Retorna à página inicial
Comparação dos preços das importadoras brasileiras de vinhos
com os preços do mercado dos Estados Unidos
Que os consumidores brasileiros pagam bem mais do que os pobres consumidores americanos pelo mesmíssimo vinho importado, não é nenhuma novidade! O que eu não sabia - e acredito que a maioria dos nossos leitores também não - é quanto se paga a mais!

Para responder a essa pergunta, me dei ao trabalhão insano de comparar os preços praticados por algumas de nossas principais importadoras de vinhos com os preços encontrados no site Wine Searcher, que lista o valor cobrado pelas lojas virtuais americanas. Foram mais de 120 vinhos consultados!
Classif Importadora Divergência
preços Brasil
preços EUA
 
1 Cellar 50,4%  
2 Zona Sul 74,7%  
3 Mistral 111,2%  
4 Vinci 149,1%  
5 Reloco 159,8%  
6 Decanter 170,0%  
Eu considero essas informações como de utilidade pública e, portanto, compartilho-as com vocês! Assim todos poderemos saber onde nosso dinheiro pode ser melhor empregado!

Como metodologia, adotei os seguintes critérios:

  • escolhi as importadoras das quais tinha o preço disponível, seja por catálogo, seja pela Internet; foram 13 importadoras analisadas;
  • procurei levantar o preço de 10 vinhos de cada uma delas; de algumas, consegui encontrar apenas 8 ou 9 vinhos;
  • escolhi, sempre que possível, os vinhos de média para alta gama;
  • não considerei nenhum vinho dos Estados Unidos (já que queria comparar preços de vinhos importados nos dois países) e nem da França (pela dificuldade de identificar, perfeitamente, o vinho procurado);
  • para calcular o preço do mercado americano, fiz a média dos 3 menores valores encontrados no Wine Searcher; quando não havia 3 preços, fiz a média dos 2 menores valores; mas nunca utilizei um resultado com apenas 1 valor;
  • o preço do Wine Searcher não inclui os impostos, portanto acrescentei 6,5% (imposto nos EUA) ao preço médio americano;
  • só foram comparados vinhos iguais e de mesma safra;
  • para transformar o preço de reais para dólares, considerei a taxa de câmbio de R$1,77.

    Ao final, fiz uma classificação, por importadora, da diferença entre os preços aqui praticados com os preços praticados por lá. O resultado obtido me trouxe algumas confirmações e algumas gratas surpresas! Vejam a tabela ao lado!

    No topo virtuoso da classificação, desponta a Cellar, uma importadora focada em excelentes vinhos italianos, com a menor divergência de preços: 50% (isso significa que, se um vinho custasse 10 dólares nos EUA, custaria 15 dólares na importadora). Viva a Cellar! Os consumidores penhorados agradecem!

    Surpreendentemente, a Cellar desbancou até os Supermercados Zona Sul, 2° classificado na lista. Por trabalhar com vinhos de grandes volumes de vendas, era de se esperar que os preços do supermercado fossem mais próximos aos americanos. Nada disso! Gol de placa da Cellar!

    Em terceiro lugar vem a gigante Mistral, que com seu catálogo de preços em dólares e a violenta queda da moeda americana frente ao real, vai deixando na poeira as suas concorrentes! Inclusive, sua filha dileta, a Vinci, que se posicionou em quarto lugar na tabela!

    Já no extremo negro da classificação, temos um caso a parte. É a Terroir que, como política comercial, parece jogar os preços de lista na estratosfera e depois oferecer grandes "descontos" em suas promoções. Por esse motivo, a importadora aparece duas vezes na lista: uma com os preços com desconto e outra com os preços de lista. Vã tentativa: seus preços de lista são assustadoramente divergentes dos preços americanos, e mesmo considerando os "generosos" descontos promocionais, continuam na rabeira da classificação. Não resistindo ao trocadilho infame, os preços da Terroir são um terror! (Para determinar o preço da Terroir, utilizei um catálogo de ofertas que perdeu a validade em 11/08/2007, já que eu não tinha nenhuma edição mais recente. Não sei como estão os descontos neste momento.)

    Esquecendo-se os preços de lista artificiais da Terroir, a importadora com maior divergência com os preços americanos é a Enoteca Fasano. Os vinhos analisados custam, em média, inacreditáveis 290% acima do preço americano. De novo, esse número deve ser interpretado da seguinte forma: se um vinho custasse 100 dólares nos Estados Unidos, custaria 390 dólares na Fasano! É mole ou quer mais?

    É bom ressaltar que a análise não empregou as técnicas estatísticas adequadas e, portanto, não representa mais do que está explicitamente apresentado: o percentual médio de divergência dos preços cobrados no Brasil com os preços cobrados nos Estados Unidos apenas para os vinhos analisados.

    Oscar Daudt
  • 7 Grand Cru 194,9%  
    8 World Wine 209,5%  
    9 Zahil 223,7%  
    10 Expand 235,5%  
    11 Península 270,2%  
    12 Terroir (c/ descontos) 282,1%  
    13 Enoteca Fasano 290,2%  
    14 Terroir (preço de lista) 437,0%  
           
    Fora da metodologia
    (veja nota ao final da reportagem)
     
    - Vitis Vinifera 18,7%  
    - Cava de Vinhos 67,0%  
    - Qualimpor 142,7%  
           
    Quem tiver interesse em verificar os dados que embasaram essa análise, pode obter a planilha Excel clicando aqui.  
           
           
           
           
           
           
           
           
           
           
           
           
           
           
           
           
           
           
           
           
           
           
           
           
           
               
    Em 03/01/2008:

    Eu já imaginava que esse levantamento teria uma boa repercussão, mas nunca pensei que fosse tão grande quanto está sendo, tendo em vista a quantidade de mensagens de apoio recebidas, via forum, por e-mail ou por telefone!

    E o mais interessante foram as solicitações para inclusão de outras importadoras na análise, sendo dois dos pedidos feitos pelos próprios importadores, o que é um excelente sinal!

    Infelizmente, nenhuma das 3 importadoras que incluí atendiam aos critérios que estabeleci para a metodologia do estudo, seja por não encontrar o mínimo de 8 vinhos no Wine Searcher, seja por não encontrar a quantidade mínima de 2 cotações, seja por não constar a safra na tabela de preços.

    Portanto, decidi apresentar a divergência média das mesmas, sem incluí-las na classificação. Elas estão apresentadas como "Fora da metodologia".