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Entrevistas
"Vinho é sinônimo de alegria, emoção, paciência e honestidade". Essa frase pertence a Antônio Marson, o patriarca que em 1887 partiu da província de Treviso, no Veneto, norte da Itália, com destino ao Brasil, mais especificamente para a colônia de Monte Veneto, e juntamente com D. Eugenia Griguol Marson deu origem a uma numerosa e bem estruturada família. Seus descendentes ainda habitam a região. No entanto, a colônia já não se chama Monte Veneto, desenvolveu-se e transformou-se na cidade de Cotiporã, situada na serra gaúcha, a 155km da capital do estado, Porto Alegre.

A atividade básica da família sempre foi a vitivinicultura, mas de uma forma mais artesanal. A profissionalização se deu em 1939, quando a empresa foi legalmente constituída. No final da década de 1960, sua produção de vinho de mesa (Vitis Labrusca) já ultrapassava 2,6 milhões de litros, parte destinada para o mercado e parte destilada, em alambiques próprios, para a produção de brandy, vendido para grandes empresas multinacionais.

Na década de 1980, João Marson e seus sete irmãos decidiram entrar definitivamente no mercado de vinhos finos. Primeiramente, a produção era vendida a granel, no entanto a qualidade e excelência de seus produtos, levaram o nome Marson a uma clientela cada vez maior. Consequentemente, em 1991 a marca Marson foi lançada. Hoje a produção de vinhos finos (Vitis Vinifera) está por volta de 750 mil garrafas (espumantes, brancos e tintos) e não pára de colecionar prêmios: são mais de 70, arrebatados em concursos nacionais e internacionais.

O entrevistado, João Marson, é descendente direto do patriarca Dom Antônio Marson e herdou deste a alegria, a emoção, a paciência e a honestidade, principalmente quando o assunto é o vinho. Vamos à entrevista!
Carlos Teles João Marson
Você acredita, assim como muitos produtores, que a Merlot e a Chardonnay, poderão um dia vir a ser as castas emblemáticas do Brasil? Acredito sim.. Não existem trabalhos com análise estatísticas ainda, mas empiricamente é o que se observa. E agora, sobretudo com novos terroirs, Encruzilhada do Sul, Bagé, Candiota, Dom Pedrito..., a afirmativa é possível e provável.
Nesses tantos anos de dedicação ao mundo do vinho, qual foi o fato que causou uma mudança mais significativa no setor? Foi por volta de 1995, quando o setor praticamente chegou ao fundo do poço com a enxurrada de importados. Aí foi uma revolução, principalmente na parte de campo, com novas mudas (livres de viroses), sistema de plantio (espaldeira), tratamentos fitossanitários e culturais. Na parte da cantina já tínhamos certa tecnologia de produção.
A Cave Marson atualmente fabrica uma variada gama de produtos. Poderia falar sobre essa diversidade, em termos quantitativos e qualitativos?
O histórico na Marson praticamente seguiu o que o setor como um todo fez. Começou pela produção de vinhos de mesa (atualmente 2,6 milhões de litros) e partiu para os vinhos finos (atualmente 750 mil garrafas), sendo que os espumante, elaborados pelos métodos Charmat e Champenoise, encabeçam a lista de vendas.

Em termos qualitativos, não tenho muito a comentar. O reconhecimento está vindo através da resposta positiva do mercado e dos vários prêmios que não paramos de conquistar.
Sendo você engenheiro-agrônomo, não seria mais adequado sua participação na condução das plantações, ao invés de estar na área comercial? Ou dá para jogar nas duas posições? Num determinado momento, face à expansão das vendas, foi imperativo que eu acumulasse funções. O trabalho no campo é realmente estafante, principalmente quando se leva em conta que para a produção de um bom vinho, a saúde fitossanitária dos parreirais é fundamental.

Atualmente trabalhamos com as variedades Cabernet Sauvignon, Merlot, Riesling, Chardonnay, Ancelota e em teste experimental, com Teroldego e Touriga Nacional.

Volto a repetir, o trabalho é estafante, porém no final, todos acabam se inteirando da produção.
Sua empresa já se beneficiou dos conhecimentos técnicos/científicos da EMBRAPA e dos financiamentos subsidiados do BNDES?
Nosso Supervisor Técnico, Paulo Marson, desenvolveu sua tese de mestrado - sobre a nutrição da planta pela análise foliar e não simplesmente pela análise de solo - exatamente na EMBRAPA. Com isso, temos um vínculo importante com essa instituição, o que nos auxilia na avaliação e no conhecimento de novas tecnologias desenvolvidas por lá.

Quanto aos recursos do BNDES, temos nos utilizado deles, sim. O último financiamento foi liberado há pouco tempo para a implantação de mais 5 hectares de Chardonnay, destinada à produção de espumantes.
Qual é sua opinião sobre a taxação que o governo pretende instituir, através de selo, para o setor? O vinho importado de qualidade pode entrar normalmente. Esse não traz preocupação. Acontece que o Brasil acaba sendo a desova de grandes estoques que existem a nível mundial. Sou a favor de taxar pela qualidade em escala gradativa.

Mas a questão do selo é a forma de pagar o imposto na fonte, e os nacionais não fugirão dessa medida.
Quais são os planos de expansão da Cave Marson? A Marson está expandindo a parte de espumantes, com um projeto de ampliação para a produção de mais 50.000 garrafas. Nos demais vinhos, a produção ficará, momentaneamente estacionada.
Você acredita em uvas e vinhos produzidos sem quaisquer interferência de aditivos químicos? Há mercado para esse tipo de produção, mas há ainda um caminho muito longo a percorrer.
A Cave Marson tem vinhedos em Cotiporã e em Encruzilhada do Sul. Quais as castas plantadas em cada um dos lugares e razão da escolha?
Pela leitura atual, a tendência é continuar na serra gaúcha com algumas castas tintas melhor adaptadas, como a Merlot e as uvas para produção de Espumantes.

Na região de Encruzilhada, produziremos brancos também, mas sobretudo as variedades tintas pelo tipo de solo arenoso e pela menor quantidade de chuvas, principalmente na colheita.

Atualmente estamos com a Cabernet Sauvignon e a Merlot, e em testes com a Touriga e a Teroldego.
A Cave Marson é uma empresa familiar? Sim, somos uma empresa eminentemente familiar. A administratação está a cargo de seis irmãos e de um sobrinho.
Comentários
Valéria Patrocínio
Médica
Niterói
RJ
28/08/2009 Carlos

Adorei mais esta entrevista. Sempre enriquece o site com matérias diferenciadas. Parabéns!!!!!!!!!!
João Marson
Cave Marson
Cotiporã
RS
14/09/2009 Carlos,

A entrevista repercutiu muito na região, e por isso, em nome da Família Marson, agradeço este belo espaço que você nos propiciou.

MUITO OBRIGADO e SALUTE......
Sds
João A. Marson
Engenheiro
Bragança Paulista
SP
17/09/2009 Parabéns, pela entrevista e gostaria de agradecer a Familia Marson pela confecção de um excelente vinho, apreciado por toda a minha familia em São Paulo.
José Elson Marson
Serralheria Marson
Tupi Paulista
SP
12/10/2009 Gostaríamos muito de conhecer os produtos da Vinicola Marson, mas em nossa região não são encontrados nos mercados.

Parabéns, família Marson!
Rodrigo Cesar Marson
Estudante
Campinas
SP
15/10/2009 Olá, parente distante, sou de Campinas-SP e sou um Marson também. Minha família inteira mora no Circuito das Águas Paulista, e queria saber se há algum vínculo com você?
Graciela Aparecida Marson Antunes
Dentista
Itapeva
SP
20/10/2009 Carlos, adoro vinho... e esta entrevista agrega o conhecimento ao prazer de degustar um bom vinho, como estes da Cave Marson!!!

Parabéns...
EnoEventos - Oscar Daudt - (21)9636-8643 - odaudt@enoeventos.com.br