAGEM DE SUCESSO.
    Joice Lavandoski
    Colunista enoturismo
    Caxias do Sul
    RS
    13/09/2011 Caros apreciadores do vinho brasileiro: infelizmente concordo com o comentário de Sr. Tito na relação do preço do vinho nacional com o do importado..... lamentamos apenas.

    Sr. Josue, em relação a sua dúvida sobre o vinho Larentis no Estado do Rio de Janeiro, a vinícola faz entrega para esta região.

    Obrigada a todos pelos comentários.

    Até a próxima!
    EnoEventos - Oscar Daudt - (21)9636-8643 - odaudt@enoeventos.com.br