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Jovial, descolado, amável, seguro, assim é Paulo Gomes, o poeta professor de história que se apaixonou pela enogastronomia. Atual presidente da SBAV-Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho, foi eleito recentemente para o biênio 2009/2010, substituindo Homero Sodré.
Seu interesse e consequente aprimoramento no aprendizado sobre o vinho se deu por força do profissionalismo, uma vez que Paulo é proprietário de uma pousada localizada em Visconde de Mauá, no Circuito das Águas na Serra da Mantiqueira.
Paulinho Gomes, como é chamado carinhosamente pelos amigos, nos concedeu a seguinte entrevista: |
| Carlos Teles |
Paulo Gomes |
| Paulo, nos conte um pouco sobre sua iniciação e trajetória no mundo do vinho. |
Por maneiras diferentes, as pessoas começam a apreciar o vinho quando as suas vidas se abrem para um novo momento ou, uma nova maneira de ver a vida. Imagino um olhar wine romantic - não me lembro bem quem falou estas palavras - mas ela é apropriada para expressar um sentimento sobre o vinho, ou seja, em qualquer lugar, em momentos especiais ou um terroir.
Entrei para o mundo do vinho por diversas razões. Os primeiros passos foram na época da universidade, com o tradicional garrafão e também com aquela garrafinha azul ou o Chateau brasileiro do Chico Buarque. Além desses, os primeiros chilenos eu provei no antigo restaurante Barbas, inaugurado em 1981, por Nelson Rodrigues Filho.
Depois veio a época da Pousada, em Visconde de Mauá. Fui obrigado a entrar nesse mundo de magia. Não era mais só beber. Precisava conhecer e fui buscar na ABS as referências e o conteúdo necessário. Entre curso básico, avançado e grupos de degustação fiquei por lá uns cinco anos.
Com o surgimento da SBAV, meu amigo Paulo Nicolay me convidou - e eu aceitei - para participar da fundação e fazer parte da primeira gestão. Agora estou aqui falando de novas experiências e dando a minha contribuição a para cultura do vinho. |
| A SBAV fez sua estréia no Rio de Janeiro com uma bombástica festa que teve a presença maciça dos enófilos cariocas. As expectativas despertadas por esse sucesso foram frustradas por uma subsequente inércia. Muitos associados abandonaram o barco. O que houve, afinal? |
Aquela festa de lançamento foi de fato cheia de energia, alegria e expectativa. A única surpresa que tivemos foi descobrir o quanto ainda tinha a fazer para atender a demanda por novas abordagens da cultura do vinho. Realmente atraiu um público representativo de enófilos e amantes do bem viver do Rio de Janeiro.
Tivemos alguns problemas no início. Mudança de sede, os membros fundadores sem tempo para se dedicar a entidade, mas todo o começo é complicado.
Por outro lado, o único erro que vejo foi ter ousado e todas as vezes que exercitamos este lado humanista carioca, corremos um risco, mas nada que não possa ser revertido. Como diz a canção de Gilberto Gil ... “um copo vazio, está cheio de ar, o ar que ocupa o lugar do vinho ....” |
| Já por diversas vezes a SBAV divulgou eventos que posteriormente foram cancelados pelos mais diversos motivos. Coisas assim, nunca acontecem com a ABS, por exemplo. Isso abala a credibilidade da associação. O que essa direção pretende fazer para prevenir que coisas assim aconteçam? |
Discordo da idéia de que um evento ser cancelado, abalar a credibilidade da entidade. O mais importante é que um evento seja verdadeiro. Em um ambiente acolhedor, com conteúdo, vinhos compatíveis. Cancelar uma atividade faz parte do próprio show. Veja os exemplos do nosso querido Tim Maia ou João Gilberto. Suas credibilidades não ficaram reduzidas, muito pelo contrário, transformaram-se em marketing. Nosso objetivo é fazer sempre um bom evento. Assim, quando algum imprevisto acontece, não nos resta opção senão a de cancelá-lo.
A atual direção, que estou liderando, pretende continuar desenvolvendo tudo aquilo que nós, os fundadores, idealizamos. Nova abordagem da cultura do vinho: o vinho sem gravata, sem formalidade, com descontração, entre amigos, com a cara do Rio. |
| Qual é a configuração da SBAV? Percebo que a entidade vem oferecendo aos associados apenas as degustações de praxe, ou seja, apresentação de uma nova vinícola ou reapresentação de algumas vinícolas com suas novas coleções. A diretoria pretende ampliar esse quadro? |
A relação que temos com os associados é muito direta. Muitas vezes seguimos os seus conselhos. As vinícolas, importadoras ou distribuidoras são parte dessa expectativa. Não queremos e não temos compromisso com nenhum fornecedor. Estamos abertos a todos eles. A diferença é que, caso o fornecedor seja sócio jurídico da SBAV, ele tem o espaço garantido para apresentar de seus novos ou velhos rótulos aos nossos associados e aos seus convidados especiais. Não vejo contradição.
Fazemos também degustações temáticas. A combinação destas duas modalidades é parte integrante da anterior e atual gestão.
Como toda safra ou novos cortes, a procura pelo novo ou desconhecido é sempre salutar. Só assim é possível contribuir para este legado cultural. |
| Qual é a quantidade de associados atualmente? A inadimplência é grande, a ponto de ser um problema? |
A resposta é parte de uma anterior. A SBAV é mantida pelos sócios jurídicos e pelas pessoas físicas. Temos 170 associados individuais e 4 sócios jurídicos. Com este quadro, a inadimplência é baixa. |
| Existe algum projeto para beneficiar os associados com vinhos mais em conta? |
O que estamos fazendo é uma parceria com as importadoras, distribuidoras, lojas de vinho como a Confraria Carioca e o Espaço di Vino, ou restaurante como o Mr. Lam, que oferecem, respectivamente, 10% e 20% de desconto para os associados da SBAV. |
| Paulo, defina a SBAV em função de seu estatuto: a entidade tem ou não fins lucrativos? |
A SBAV não tem fins lucrativos, assim como seus sócios fundadores precisaram investir um montante grande no inicio das atividades, o que a SBAV até agora não conseguiu devolver. O nosso objetivo é divulgar a cultura do vinho. Não queremos formar garçons ou sommeliers. Para isto já temos a ABS que, com muito profissionalismo, faz muito bem este papel. |
| Quais são o serviços que essa diretoria oferece atualmente aos associados? |
Atualmente oferecemos atividades regulares de degustação, cursos e ciclos de palestras específicas. Fazemos viagens nacionais e para o exterior, Wine Weekend e Happy Hours. |
| Quanto ao futuro, quais são os planos e projetos? |
O futuro é ousado: Mensalidade Zero. Para ser sócia, a pessoa pagaria somente uma taxa anual de R$75,00.
Outro projeto, ainda mais ousado, é a transformação do atual espaço – são 6 salas e um restaurante – em um centro cultural enogastronômico. O que é isso? Estamos fazendo uma parceria com uma famosa escola gastronômica - o nome ainda é segredo - para cursos, almoços e jantares harmonizados. Algumas importadoras vão fazer, de forma permanente, um Show Room em uma das salas. E também uma escola de cerveja, além dos cursos, palestras e ciclos de debates já elaborados pela SBAV. |
| Qual a sua preferência, vinhos do Novo Mundo ou do Velho Mundo? |
No Velho e no Novo Mundo há vinhos maravilhosos e medíocres. Tudo depende do ambiente, companhia e o momento em que se degusta. Para o meu paladar, me agradam mais os do Velho Mundo, embora eu também aprecie diversos vinhos no Novo Mundo. |
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