
Continuando com a prospecção de produtos portugueses para importar para o Brasil, a Adrimar Importadora seguiu para o Alentejo, na região da cidade de Portel, onde nos aguardava uma série de visitas à fábricas de enchidos, queijos, azeites e, claro!, vinhos....
A primeira visita foi à Fercarnes, uma impressionante empresa de produção de carnes embaladas e enchidos produzidos a partir dos porcos alentejanos, os famosos Porcos Pretos. O cuidado com a higiene é total e, para visitarmos as instalações, tivemos de vestir aventais, toucas e protetores para sapatos. Sem surpresa, o ambiente é de uma limpeza compulsiva e o desavisado que fosse para lá tele-transportado poderia jurar que estava dentre de uma UTI.
Visitamos a fábrica fora do horário de produção, mas tivemos a deslumbrante visão dos paios, painhos, paiolas e outros embutidos pendurados em seu processo de cura, às centenas. A vontade que dava era de prová-los todos, à mancheias. Infelizmente, naquele ambiente esterilizado, isso era um comportamento impensável. Mas a noite ainda nos reservaria belas surpresas...
Visitamos, a seguir, duas fábricas de queijos artesanais: a Queijaria Oriola e a Queijaria Lactocarmo. Para mim, um apaixonado por queijos e que nunca os havia visto sendo produzidos, foi um aprendizado só. Muito interessante! Na Oriola, ao final da visita, tivemos uma degustação dos queijos, mas alguns deles me surpreenderam pelo excessivo teor de sal. Nossa anfitriã disse que seguia as preferências locais, o que torna um tanto arriscado para lançar no Rio de Janeiro.
Já na Lactocarmo, não houve degustação, mas em compensação saímos com as burras repletas de queijos que nos foram brindados, dentre eles, os especialmente interessantes Cubos de queijo em azeite, em 5 sabores diferentes: quatro pimentas, alho e louro, orégãos, ervas aromáticas e o normal. Bem, falaram a minha língua e eu bem que gostaria de me tornar freguês.
À noite, fomos ao restaurante São Pedro, localizado no Centro de Portel - muito embora seja um exagero falar em Centro - onde nos foi oferecido um jantar pelos produtores da cidade. Foi nada menos do que sensacional. A recepção calorosa, o orgulho dos produtores ao apresentar seus produtos para degustação, os vinhos e as iguarias alentejanas fizeram uma noite perfeita.
Iniciamos com um buffet onde a produção local estava exposta para nossa degustação. Eram enchidos, queijos, azeites, mel, azeitonas, tudo de bom... O jantar foi uma interminável sequência de torresmos, farinheiras, açordas, migas e, claro!, Porcos Pretos.
Os vinhos eram todos da Monte Cruz, do simpático Manuel Cruz, que nos acompanhava. Iniciamos com um excelente Monte Cruz Antão Vaz 2008, fresco e vivaz. Em seguida um vinho de nome esquisito: Têm Avondo 2007, que no dialeto alentejano quer dizer algo assim como "Estou satisfeito". O Monte Cruz Tinto 2005, corte de Cabernet Sauvignon, Syrah e Alicante Bouschet era bem alentejano mesmo, com muita fruta, maciez e sol. E, finalizando, um belo Monte Cruz Syrah 2006, parrudo e ao mesmo tempo macio, de novo com muita fruta e longa duração.
As sobremesas portuguesas, sempre amarelas com os incontáveis ovos utilizados, eram convidativas, mas eu - como sempre - recusei o convite. Assim como recusei os 40º de alcoól da bagaceira servida ao final. Não era possível, pois eu já estava prá lá de Estremoz...
| Sociedade Agrícola Monte Cruz |
A visita à Sociedade Agrícola foi um dos pontos altos da visita ao Alentejo. Em lugar das indefectíveis visitas aos vinhedos, subimos na boléia de uma caminhonete fomos conhecer a interminável extensão de terras da propriedade, suas oliveiras, a criação de gado leiteiro, os javalis e uma enorme represa, o que, no Alentejo, é ouro líquido!
Infelizmente, tanto quanto eu saiba, nenhum negócio foi ainda fechado como resultado dessa espetacular visita. Portanto, se você ficou babando com o que provamos, a curto prazo só resta fazer uma visita a Portel.
Oscar Daudt |