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| Comentários |
Cláudio Lourenço Rio de Janeiro RJ |
14/07/2009 |
Agradável e rica esta entrevista. Agradeço. |
Agostinho Bernardino São Paulo SP |
15/07/2009 |
Uma rica entrevista onde o Marco expõe sua visão, as vezes particular e/ou polêmica, mas sempre com muita clareza. |
Carlos Machado Winemaker Teófilo Otoni MG |
15/07/2009 |
Oscar,
Como de costume, brilhante a entrevista!
Recentemente comprei duas garrafas do Prelúdio, e presenteei uma aos colegas winemakers Renato e Andréa (RJ); e agora aguardo pelo descanso necessário para degustá-lo. A expectativa é muito positiva!
Abraço, Carlão. |
Cláudio Lourenço Rio de Janeiro RJ |
15/07/2009 |
Caros,
Vejam o comentário do meu filho Henrique sobre a reportagem.
"... Li a entrevista e o artigo inteiro, muito maneroo mesmo! =]
Gostei quando ele fala: "caminhamos na mesma de direção de uma geração de crianças educadas a base de Fanta, que torce o nariz frente ao suco natural de laranja."
Muito sinistro isso... A pressão social em função de buscar só o lucro, consegue fazer com que os próprios formadores de opinião sobre vinho fiquem alienados sobre o assunto. E como ele disse são educados com base em vinhos padronizados.
Mas acho que está havendo um renascimento desses valores." |
Abilio Cardoso Jr Enófilo Brasília DF |
15/07/2009 |
Brilhante entrevista!
Após ver tanta paixão e respeito pelo vinho não resisti , acessei o site e fiz meu primeiro pedido para conferir essas preciosidades. |
José Paulo Schiffini Diretor de operações do ICBr + Armação de Búzios RJ |
15/07/2009 |
Carlos Teles entrevistando Marco Danielle, acho que esta reportagem, que para alguns pode parecer encomendada, é simplesmente o relato da verdade. Não há jogo de interesses no Enoeventos. Se houvesse eu relataria.
Carlos Teles, você teve sorte, conseguiu falar com ele mais tempo do que eu na Expovinis, e olha que abaixo reproduzo o que falei naquela ocasião:
"Fui um dos primeiros a incentivar e a estimular o Marco Danielle a produzir seus vinhos de autor, não o conhecia pessoalmente, passei no stand da Vinha Solo e lá estava ele rodeado de interessados, estava a Sonia e muita gente querendo conhecer seu vinho, um vinho diferente, elaborado por um enólogo autodidata, seguindo todas diretrizes de outro enólogo, simplesmente Emile Peynaud! Para alguns talvez este fato seja impossível de ser aceito... Enfim um artista multifacetado como o mundo moderno exige.
Falei pouco com ele, degustei o Prelúdio que estava na mesa e prometi voltar. Mas sempre que voltava o stand estava cheio, entendi que não seria nesta Expovinis que poderia tentar entender as razões da alma ebuliente deste artista... Ele me chama de grande agitador dos fóruns da Internet. Sinto me orgulhoso por este título, porque sou intelectualmente bastante insatisfeito com a falta de iniciativa mental que encontro nas Associações de classe ligadas ao Vinho. (Alô ABE, é com você, esta minha crítica).
Talvez seja um defeito meu de formação, tive que trabalhar por 18 anos tentando mostrar a pesquisadores, cientistas e professores brasileiros como era feita a Pesquisa, o Desenvolvimento, a Manufatura e a Educação nos anos cambiantes nos campos da Tecnologia de Informática durante os anos 70, 80 e 90 e nosso país continuava arraigado as promessas de uma malfadada reserva de mercado.
Acontece algo similar com os produtores de vinho no Brasil, tente você acabar com os vinhos de garrafão... (Alô produtores de vinho, é com vocês esta minha reclamação). São poucos os brasileiros que assumem risco fora dos salões de jogos de azar ou da Bolsa de Valores.
Por isso entendo a cabeça do Marco Danielle, mesmo tendo falado menos de 5 minutos com ele... Visto que per vivere é bisogno rischiare... Já dizia um importante estadista do Velho Mundo dos anos 30... Falei pouco com o Marco Danielle. Mas num dado momento passei pelo stand e estava vazio e falei com Milton Scola, o agrônomo que cuida dos vinhedos para o Marco. Foi com ele que pude entender melhor sem polêmica as maravilhas de vinhos vegetais, orgânicos, biodinãmicos e como seu paladar percebe vinhos limpos, francos isentos de agrotóxicos herbicidas, etc.
E com estas tecnologias clonadas de Emile Peynaud posso dizer para desespero dos franceses que querem conquistar 10% de nosso mercado que nós já temos o Prelúdio. Um “Bordeaux-zinho” pertencente ao movimento Green. Por apenas R$ 37,00! Este é para comprar de caixa, seu fígado vai agradecer e você vai fazer a felicidade do Jandir. (Visite: http://www.tormentas.com.br/interna2.asp?id=Apresentação)
Alô Luiz Otávio, Alô Chris, volte ao Fórum, Alô Saraiva, Alô Rogério, e agora?
Será que o Prelúdio será o Federer, tendo como árbitro o Spurier?
O novo grande julgamento de Paris. Será que os Franceses não aprenderam que é preciso mudar! Meus amigos amantes de Bordeaux baratos, vai ser difícil achar um Bordeaux por 3 ou 4 Euros para bater o Prelúdio...
Lembre-se que a França consumia cerca de 106 litros por pessoa, por ano em 1973. Por que os produtores franceses não tentam recuperar o mercado perdido na sua própria terra, nestes 35 anos, onde existe a cultura tradicional de todo mundo beber vinho? Alguém ousa me responder? Xô, bordeaux vagabond. Je suis desolè!"
Aos amigos do forum: a demissão de varios técnicos de renome dos principais clubes de futebol no campeonato brasileiro mostra que ninguém é dono da verdade por todo tempo. ( Nem Murici, Nem Luxa, Nem Parreira...) As comunicações modernas, a crescente insatisfação pessoal dos habitantes das várias partes do mundo, com a usurpação dos valores falso-morais de outrora, coloca pessoas com sensibilidade de artista, como o Marco Danielle em estado de explosão criativa e daí saiu o Tormentas, depois num balanço pendular o Minimus Anima e por fim em equilibrio, o Preludio....
Se Marco Danielle contratasse una "bella giovane ragazza" para cuidar de sua imagem como o Cristiano Ronaldo ou o Becker com certeza o fazem, "di securo" estaria exportando seus vinhos para o Vaticano ou para o Berlusconi irrigarem suas festas sagradas ou profanas, visto que seus vinhos não ficam atrás de nada similar ao que ele se propos a fazer.. seus vinhos conseguiriam juntar o céu e o inferno; o Alfa e o ômega e acabar com esta polemica...
Parabéns Carlos Teles e para você Marco parabéns já te dei, agora fica a sugestão acima.
Schiffini hoje inspirado. |
Fabio Lins Administrador Niterói RJ |
15/07/2009 |
Um encontro entre Marco D. e Carlos Teles, só poderia sair coisa boa. Teles, parebéns pela entevista.
E que as futuras gerações gostem de doce menos doce, de fruta com sabor de fruta, de comida com sabor de comida, de música com sabor de instrumentos musicais e de muita cultura!!!
Abraços, Fabio Lins |
Valéria Patrocínio Médica Niterói RJ |
15/07/2009 |
Parabéns Carlos pela excelente entrevista. Eu já a estava aguardando e bastante curiosa em saber o pensamento do Sr Marco Danielle que costuma gerar tantas polêmicas. |
Mauro Raja Gabaglia Enófilo Rio de Janeiro RJ |
16/07/2009 |
Ótima entrevista! Esta diferenciação entre "vinhos de deserto" e "vinhos de chuva", talvez realmente explique pq os bons vinhos brasileiros se assemelham muito mais aos do Velho Mundo, do que a maioria dos chilenos e argentinos, verdadeiras bombas de álcool, que decididamente não fazem o meu estilo. |
Roberto Cheferrino Rio de Janeiro RJ |
16/07/2009 |
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Rafael Mauaccad Enófilo São Paulo SP |
17/07/2009 |
Carlos,
Seu entrevistado Marco Danielle tem o discurso pasteurizado do politicamente e ecologicamente correto, que agradaria qualquer grupo com tal estruturado pensamento.
É repugnante tamanho elitismo e preconceito quando refere-se às classes populares, quando compara a baixa cultura com o baixo consumo de vinhos per capita. Esquece o entrevistado que esta população tem sua renda exclusivamente dirigida para sua sobrevivência indigna. Desconhece o entrevistado a sabedoria popular passada pela experiência, sua intuição e emoção. Todo ser humano sabe o que é bom, só que lhe é impedido o acesso pelas barreiras que lhe são impostas. De um modo autoritário sugere uma escala de inclusão vinícola aos neófitos. Quem é o neófito sociólogo?
O entrevistado deveria sintonizar seu discurso com sua acão, fala em FM e age em AM. Já que declara ser favorável a uvas compradas de terceiros, por que não congrega seus parceiros em cooperativas, envasa em bag-in-box, substituindo o garrafão e distribui nos locais de consumo desta populacão para sua inclusão vinícola? Partiria do discurso para a ação!
Este senhor está tendo muita platéia aplaudindo, necessita de doses de humildade e modéstia. Marco Danielle, com o vinho Tormentas Prelúdio 2008, foi o único brasileiro citado na lista dos 200 vinhos inesquecíveis dos críticos e gourmands do Caderno Paladar do jornal O Estado de São Paulo publicado nesta quinta-feira 16/07.
Abraco, Rafael |
Rodrigo Reis Médico Niterói RJ |
17/07/2009 |
Ótima entrevista, agradável, com perguntas inteligentes e atrativa não só para quem domina o assunto, mas também para quem está ingressando no fascinante mundo do vinho.
Parabéns Carlos! |
Cláudio Tornaghi Professor Petrópolis RJ |
18/07/2009 |
Tenho acompanhado desde o princípio a trajetória de Marco Danielle no mundo do vinho e suas mudanças ideológicas inconsistentes.
Concordo com o Rafael Mauaccad, este rapaz é puro marketing obamístico. Além das ofensas aos seus conterrâneos pobres (os que vendem as uvas), a busca pelo "denaro" - que tanto condenava nos descendentes italianos - parece ser realmente o que o identifica. Somada a um ego digno dos maiores enosnobs, como o seu principal apoiador, o simplório e deslumbrado Ed Mota.
Uma recomendação útil para ele seria a leitura de um livro de uma editora aí de Porto Alegre, a Zouk:
A Distinção: Crítica Social do Julgamento (do Gosto, no título explicativo em inglês). |
Oswaldo Correa da Costa Escritor São Paulo SP |
20/07/2009 |
Obrigado pela entrevista! Conheci Marco Danielle em dezembro, durante uma viagem à Serra Gaúcha. Temia não gostar dele, pois qualquer retórica inflamada, principalmente em causa própria, me incomoda. Mas a pessoa revelou-se bem diferente da palavra escrita, e tornamo-nos amigos. Temos trocado muitos e longos e-mails e nos encontramos em São Paulo durante e depois da Expovinis. Digo isso tudo porque não reconheço o Marco nos comentários que li acima.
Sim, o discurso é politicamente e ideologicamente correto, mas tenho certeza de que é por convicção, não por oportunismo ou jogada de marketing.
O Marco que conheci não é elitista nem preconceituoso com relação às classes populares. Não é um "snob", nem é movido pela busca do dinheiro. Disso tenho certeza, por tudo o que vi e ouvi. O que ele disse sobre a relação entre consumo de vinho e cultura foi incorretamente interpretado.
Não vejo mudanças ideologicamente consistentes. Na Serra Gaúcha, nos primeiros anos, faltava maturidade fenólica, portanto Marco foi buscá-la em Encruzilhada. Em Encruzilhada, ocorreu sobrematuridade e menor acidez. Em Campos de Cima da Serra, finalmente encontrou condições para produzir um vinho gastronômico, com equilíbrio entre acidez e doçura, coerente com nosso terroir de chuva. Foi uma busca de identidade, uma evolução gradual. Como disse Lord Keyes, quando acusado de mudanças ideologicamente consistentes: "When the facts change, I change. What do you do, sir?" |
Cláudio Tornaghi Professor Petrópolis RJ |
20/07/2009 |
São leituras distintas.
Uma de proximidade, amizade e cumplicidade. Outras, de distanciamento das figuras públicas e como o discurso formal e os atos as revelam para o conjunto mais distante. Não pode-se exigir de uma o conteúdo de outra.
Saudações Cláudio |
Fernando Albuquerque São Paulo SP |
20/07/2009 |
Dizer que seu vinho se confunde com vinhos franceses e seu Pinot Noir é semelhante a Bourgogne é no mínimo uma grande ousadia e pretensão... Ele só esqueceu de dizer "quem" fez essa confusão. |
Oswaldo Correa da Costa Escritor São Paulo SP |
20/07/2009 |
Fernando, foi um "consultor enogastronomico" belga, naturalizado brasileiro, chamado Jacques Trefois, presente no evento do Hotel Hyatt aqui em São Paulo.
Na realidade, pouco me interessa o que esse sujeito acha, muito menos por ser estrangeiro, mas provei uma amostra de barril desse pinot, que foi envelhecido quatro meses em carvalho francês de terceiro uso, e os aromas eram, de fato, confundiveis com um borgonha básico ou "village", talvez até com um premier cru tipo Beaune. Na boca, achei que faltou acidez, provavelmente porque a vinificação foi feita sem engaces. Mas, como primeira tentativa, foi surpreendente. |
Taylor Reis Médico Niterói RJ |
20/07/2009 |
Costumo temer quem tenta me dizer o que me deve ser agradavel... Ditadores nascem assim... Bem vestidos, parecem algo progressistas mas ao mesmo tempo conservadores, assim tentam influenciar a todos...
Como os que critica, o que ele quer é vender vinho, o que acho justo, mas a isso deve ser dado esse nome, o de querer vender vinhos, e não outros como patriota, salvador dos puristas, da não alienação etc... O resto é blablabla e autoritarismo... Vejam vcs que quase acreditei que estivessemos na Bourgogne, e que os vinhos Chilenos, Ah os vinhos chilenos, fossem uma porcaria...
Mas gosto do Tormentas, vinho bom e ponto. Ponto mesmo.
Ps. Agora imagina esse Chardonnay, que precisou ate ser justificado antes... Me coloca fora desta. Argh!? |
Oswaldo Correa da Costa Escritor São Paulo SP |
21/07/2009 |
Taylor, o chardonnay é o primeiro branco de Danielle e foi feito com uvas de Encruzilhada, compradas da Lidio Carraro, as mesmas usadas pela Lidio para fazer seu próprio chardonnay. As uvas dos dois vinhos serão praticamente idênticas, mas os vinhos muito diferentes, pois o Tormentas completou sua malolactica (por falta de SO2) enquanto que o da Lidio teve sua malolactica interrompida com SO2 e maceração a frio (será, portanto, mais ácido, ceteris paribus).
Será fascinante comparar os dois, pena que você está fora! :) |
Taylor Reis Médico Niterói RJ |
21/07/2009 |
Oswaldo, boa sorte, mesmo, e nao esqueca de levar o Iogurte... |
Fernando Albuquerque São Paulo SP |
21/07/2009 |
Pois é, Oswaldo. Mesmo que o vinho tenha te lembrado um "bourgogne básico", por um bom você não pagará mais do que 60 reais. Pelos R$ 160 que este vinho custa, você compra coisas IMENSAMENTE superiores, até um Barolo. Ou um belíssimo Chateauneuf-du-pape.
Não sei, tudo o que o sr. Marco Danielle diz e escreve é muito poético, o site dele é cheio de poesia, mas o que já vi e vivi me dizem para ficar observando de longe.
Uvas produzidas por Lídio Carraro?? Humm...... |
Oswaldo Correa da Costa Escritor São Paulo SP |
22/07/2009 |
Fernando,
O pinot ainda não foi lançado, ninguém sabe quanto vai custar. O Santa Luzia, de fato, está vendendo um borgonha de négociant por R$70 mas o básico de qualquer produtor respeitado custa de R$120 pra cima. Um villages, de R$180 pra cima e um premier cru de R$250 pra cima.
Mas o fato é que o pinot do Tormentas não me interessa como substituto para um borgonha (já tenho uma adega cheia de bons borgonhas). Me interessa um pinot que seja expressão do nosso terroir (o que quer que seja isso), e acho um erro do Marco ficar falando de como as pessoas confundem o dele com um borgonha. Entendo que isso lhe dê orgulho como produtor, mas é um objetivo totalmente inútil, no meu entender.
Como ele é muito criticado por pessoas como você (e outros aqui), ele acha que se vocês confundirem um pinot dele com um borgonha numa degustação às cegas, vão finalmente dar a mão à palmatória e parar de criticá-lo.
O que ele não entende, ou não quer entender, é que nem isso deteria quem não está interessado em se informar antes de criticar (senão saberia que TODAS as uvas dos vinhos Tormentas sempre foram compradas da Lidio Carraro).
Taylor, pode ficar com o iogurte, a flora lhe fará bem. |
Cristiane Miranda Pesquisadora FIOCRUZ Rio de Janeiro RJ |
22/07/2009 |
Carlos,
Parabéns pela excelente entrevista. Continue sempre se superando.
Sugiro um assunto inovador e polêmico para ser abordado no EnoEventos: "Nanotecnologia, prós e contras na produção de vinhos". |
Fernando Albuquerque São Paulo SP |
22/07/2009 |
Pois é, Oswaldo. E são uvas do Lidio Carraro que ele chama de "matéria prima rara" para cobrar 160 paus numa garrafa?
Na verdade ele está utilizando uma estratégia de marketing que não é nada nova, mas evidentemente ainda funciona muito bem. Primeiro você lança um produto de preço inacessível aos comuns mortais, trabalha a marca fazendo dele um objeto de desejo e depois lança produtos secundários explorando a mesma marca. Se você não pode comprar um vestido Valentino de US$ 30 mil, compre um perfuminho de R$ 300. Se não pode comprar uma Ferrari de US$ 1 milhão, compre uma sacola de R$ 450. Todas as griffes internacionais se utilizam desta estratégia para crescer. E são esses produtos licenciados que realmente dão o lucro. Isso não é nada original, e não é exatamente isso que NO FINAL DAS CONTAS ele está fazendo agora com "Prelúdio"? Não pode comprar um Tormentas? Compre um Prelúdio. Permita-me dizer que você está dando muito crédito ao bico sedutor do sr. Marco, sem usar espírito crítico. Se ele não quer ser criticado por pessoas como eu (seja lá o que você quis dizer com isso), que então não faça por onde...
Quanto aos preços do Pinot, você pode encontrar Drouhin e Guigal por 60 reais. Mas mesmo esses tais "produtores respeitados" que você mencionou a 120 reais estão mais em conta do que o vinho de nosso tormentoso amigo. |
Oswaldo Correa da Costa Escritor São Paulo SP |
22/07/2009 |
Fernando, o Guigal nunca fez um pinot na vida. O Drouhin é feito com uvas compradas, prática que você desconsidera.
Enfim, essa é meu último "post" aqui. Estou cansado de trocar idéias com quem evidentemente não conhece o que critica, nem os vinhos, nem a pessoa. |
Aquiles Meo de la Torre Restaurante de la Torre São Paulo SP |
23/07/2009 |
Na minha opinião, o Danielle é um excelente marqueteiro, não assim seus vinhos, que tive oportunitade de provar em diversas oportunidades e não me pareceram melhores do que a média nacional.
O discurso é um tanto autoritário e retrógrado, critica o jornalismo especializado, mas quando fala dos vinhos nomeia o Steve Spurrier, o Ed Motta (Volta para a cerveja Motta!) e a revista Go Where (meu deus!).
Quando o jornalista o pontua mal, é corrupto, quando o pontua bem, é ótimo. Me poupe, Danielle, mude o discurso, agora até temos que aturar que diga que é ótimo comprar uvas de terceiros?
O controle da matéria prima é fundamental na produção de vinhos, para assim outorgar o vigor que a planta precisa, e o vinho que desejamos obter. A vinha se trabalha durante anos. Claro que comprar uvas, é bem mais facil. Esta atividade, pode lhe dar um vinho bom, mas se não comprar do mesmo fornecedor na colheita seguinte, o caráter do vinho mudará.
Parabéns pelas fotografias, são muito bonitas. |
Fernando Albuquerque São Paulo SP |
27/07/2009 |
Postei mais algumas observações na semana passada, mas a moderação do site optou por não publicá-las. Talvez eu tenha contrariado alguns interesses e políticas com elas.
Forum "isento" é isso.
Fernando, naquele momento, os ânimos estavam ficando muito exaltados e optei por não publicar alguns comentários, para acalmar.
Agora que a discussão já esfriou, segue seu comentário da semana passada.
Oscar
Concordo com o Rafael. O rei (que nunca teve coroa) está mais nu do que nunca e é bom que todos apontem isso. O mundo já está cansado de "reis nus". Mas quero ainda fazer umas consideraçõezinhas...
1 - Uvas do Lidio Carraro são uvas do Lídio Carraro. Ele não possui um terreninho secreto com microterroir idêntico ao de Bordeaux só para plantar uvas para o Marco Danielle. Se ao menos produzisse uvas orgânicas certificadas o Marco poderia criar umas historinhas bonitas em cima disso, mas nem isso dá.
2 - Minha avaliação sobre as estratégias do Marco está correta. Ele mesmo reconhece (talvez inadvertidamente) que com o Prelúdio ele está implantando uma nova etapa do projeto. Ou seja, ele segue um plano de mercado pré-estabelecido Repito que isso não é novidade. Ferran Adrià está fazendo o mesmo. Criou uma griffe com o El Bulli e agora está vendendo temperos, molhos e pozinhos para todos brincarem de alquimista em casa. "Ah, mas 7 mil garrafas não é escala industrial" ele disse. Ele sabe que esse tipo de coisa tem que ser conduzida com cuidado. A estratégia não pode transparecer, ou quebra a magia e o público não quer mais brincar. Nada de novo debaixo do céu.
3 - Com a padronização de tudo (em particular, dos vinhos), todos anseiam inconscientemente por "vinho de autor", "artistas vinhateiros" e que tais. Todos suspiram ante a imagem de um agricultor e sua família trabalhando com um arado puxado a cavalo. Aí está aberta a porta para "vendedores de sonhos" que vêm explorar esse nicho de mercado.
4 - Não tenho nada contra vinhos feitos com uvas compradas de terceiros (caso de algumas linhas mais simples do Drouhin). Tenho contra quem quer vender gato por lebre.
5 - Guigal nunca fez um Pinot Noir???? Encerro aqui minha participação também. Julguem se não sei mesmo o que estou falando.
Nos vemos em outro tópico. Abraços a todos. |
Errico Ernesto Rosa Comprador independente Rio de Janeiro RJ |
28/07/2009 |
Fernando, desculpe a ignorância, mas eu compro vinhos para terceiros há 25 anos e também nunca ouvi falar de um pinot-noir feito por Guigal.
Você pode dar maiores detalhes? |
Carlos Cabral Enófilo Rio de Janeiro RJ |
03/08/2009 |
Fernando,
Quanto ao Pinot Noir do Guigal que você refere, a apelação Côte-Rôtie não produz esta variedade, e não poderia haver estilo mais oposto aos vinhos da região. Mas nada impede que Guigal tenha decidido plantar Pinot Noir no Rhône, portanto aguardamos maiores informações.
Observo que você ataca o enólogo Marco Danielle de forma exagerada, quando nem a entrevista e nem o site do produtor justificam tal reação. Seja este um ataque pessoal ou de ordem comercial, o local não me parece adequado.
Igualmente, não entendo o desdém pela Lidio Carraro, cujos vinhedos estão entre os melhores do país. Consultando os dados da Tormentas, vemos que apenas 3% dos vinhos partem de uvas compradas da Lidio, contra 97% de vinhedos próprios em Campos de Cima da Serra. Sugiro que elabore melhor sua crítica, principalmente quando as afirmações possam prejudicar pessoas e empreendimentos.
Quanto à sua teoria de que o Prelúdio seja um golpe, pelo preço mais barato, vejamos o que diz o melhor sommelier brasileiro por dois anos, sobre o Prelúdio. Lembre-se que é primeiro vinho dos vinhedos próprios da vinícola. Ou seja, se é caro você critica porque é caro, se é barato porque é barato, e se o crítico compara a um francês é deslumbrado? Que chance você dá ao produtor?
Guilherme Correa: "(...) abri o Prelúdio 2007, que beleza! (...) Num primeiro contato olfativo, minha memória buscou algo bom da margem direita de Bordeaux, Pomerol ou Saint-Émilion. As informações telúricas são impressionantes. (...) Boa complexidade e definição, sem sobre-maturação. (...) Ao colocar o vinho da boca sentimos a energia da sua belíssima acidez, bem integrada no meio-de-boca. A groselha negra encontra aqui a companhia da cereja ácida, amparadas por uma estrutura de taninos maduros, de trama fina e apertada, que esconde o álcool e o relega a um papel secundário no balanço deste vinho gastronômico. A persistência é ótima, coerente com os aromas de boca, bem Velho Mundo. Este corte bordalês “margem direita” já se encontra ótimo para ser apreciado, mas irá recompensar aqueles que o adegarem por mais uns 3 a 5 anos. Por fim, este vinho me passou duas mensagens. Uma que para mim é novidade: um tinto sem carvalho pode ter complexidade, quando não é sulfitado. E outra de que já sabia e divulgava: o caminho do vinho brasileiro não é o de emular os chilenos e argentinos, mas sim de buscar uma expressão mais vibrante, complexa e européia, de excepcional vocação enogastronômica. Meus PARABÉNS por tudo isto, caro Marco, o Prelúdio é um vinho para BEBER e DESFRUTAR, de excelente relação preço / prazer!" |
Fernando Albuquerque São Paulo SP |
07/08/2009 |
Meu caro Carlos, reli meus posts e concluí que minha opinião está suficientemente clara, não se fazendo necessária nenhuma explicação adicional, portanto. Sugiro que você releia e reflita, se achar que deve.
Você chegou à mesma conclusão que eu, apenas que de forma entortada e não se deu conta disso. O Tormentas é simplesmente um empreendimento, uma empresa. Nada mais. E está seguindo a estratégia (bem) desenhada para uma empresa. Bingo!
E chega. Eu disse que minha opinião já estava suficientemente aclarada e não daria nenhuma explicação adicional. |
Abilio Cardoso Jr Dentista e enófilo Brasília DF |
10/08/2009 |
Tenho acompanhado os comentários muitas vezes acalorados sobre este produtor. Conformei postei em 15/07, fiz um pedido de Preludio e Minimus Anima e gostaria de compartilhar minha opinião com os leitores do Enoeventos.
O Sr Marco Danille pode até ser marqueteiro, mas quem não defende e divulga os seus próprios produtos? Quem não expressa entusiasmo e paixão por seu trabalho deveria mudar de atividade.
Mas vamos ao que nos interessa. Degustei os dois vinhos este fim de semana e acredito que seus críticos deveriam fazer o mesmo. O Preludio, julgado como vinho barato para atrair consumidores, é um vinho extremamente complexo e digno de ser guardado para evolução em adega. O seu irmão mais velho, Minimus Anima, é uma explosão de aromas de frutas vermelhas e compota de ameixa.
Pela primeira vez vislumbro a nossa produção de tintos não como uma promessa mas como uma realidade que me deixa orgulhoso.
Abraço Abilio |
Douglas Agra Enófilo Rio de Janeiro RJ |
22/08/2009 |
Tive o prazer de conhecer o Marcos Danielle e gostaria de acrescentar alguns comentários:
minha impressão sobre o seu trabalho é muito boa e considero que qualquer profissional que se dedique e logre sucesso no mundo dos negócios tem mesmo é que investir em marketingfaço parte de um grupo de degustação e fizemos às cegas um top 10 Brasil com os vinhos: Valduga Storia, Lote 43 2001, Minimus Anima, Merlot Terroir 2005, Salton Desejo, Vila Francione VF, Bettú Corte Bordalês "C", dentre outros vinhos do mesmo nível e tivemos um resultado unânime pelos confrades de um vinho diferente e acima da média em estrutura, potência e complexidade e este foi o Minimus; realmente supreendeu a todos!tomei todos os vinhos do Marcos e considero todos vinhos honestos, bem feitos e com padrão de qualidade x preço acima da média dos vinhos nacionais.
Pelo fatos acima expostos para mim é extremamente positivo tê-lo atuando em nosso mercado, colaborando com a melhoria do nível do nosso produto e oferecendo aos apreciadores um produto de alta qualidade. |
Flavio Castro Economista São Paulo SP |
28/08/2009 |
Caros amigos, creio que o texto abaixo pode ajudar a trazer luz sobre o assunto. O endereço de onde foi retirado encontra-se ao final. Obrigado.
Enoamigos,
Já ouço falar dos vinhos Tormentas, de Marco Danielle, há mais de uma ano, mas aguardava anciosamente a oportunidade de degustar uma garrafa. Foi então que, jantando com amigos na útlima quinta-feira, chegou a famigerada ocasião. E QUE DECEPÇÃO!!!
Em toda minha vida, até por força da profissão, degustei de tudo, desde grandes caldos à vinhos de porão, e estes geralmente correspondiam à expectativa, ou seja, os grandes vinhos eram muito bons e os vinhos de baixa qualidade eram ruins mesmo. Mas foi a primeira vez que provei um suposto ícone de uma nova e consciente enologia que é imbebível. Tinha muita expectativa por ter ouvido de um amigo exigente que era bom o da safra 2005. Espero ainda poder experimentar este, e não ter decepção tão grande.
O vinho é simplesmente impossível de ser bebido, pois causa asco logo na aparência, turva, a princípio pelo fato de não ser filtrado, o que não é pretexto, pois existiriam produtos naturais para clarificação (a própria clara de ovo desempenha papel excelente nisso, e não é nenhuma substância sintética), haja vista a grande limpidez dos vinhos de Mauricio Lorca. O nariz, então, é nocaute: os aromas claros de sulfídrico, como ovo podre e esgoto, se mesclam aos de acidez volátil, tal como vinagre colonial. Aliás, assemelha-se muito ao clássico vinho de colônia, feito de qualquer jeito com a melhor das intenções pelos agricultores. O que é pior é que, decantando, embora se esvaia o sulfídrico após agitação enérgica, sobressaem-se os demais aromas desagradáveis, confirmando-se a volátil e também aromas que lembram iodo, que vão muito além dos aromas clássicos de vinhos de grande maceração em tonéis abertos e evoluídos durante longo tempo. Na boca, é desequilibrado, com uma doçura errada, esto é, indevida, que se nao for de açúcar adicionado (acredito que não, não é esta a proposta), é de uma fermentação finda inadequadamente, antes da completa secura. Ademais, tem pouco corpo, o que por si só não constitui problema, mas o faz menos propício à guarda. Além disso, há uma presença desagradável e inadequada também de gás carbônico, tornando o vinho picante. Se deixada a taça parada por mais de 12 horas, o vinho cria aspecto de petróleo, manchando e incrustando a taça e formando película oleosa.
Necessário se faz acrescentar o risco de uma fermentação concebida de qualquer forma, sem antissépticos e controle analítico adequado, no que tangem a um grande desenvolvimento de microorganismos, muitos destes nocivos ao vinho a à saúde do consumidor, tanto quanto os excessos de conservantes empregados. Algumas bactérias produzem aminas biogênicas, nocivas ao consumo humano e que geralmente provocam reações alérgicas, em doses muito menores que as de conservantes. Coincidência o fato de, após ter conseguido engolir apenas três goles do vinho citado, ter rubor e calor facial? Isto também é fruto da negligência às observações de normas referentes à padrões de identidade e qualidade e de controle analítico, submetido aos órgãos competentes, que aprovam ou não o registro e a comercialização do vinho.
Nem comentarei os riscos de alterações microbiológicas nocivas ao vinho, talvez uma das explicações para o gás carbônico do vinho, excessivo, e que não é nem um pouco característico dos vinhos ditos "naturais".
Afirmar que o Minimus Anima 2007 é ruim equivale à dizer que o Lote 43 2002 é insatisfatório, algumas garrafas tinham aroma estranho e sabor agridoce enjoativo. Veja que não é apenas uma implicância com o Minimus Anima, e tampouco com o vinho brasileiro. Estes dois vinhos podem ser vistos como ícones e isso é trágico. Imagine um consumidor estrangeiro que está a experimentar pela primeira vez um vinho do Brasil: ele não toma o Merlot da Pizzato, o espumante da Marson, o Chardonnay da Aurora e por aí vai, mas sim o Merlot do Brasil, o espumante do Brasil, o Chardonnay do Brasil... Então, se ele vai logo em um vinho como estes, justo por sua posição de destaque, dificilmente voltará a experimentar outro. Calcule o que sobraria para os vinhos piores! Muito a contrário, se ele tomar algum vinho de que goste, ele volta a experimentar e daí, aquilo que era brasileiro passa a ser de tal região, tal variedade, tal produtor, e ele vê e valoriza a tipicidade e pluralidade dos vinhos do país.
Aliás, que bem claro fique, não tenho motivo algum (fora o sensorial) para ser contra ou a favor do sucesso de Tormentas. Não tenho vínculo nenhum com qualquer empresa brasileira ou estrangeira que elabore vinhos, embora já tenha passado por várias, bem como não pretendo vender os vinhos que produzo em casa, experimentais, para deleite e consumo próprios. Aliás, elaboro vinhos simples, por vezes até pobres, mas que, frente ao Minimus, me fazem pensar estar bebendo um Grand Cru, ou mesmo chegam a me fazer pensar que sou o melhor enólogo do mundo...
O que realmente me faz suspeitar do discurso duvidoso dos produtos Tormentas é o contra rótulo de Minimus Anima 2007, no qual presumíveis deficiências ou defeitos são escondidos ou, pior ainda, mascarados como fatores positivos. Enumeremos a seguir:
1- "...falam mais alto o acaso, a natureza e a safra, que neste ano nos brindam com mais acidez, conferindo à inspiração novo-mundista um refrescante traço europeu." - A safra de 2007 não foi das mais pródigas para o Rio Grande do Sul, em especial para uvas tintas, que amadureceram, em sua maioria, em um período de chuvas, inclusive em Encruzilhada do Sul, o local com a menor precipitação pluviométrica do estado, atestado por média histórica.. Assim, além de ter menos sol e mais água, o que já bastaria para um significativo incremento em acidez, geralmente as unas tiveram de ser colhidas antes da plena maturação, a fim de evitar as podridões de cachos, beneficiadas pela água livre e por subsequentes períodos de calor. Assim, a acidez maior foi igual para todo mundo, não foi nenhum trunfo específico. E mais: não é exclusividade de vinhos de velho mundo ter maior acidez, embora geralmente assim sejam, mas não é essa uma caacterística intrínseca e unicamente caractrística dos vinhos europeus.
2- ""Bestial" foi a melhor palavra dos primeiros críticos, ..." - Com o perdão do medíocre trocadilho, mas que se permite por estar no mesmo nível que o vinho, só se bestiais forem os críticos! Qualquer cidadão que tenha alguma formação envolvendo a degustação aprende, e logo cedo, sobre os defeitos do vinho, para evitá-los quando de sua elaboração e para identificá-los em seu exame organoléptico. Os aromas do Minimus Anima são claramente aromas não desejados, seja o sulfídrico, advindo de fermentação mal gerenciada, com falta de nutrientes e estrita anaerobiose, ou mesmo por redução do anidrido sulfuroso, o que é pouco provável pela proposta do vinho. Além disso, o aroma de ácido acético e de seu éster, acetato de etila, denotam um vinho sem controle de estocagem, no mínimo, quando a falta de higiene, antissépticos, e hermeticidade origina uma degradação bacteriana do álcool em ácido acético.
Aliás, isto faz presumir algumas coisas, tais como o porque de alguns críticos não terem emitido algum parecer (e não pela sua fadiga...) e, até mesmo, põe em dúvida a idoneidade da procedência das garrafas de críticos que o avaliam bem.
E que fique claro, não é dizer que os críticos não têm credibilidade e/ou que não sabem degustar e/ou que eu seja o único cidadão que saiba degustar, mas isso faz parte de estudos, de teoria e prática que exigem dedicação, e os compostos desagradáveis são detectados por análises físico-químicas específicas, ou seja, existem e são o que são, indiferente das subjetividades alegadas.
3- "Original e irreverente, entrego aos apreciadores mais um vinho autêntico, fortemente autoral." - A palava autoral, além de um pouco vazia de significado literal, tem sido deturpada. Não é pelo fato de um vinho ser diferente que ele deva ser bom. Se tivermos três vinhos excelentes e um ruim, ele será diferente, mas não necessariamente bom. Nem tudo que é bom é diferente e nem tudo que é diferente é bom! Porém, tenho visto em várias degustações que os vinhos mais diferentes, e na maioria dos casos mais dissonantes quanto ao fator qualidade, são tidos como os autorais. Este é um dos casos, é diferente, não é único, mas com certeza não é bom! Autoral é o estilo de vinho que caracteriza determinado produtor, independente da safra e da variedade, interagindo com os fatores de variabilidade naturais e benéficos para a pluralidade dos vinhos de determinado Terroir.
4- "Devido à vinificação sem aditivos e estabilização, decantar obrigatoriamente para separar os futuros sedimentos. Após, agitar o decanter com vigor até eliminar o gás, característica dos vinhos vivos e naturais". - Primeiro, a menos que o vinho tenha sido produzido por mistura de álcool, taninos, antocianas e aromas, entre outras substâncias, ele segue sendo natural, indiferente dos aditivos que recebe. O que caracteriza este termo é o fato de ser oriundo de fermentação. Cuidado com os termos inadequados!!!
Depois, a agitação intensa dissipa o desagradável excesso de gás carbônico. Além disso, também dissipa o aroma desagradável do sulfídrico, o que um simples objeto de cobre faria quase que instantaneamente, por catalisar a reação de oxidação. Mas atenção: isto enquanto o vinho é novo, até que o sulfídrico seja convertido em mercaptanos, em ambiente redutivo, quando o inconveniente é irreversível pelas formas citadas!!! Ou seja, se o argumento é que o vinho está assim porque ainda é novo, ele tenderá a ser ainda mais complicado!
5- "750 mL a 13 % vol." - Não consegui entender a relação que o conteúdo alcoólico tem com o volume de vinho. Independente da participação de álcool no volume total do vinho, ele será sempre de 750 mL! A única relação possível com o teor alcoólico seria em a relação à temperatura: 13% vol a 20 oC, ou a qualquer temperatura na qual tivesse sido aferido o teor alcoólico, sendo padrão a citada.
6- "Dados enológicos: vinhedo conduzido em espaldeiras sobre terras não irrigadas. Não chapatalizado. Clarificado naturalmente (sem filtragem ou colagem). Colheita em 17/03/2007. Extrato seco = 44,7 g/L. Engarrafado em Nov/2007. Livre de carvalho (pura fruta)." - Não consigo entender o porquê de aparecer apenas alguns dados de análises físico-químicas e, misteriosamente, não serem apresentados os possíveis dados aberrantes: SO2 livre e total, acidez total, acidez volátil, açúcares. Parece, a quem vê de fora, que se quer esconder alguns dados desfavoráveis, ainda por cima quando se usam alguns discursos como os já citados. Além disso, os dados citados não fornecem muitas informações conclusivas.
Não conheço Marco Danielle pessoalmente, mas espero conhecê-lo e ter a oportunidade de degustar todos os seus vinhos, para que talvez possa mudar um pouco meu conceito sobre seus vinhos de autor. Aliás, não tenho nada contra o seu vinho e sua proposta, mas apenas parece-me que sob um bem escrito, emotivo e frágil texto esconde-se as mazelas de vinhos elaborados sem o menor rigor técnico. Aliás, é talvez este desdém de Marco Danielle por profissão tão honrosa ( e não digo isso por fazer parte da classe, mas pela satisfação de ver surgir vinhos memoráveis à luz da ciência e do talento humano e da natureza) que leva pelos ares a tentetiva de obter vinhos mas fiéis ao seu terroir (seria terror?) e aos processos nobres e puros da mãe natureza.
Que possamos amadurecer as idéias acerca de vinhos autoriais e de Terroir, e que sejamos bem francos quanto aos nossos objetivos.
Com a maior isenção, seriedade e profissionalismo possível, subscrevo-me.
Jucelio Kulmann de Medeiros Enólogo http://br.groups.yahoo.com/group/Brasil_do_Vinho/message/224 |
Mike Taylor Consultor em vinhos Buenos Aires Argentina |
16/02/2010 |
Prezado Carlos
Meu amigo Marco não é enólogo ainda. É winemaker.
Enoabraços Mike |
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