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Não há nada no restaurante que remeta a Brigitte Bardot que povoou os sonhos dos adolescentes da década de 1960. Não há uma só foto da descobridora de Búzios e a decoração da casa é moderna, de ângulos retos e de cores frias, não lembrando em nada aquela década tão distante e nem as esfuziantes curvas da francesinha. Nem ao menos, o número de Ts do nome do novo bistrô - Brigite's - coincide com o nome da atriz. Mas quando a gente lembra que no mesmo endereço da nova casa antes funcionava o Bardot, fica difícil de não fazer a associação...
Parte da entusiasmante leva de novos endereços que abriram no final de 2011, o Brigite's tem andado de casa cheia desde então. O novo empreendimento é de um trio de empresárias - Ana Carolina Gayoso, Bia Stewart e Marina Hirsh - que tomou de assalto a badalada rua Dias Ferreira, no Leblon, e hoje comanda três restaurantes por lá: a nova casa e mais o tradicional Sushi Leblon e o Zuka.
No térreo, o Brigite's tem algumas poucas mesas e um longo e charmoso balcão que é o lugar mais disputado da casa pois, interagindo diretamente com os barmen, pode-se assistir à caprichada elaboração dos coquetéis. É no mezanino, no entanto, que se encontra a maior parte das mesas, sendo duas delas grandes távolas redondas.
A carta de vinhos, assinada pelo consultor Paulo Nicolay, surpreende em muitos aspectos. O primeiro é concisão, pois são apenas 23 rótulos. O segundo é a eficiência, pois tudo o que você desejar, pode encontrar por lá, com uma variedade de castas e países que atende a todos os gostos, sem cair no lugar-comum; até vinho do Canadá tem, e não é ice wine! O terceiro é a praticidade, pois dos 23 vinhos da carta, nada menos do que 17 são vendidos em taça!
E o quarto aspecto positivo - e, como sabem os leitores assíduos, para mim o mais importante - são os preços, honestíssimos. Com as taças começando em 12 reais, pode-se escolher 10 rótulos até o preço de 20 reais. Explicou-me Paulo: "A intenção da casa é oferecer vinhos a preços acessíveis para incentivar o consumo. Como a carta é curtinha e o consumo é elevado, pudemos negociar com os fornecedores preços especialíssimos, em função da grande quantidade comprada." E onde mais, nesta cidade, pode-se beber uma taça de Champagne por 25 reais? Ganha um autógrafo de Don Pérignon quem me indicar. É realmente uma estratégia inteligente essa, não é mesmo?
Alguns podem ficar assustados em saber que, com tantos vinhos em taça, a casa não conta com aquelas máquinas do tipo Enomatic. Na verdade, o que funciona por lá é o bom e velho Vacu-vin. Mas não é preciso ficarem apreensivos com isso, pois como a rotatividade é grande, até o Vacu-vin seria desnecessário. E essa economia de investimento também colabora para a formação dos preços baixos. É exatamento o esquema que a gente vê nos tradicionais bares de vinho europeus...
O cardápio também não é muito extenso, mas tem tantas propostas interessantes e criativas que em uma só visita não se pode matar todas as curiosidades. Como estávamos em três à mesa, no entanto, pedimos 3 entradas e 3 pratos principais que foram socializados, permitindo a todos conhecer um pouco mais do menu.
Existe uma seção chamada Balcão que lista os tira-gostos servidos adivinhem onde? Eu não provei, mas ouvi falar muito bem do Coquetel de Camarão, um quitute que andava esquecido, fora de moda, e que parece agora estar revivendo nas cartas da cidade para alegria dos saudosistas.
A melhor entrada - na verdade, o melhor de tudo na noite - foi um espetacular Gravlax com creme fresco temperado com cardamomo, que fazia um conjunto exótico e delicioso, ainda mais que acompanhado por umas torradinhas que deveriam ser vendidas separadamente de tão boas. Quem for lá, não pode deixar de experimentar. Outro ponto alto das entradas foram os Croquetes de pato, crocantes por fora e cremosos e cheios de carne por dentro. Showzaço!
Mas mesmo eu, que sou um polvófilo, fiquei decepcionado com o Carpaccio de polvo, uma espécie de embutido do molusco, de gosto ligeiro e com um consistência que tornava impossível serví-lo sem fazer uma grande lambança.
Dos pratos principais, gostei muito da criatividade e do sabor do Pappardelle de pupunha em parmesão trufado, onde o palmito cozido com açafrão fazia as vezes da massa. E excessivamente deliciosa era a D'Angola ao leite azedo - o azedo me deixou um pouco temeroso - mas foi só provar o prato para ver que era de uma perfeita harmonia. E vinha sobre uma cama de excepcionais - olha elas aí de novo! - torradinhas.
E, outra vez, eu que além de polvófilo sou também um cogumelófilo, achei a Caçarola mix de cogumelos uma decepção: surpreendentemente, dentro da mesma mistura, os cogumelos de Paris estavam sobre-temperados enquanto os Portobellos eram sem gosto e com uma textura, digamos, anacrônica...
Oscar Daudt |
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