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Entrevistas
Dominic Symington é bisneto de A. J. Symington e juntamente com seu irmão Paul e os primos Charles, Rupert e Johnny, administram a Graham's, Warre's, Dow's e suas 23 quintas, com participação societária em mais duas. Algumas dessas fazendas são de propriedade particular de cada sócio, que fornecem as uvas diretamente às empresas. Esse tipo de integração é uma técnica de administração desenvolvida e empregada pelos Symington.

O somatório das áreas dessas propriedades perfaz um total de aproximadamente 2.100 hectares, dos quais a metade, aproximadamente, estão plantadas com vinhas. As dificuldades e intempéries que as empresas tiveram que suplantar desde os primórdios, tais como, o período Napoleônico, a ditadura Salazar, as duas grandes guerras mundiais, só para mencionar algumas, apenas serviram melhorar a têmpera da família.

Dominic Symington esteve recentemente no Brasil, participando do Encontro Mistral 2010, e concedeu-me a seguinte entrevista.
Carlos Teles Dominic Symington
Quais e quantas são suas empresas?
Temos uma holding, a Symington Family Estates, que é a proprietária das empresas Graham’s, Warre’s, Dow’s e a Quinta do Vesuvio. Cada empresa é independente, com os seus próprios vinhedos, centros de vinificação e os seus armazéns de envelhecimento.

A Symington Family Estates é também a holding da marca de Vinho do Douro, Altano e também somos sócios, a 50%, numa joint venture com a família Prats, de Bordéus, no projeto Chryseia e no seu segundo vinho Post Scriptum, na empresa Prats & Symington, que também acaba de comprar a Quinta de Roriz do Dr. João van Zeller.
Dos mercados que estão sob sua responsabilidade - Suíça, Rússia, Itália, Alemanha, Escandinávia, Ilha da Madeira e Brasil - se traçarmos uma relação, qual a porcentagem que caberia ao Brasil? Atualmente, cerca de 5%, mas com fortes índices de crescimento, em particular nos vinhos Douro DOC.
De acordo com regras pré-estabelecidas, todos os membros da família em atividade têm que se aposentar aos 65 anos de idade. Falta ainda algum tempo para o Sr. chegar lá, mas quais são seus planos para quando esse dia chegar? Não tenho dúvida de que vou poder dedicar mais tempo à minha vinha própria e me tornar num lavrador! O meu coração está no Douro e para mim poder acompanhar a minha própria vinha durante todo o ano será um grande prazer.

Também vai ser um prazer ver os meus filhos e sobrinhos tomar a frente da empresa e continuar o trabalho que foi iniciado por meu bisavô.
A família Symington é de origem escocesa e desde a chegada do primeiro Symington - Andrew James Symington - em 1882 a Portugal, há algumas gerações, a influência britânica tem sido bem marcante. O Sr, que já pertence à 4ª geração, vê alguma mudança nesse quadro ou concorda que os ingleses continuam influenciando o mercado do Vinho do Porto? Na realidade já não somos ingleses, mas ao mesmo tempo não somos portugueses. Porém, o nosso pais é Portugal, a nossa vida è portuguesa.

Concordo que talvez a nossa filosofia seja anglo-saxônica, mas a nossa vida é portuguesa.
A DOC Douro vem passando por uma intensa revolução, principalmente após a mudança da legislação em 1986. A família Symington está no Douro há séculos. O Sr. é mais tradicionalista ou acha que as mudanças têm beneficiado a região? Penso que o desenvolvimento do Douro DOC é absolutamente fundamental para o bem estar e o desenvolvimento da região. Consideramos que o vinho de mesa Douro DOC e o Vinho do Porto são ambos absolutamente essenciais para o nosso futuro.
A Quinta do Roriz, pertencente à família Van Zeller desde 1815, foi comprada por sua família, em maio de 2009. Os Symington já detêm grande parcela do mercado. Existe um projeto de expansão ou as aquisições se dão em função do desenvolvimento natural do negócio? Tivemos uma oportunidade de comprar talvez a última "grande quinta emblemática" do Douro. A nossa política não é necessariamente de comprar mais vinhas só por comprar, mas apenas se ela for realmente crítica e fundamental para a qualidade dos nossos vinhos.

Temos grande orgulho de que nossas empresas são hoje totalmente auto-suficientes nas suas necessidades de uvas da primeira categoria. Todos os nossos Vinhos do Porto de categorias especiais são elaborados com uvas da nossa produção.

Mas continuamos comprando uvas de terceiros, agricultores que nos fornecem há décadas, e podemos estar certos de que trata-se de matéria prima de excelente qualidade.
Os Douro Boys - Cristiano Van Zeller, Francisco Olazabal, Dirk Niepoort, Francisco Ferreira e Miguel Roquette - têm sido encarados como os revolucionários do Douro. O Sr. poderia fazer algum comentário sobre o assunto?
Concordo plenamente. Todos são grandes amigos meus e tenho toda a admiração pelo trabalho que estão fazendo na vertente comercial, como pioneiros dos grandes vinhos do Douro. Todos servem de exemplo de que o Douro realmente tem o potencial para produzir vinhos de qualidade e entre os melhores do mundo.
Por que as vinhas plantadas em encostas escarpadas, voltadas para o Sul, são as mais próprias para o Porto Vintage? Não é absolutamente necessário que as vinhas sejam plantadas voltadas para sul, mas sim à exposição solar. Esta exposição pode variar conforme a localização da vinha. Em geral, as vinhas da região mais a leste – Douro Superior – necessitam de algum abrigo do sol direto, portanto muitas estão voltadas para norte e nordeste. Não estão à sombra, mas sim protegidas de uma exposição direta aos raios solares. Nas áreas mais a oeste e com maior influência das temperaturas mais amenas do Atlântico, a exposição para o sul e sudeste é mais importante para que as vinhas se beneficiem de uma exposição direta ao sol.

É importante lembrar que o Douro é uma região de intenso calor, portanto muitas das regras gerais de exposição solar não necessariamente se aplicam. Exposição à luz é mais importante do que exposição direta ao calor!
Existe um padrão estabelecido para a produção de uvas por hectare para todas as suas quintas? Em regra geral, a produção do Douro é mais ou menos uniforme entre 20 e 25 hl/ha. É evidente que nas regiões mais a leste a proporção tem uma tendência a ser menor, e na região mais a oeste, o Baixo Corgo, as produções são mais elevadas. A produção de nossas quintas sempre se situam na média baixa de produção. Sempre procuramos uma produção reduzida mas de altíssima qualidade.
Qual é o significado das três quintas do Alto Douro - Bom Fim, Zimbo e N.S.da Ribeira - nos corações e mentes da família?
Essas 3 quintas foram as primeiras a fazerem parte da empresa. Foram compradas pelo George Warre, com quem o A. J. Symington se associou. Quando a família Warre voltou para o Reino Unido, as quintas ficaram para a minha família e portanto têm um significado especial para nós todos. Na realidade, durante 3 gerações fomos criados nessas quintas. Foi com muita pena que tivemos que vender a Zimbo e a Sra. da Ribeira, nos anos seguintes à 2ª Guerra, ficando só com o Bomfim.

O Bomfim é visto por toda a família como se fosse o nossa casa de campo e todos nós passamos grande parte da nossa infância nesta quinta.

Foi com enorme orgulho e muita emoção que recompramos a Sra. da Ribeira em 1998. Para mim foi um dos momentos mais altos da minha vida, poder telefonar para meu pai e lhe dizer que tínhamos acabado de recomprá-la... Ele ficou muito emocionado, porque a venda forçada após a guerra tinha lhe marcado muito, mesmo que nunca nos apercebêssemos.

A realidade é que para mim e para minha família as nossas quintas no Douro e as pessoas que lá trabalham fazem parte das nossas vidas e foi com muita alegria que nos juntamos outra vez.
Comentários
Alexandre Henriques
Chef
Niterói
RJ
01/07/2010 Tenho Grande Admiração pelo amigo Dominic Symington onde para mim estão os melhores Porto de Planeta. Não deixem de Provar O Quinta do Vesuvio. Formidavel!

Grande Abraço ao Dominic.
Alexandre Henriques
Roberto Cheferrino
Rio de Janeiro
RJ
01/07/2010 Achei a entrevista anterior mais poética... Quod abundat non nocet... Se acharem minha opinião muito hermética, a transfiro ao seu e-mail pessoal... caso não... aqui segue a tradução: O que abunda não atrapalha.

Parabéns ao amigo.
Osvaldir Castro
Professor Universitário e Enófilo
São José do Rio Preto
SP
01/07/2010 Parabéns, Teles, pela entrevista. O Dominic Symington é uma figura de extrema simpatia, além de nos brindar com seus excelentes vinhos. Valeu!
Valéria Patrocínio
Médica
Niterói
RJ
02/07/2010 Parabéns, Teles, por mais esta entrevista. Para nós enófilos sempre tem importância conhecer os produtores dos vinhos que admiramos.

Ao Dominic, um abraco, tive o prazer de beber e conversar com ele num dos encontros da Mistral.
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