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Sempre o mesmo problema

Eu sei que arrisco a me tornar o cronista de um tema só, mas não resisto a continuar com minhas reclamações quanto à distribuição dos vinhos brasileiros. Os vinhos mudam, melhoram, se diversificam, mas a distribuição sofrível continua a mesma.

Mas vamos começar pelo começo: há cerca de um mês, estive no excepcional Tour Frilat 2009, em Volta Redonda, e lá conheci, entre muitos outros vinhos, o novo lançamento da Miolo, Fortaleza do Seival Viognier 2008. Como eu não sou nenhum Robert Parker, que consegue degustar 200 vinhos seguidos, dar nota a todos e saber tudo de cada um, a única coisa que eu lembrava desse vinho era de que havia gostado.

Portanto, quando voltei ao Rio comecei a minha epopéia para encontrá-lo e degustá-lo calmamente, como eu gosto de fazer, meditando... Mas após muitos tiros n'água, tentando os canais habituais (Zona Sul, Mundial, Alipão, Planeta Sonho...), decidi apelar para a Miolo e perguntar onde poderia encontrar o novo Viognier a uma distância razoável de onde moro, no bairro das Laranjeiras. Tolinho! O vinho só estava sendo vendido em 4 lugares: 2 na Tijuca, 1 em Vila Isabel e 1 na Barra da Tijuca. Quem conhece o Rio sabe que não há vinho no mundo que valha a pena enfrentar uma viagem engarrafada de Laranjeiras a esses outros bairros. Principalmente, para quem busca apenas uma garrafa.

A Miolo, gentilmente, se ofereceu para me vender o vinho por intermédio de um distribuidor amigo, mas para tanto eu teria de comprar 6 garrafas. Recusei! Eu não queria meia dúzia, eu queria apenas 1 garrafa. Aliás, 6 parece ser o número mágico para as vinícolas nacionais. Só vendem 6, não importa do que seja. Vejam só que exemplo mais esquizofrênico: no site da Miolo, pode-se comprar 6 garrafas do vinho Terranova Shiraz 2008, a 13 reais cada, e pagar 78 reais no total. No entanto, não se pode comprar 1 garrafa do Sesmarias 2008 que custa 180 reais cada! Não dá para entender! Eu, que havia provado esse último vinho no Vale dos Vinhedos, queria comprar 1 garrafa, nada mais do que isso. No entanto, como a Miolo quer me obrigar a comprar 6 garrafas desse vinho caro prá xuxu, fiquei na saudade e não comprei nenhuma.

Bem, mas continuando com o Viognier, dias depois a Miolo me mandou um e-mail dizendo que esse vinho já estava a venda na loja Delli Tutty, na Av. Rio Branco. Para mim, bem mais razoável, e como esta semana fui ao centro da cidade, aproveitei e finalmente, comprei o vinho. Custou R$24,50.

Agora, concluam comigo, como é perverso esse mercado de vinhos brasileiros! Se a Miolo, que é uma das maiores vinícolas do país - se não for a maior - e tem um escritório no Rio, não consegue que as lojas da segunda maior cidade do país vendam seus vinhos, o que dizer das pequenas vinícolas? Que chance elas têm de penetrar nesse mercado preconceituoso? Acho que nenhuma.

E o coitado do consumidor, então, tem de fazer uma ginástica despropositada para conseguir comprar um simples vinho. Do alto de sua empáfia, as vinícolas se recusam a vender por unidade, como se possuíssem o melhor sistema de distribuição do mundo. Tenha dó!

Mas, por ora chega, já chorei demais! Vamos ao que interessa...


A degustação do Fortaleza do Seival Viognier

Com calma, como aperitivo, degustei o novo lançamento e confirmei a única coisa que lembrava: gostei do vinho. Aliás, gostei muito!

A Viognier é uma casta muito aromática que já foi extensivamente plantada no norte do Rhône. No entanto, por ser temperamental, de baixa produção e resultar em vinhos sem capacidade de envelhecer foi aos poucos sendo abandonada e há cerca de 40 anos só restavam 14 hectares de vinhedos. Mais recentemente, em função do interesse dos consumidores por castas diferentes das figurinhas carimbadas do mercado, a Viognier está ressurgindo no Rhône e em diversos outros cantos do planeta.

Para exibir seus exóticos aromas, essa casta exige um completo amadurecimento e a dificuldade é preservar uma boa acidez. Mas a Miolo conseguiu um perfeito equilíbrio na Campanha Gaúcha, oferecendo um vinho muito fragrante e com muito frescor. Saltam às narinas os intensos aromas florais e de pêssego, com discreta banana e toques minerais. E a boca é cremosa, fresquíssima e a gente esquece da vida e vai bebendo com grande prazer, sem nem notar os 13,5% de álcool. Com isso, terminei exagerando um pouco...

Eu recomendo sem pestanejar! E considerando seu precinho camarada, é um vinho perfeito para enfrentar o calor que já bate a nossa porta. Excelente como aperitivo, é um vinho que chama a atenção por sua personalidade única e que vai muito bem com um queijo de cabra num fim de tarde modorrento. Ofereça a seus amigos que, tenho certeza, irão lhe agradecer. Isso, é claro, se você conseguir encontrar o vinho para comprar...


O único Viognier brasileiro?

Durante a Frilat, a Miolo, orgulhosamente, apresentava esse vinho como o primeiro e único Viognier brasileiro. Eu fiquei bem quieto, para não ser desmancha-prazeres, mas o Fortaleza do Seival não é nem uma coisa nem outra. O Golias do vinho foi surpreendido por um pequeniníssimo Davi: a desconhecida vinícola Campos de Cima, localizada na também desconhecida região gaúcha da Campanha Oriental, no município de Itaqui, já havia lançado o Campos de Cima Viognier 2008 antes (foto ao lado).

Esse pequeno empreendimento familiar, muito novinho, está fazendo tudo como manda o figurino, com a supervisão da Embrapa, e oferece diversos vinhos: Tempranillo, Tannat, Malbec e alguns cortes. Eu já provei o Tannat, honestíssimo por seus 18 reais, e também seu único branco, o Viognier, a 13 reais, que ainda deixa muito a desejar. É claro que eu fico torcendo por eles e espero que a safra de 2009, já com mais experiência, possa concorrer com o vinho da Miolo. Por enquanto, não dá nem prá saída...


Serviço:
Delli Tutty
Av Rio Branco, 88 - lj 3
Centro - Rio de Janeiro
(21)2242-5150
 
Comentários
Rodrigo Castello Branco
Enófilo
São Luís
MA
11/09/2009 Caro Oscar.

Na Vini Vinci que aconteceu em maio no Rio, tive os mesmos problemas ao tentar adquirir algumas garrafas do produtor Angheben. O resultado disto é que até hoje, já em setembro, continuo sem conseguir fazer a compra dos referidos vinhos e sigo satisfeito com os importados.

Depois reclamam.

Um abraço.
JC Couto
Advogado
Rio de Janeiro
RJ
11/09/2009 Caro Oscar Daudt,

Embora discordante de seu ponto de vista que seja difícil chegar em bairros como Vila Isabel e/ou Tijuca saindo de Laranjeiras (basta subir a Rua Laranjeiras e pegar o túnel. Em 20 minutos, no máximo, chega-se em qualquer um dos dois bairros), seria de grande valia para mim (morador do Méier - bairro próximo a Tijuca/Vila Isabel) se o senhor informasse em quais lojas estão vendendo o "Fortaleza do Seival Viognier 2008".

Agradeço antecipadamente.

JC Couto

Couto,

A relação de lojas que a Miolo me passou é a seguinte (infelizmente só tem o nome, não tem o endereço):

  • GRÃOS DE MINAS - Tijuca
  • MINI MAX - Tijuca
  • PORT FOOD - Barra da Tijuca
  • SUPERMERCADO PREMIUN - Vila Isabel

    Espero que você consiga achar!

    Oscar
  • Jorge Martins
    Enófilo amador
    Rio de Janeiro
    RJ
    11/09/2009 Com relação aos vinhos da Anghebem, tive o prazer e visitar a vinícola em Bento Gonçalves e degustar alguns de seus vinhos. No Rio de Janeiro é impossível comprar, mas podem ser adquiridos diretamete no site da vinícola.

    Quanto à distribuição da Miolo, parece que eles só têm interesse em distribuir o Miolo Seleção. Os vinhos razoáveis como o Fortaleza do Seival Pinot Grigio, são quase impossíveis de se obter.

    Cordial abraço.

    Rodrigo e Jorge,

    Os vinhos da Angheben são vendidos pela Importadora Vinci. É só ligar para (11)2797-0000 e pedir. Eles entregam no Brasil inteiro, mesmo se for uma garrafa. O problema é o frete que fica por conta do comprador.

    Quanto ao Fortaleza do Seival Pinot Grigio, esse vinho é encontrado nas filiais do Zona Sul.

    Abraços,
    Oscar
    Leandro Gualberto
    Ébrio
    Rio de Janeiro
    RJ
    11/09/2009 Vamos por partes:

    1- Sou morador da Barra há alguns anos mas passei boa parte da vida morando na Tijuca e ainda vou diariamente pra lá. Sinceramente nao conheço nenhuma das lojas citadas nesses bairros.

    2- Concordo que o trânsito + violência do RJ não vale a economia do frete em 1 garrafa de vinho. Conheço distribuidores do RJ que te entregam a partir de 1 garrafa com frete gratis. Só não vá exigir entrega para o mesmo dia que isso não é Sedex Hoje. rsrs

    3- Acredito que essa política de venda da Miolo de apenas caixas de 6 seja para não se intrometer nas vendas locais. Os distribuidores e vendedores locais devem ter isso como acordo com a Miolo. Não é a toa que os vinhos comprados nas vinícolas do Sul custam o mesmo ou até mais que os mercados da região. É assim no Brasil, Chile e Argentina. A visita à vinícola é uma atração a parte. Você não está indo a um distribuidor de bebidas (cerveja, refrigerante e etc) com aquelas caixas empilhadas, locais imundos e quentes, vendas no atacado e funcionários mal educados. Nossas vinícolas são verdadeiros parques. Tem gente que gosta da Disney. Já passei dessa fase. Eu prefiro Bento Gonçalves, Mendoza e Napa Valley. Mas, voltando ao assunto, já que os distribuidores locais não dão conta do recado, a Miolo deveria fazer algo a respeito.

    4- Quanto à Angheben, além da Vinci, você pode encontrar também em distribuidores locais. Colocarei outro post com os contatos. Apesar de a visitação e "show room" ser em Bento - aliás, ótimo atendimento pelos próprios familiares - boa parte da produção e plantações vem de Encruzilhada do Sul. Fiquei de ir até lá e conhecer mais um pouco sobre a vinícola, mas a distância de lá para Bento e a falta de infraestrutura da cidade me desanimaram.

    Comentário extra: Fico impressionado como tudo conspira contra o consumidor brasileiro. Se não são os impostos é a ganância. Quais os motivos para um preço elevado de um vinho? Alto custo de produção, impostos, importação, frete, lotes limitados de safras especiais. Premiações nõo aumentam o valor dos vinhos. Após as premiações a demanda aumenta e aí sim o preço sobe. É assim fora do Brasil com safras melhores de alguns anos.

    Agora eu pergunto. Por que uum vinho simples, mas honesto, com uma safra absurdamente grande (Fortaleza do Seival, Rio Sol e etc) aumentam de preço absurdamente após algum comentário positivo ou mesmo premiação nacional??? Quando o Rio Sol surpreendeu a todos num teste cego o preço dele nas prateleiras pulou de honestos R$ 15 para absurdos R$ 28!!! Quando acho uma pérola dessas nacional (barato e honesto pro dia-a-dia) eu torço pra não ganhar prêmios. Foi assim com o Rio Sol, Casa Valduga Gewurztraminer 2007 (apenas esse ano), Cave Geisse Nature e etc. Por que um Salton Talento vendido na vinícola e no Mundial a R$ 45 (as vezes vai a R$ 39!!!) custa ridículos R$ 99 no Pão de Açucar? Estamos falando de vinhos nacionais cujo preço depende do frete e margem de lucro do vendedor e não importação oficial. Ja acho muito pagar R$ 45, quanto menos R$ 99! Tem muito importado de 5 a 6 euros que pagamos R$ 50 sorrindo e sinceramente, vale mais a pena! Se a carga tributária do vinho nacional e a cara-de-pau dos vendedores não mudarem, vai ficar difícil ter preferência pelo produto nacional.

    Desculpem o post enorme.
    Marcus Ernani
    Leitor
    Rio de Janeiro
    RJ
    11/09/2009 Oscar,

    Os vinhos brasileiros sofrem de dois graves problemas crônicos - alto preço e péssima distribuição!

    Não há relação direta entre ambos. Porém, de conseqüência única: consumimos muito mais os importados!
    Rodrigo Castello Branco
    Enófilo
    São Luís
    MA
    11/09/2009 Oscar.

    Voltando ao problema. Quando tentei comprar o Angheben aconteceu o seguinte: cheguei cedo (porém dentro do horário estabelecido) para a Vini Vinci exatamente para tentar ir encaminhando a possível compra de algum produto. De cara já vi que ia ser difícil pois “ainda não havia chegado” ninguém que passasse as informações necessárias. No final a coisa continuava do mesmo jeito, ou seja, ninguém sabia nada referente a valores de frete e contentavam-se em pedir que eu ligasse para São Paulo e fizesse o pedido.

    Agora veja a situação: resido atualmente em São Luís do Maranhão. Como estava de passagem pelo Rio, juntamente com minha esposa, e sem bagagem, queria aproveitar para trazer alguns rótulos que não conhecesse como o Angheben, o qual havia provado e gostado.

    Como não consegui fazer a compra do referido produtor, acabei adquirindo em outro local vinhos diferentes do Angheben.

    Posteriormente, fiz uma cotação com algumas transportadoras tomando como base o volume de 6 garrafas e o peso de 1,4 kg por garrafa. O valor do frete era quase 50% (cinqüenta por cento) do valor da mercadoria.

    O que acho é que algumas “importadoras” impõem uma exclusividade aos produtores e “trancam” o vinho com uma política de fretes inteiramente fora da realidade e como se apenas São Paulo fosse consumi-lo.

    No caso da Vini Vinci, um outro detalhe que chamou a atenção, tendo eu inclusive falado sobre isto com o produtor: era que todos os outros tinham seu preço em dólar, exceto o Angheben que estava em reais. Será que as pessoas presentes deram-se conta disto?

    Um abraço e até breve.
    Fernando Miranda
    Professor da ABS
    Rio de Janeiro
    RJ
    11/09/2009 Oscar

    Logistica de distribuição de vinhos não é um bicho de 7 cabeças. Penso que o problema é o estigma que o vinho brasileiro ainda enfrenta, mesmo com as grandes e conhecidas marcas como a Miolo.

    Cito como exemplo de comparação o vinho Santa Helena que é importado e distribuído pela Interfood (400.000 caixas por ano!), que você encontra mesmo em qualquer armazenzinho de cidades pequenas do interior dos estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais por onde circulo. Só que o Santa Helena é importado e para muitas pessoas faz toda diferença. Ainda existe o conceito totalmente falso de que o que vem de fora é sempre de melhor qualidade do que o produzido nacionalmente. Esta foi uma pecha que nos foi colocada pelos nossos colonizadores no passado de que coisa boa vinha da Europa e tudo que se produzia aqui era ruim.

    Eu penso que o grande culpado também pelo estigma do vinho brasileiro de qualidade, seja o famigerado e horroroso vinho de uvas americanas (os de garrafão) que já deveria ter sido proibido de se fabricar há muito tempo e que denigre a imagem geral dos vinhos nacionais. Recentemente até o Uruguay fez um plano de reconversão de seus vinhedos e não mais se elaboram vinhos com aquelas uvas, seguindo o padrão internacional, proibindo-os.

    Espero que os amigos concordem.

    Abraços
    Fernando Miranda

    Pois é, Fernando, eu estou fazendo a minha parte, e sempre que bebo um bom vinho nacional, faço questão de divulgar.

    Mas realmente não consigo concordar com essa limitação de venda de 6 garrafas que as vinícolas brasileiras impõem. Há alguns meses, quando estava em busca do Casa Valduga Gran Reserva Chardonnay, o representante da vinícola aqui no Rio não quis de jeito nenhum me vender uma garrafa. E veja que, como eles estão localizados perto da minha casa, eu poderia ter ido lá e comprado. Quando pedi um endereço em que o vinho estivesse disponível, a resposta foi: "Nós ainda não vendemos o Chardonnay Gran Reserva para nenhuma loja!" Parece brincadeira, mas eles não conseguem vender para as lojas e ficam impondo restrições ridículas para a venda direta ao consumidor!

    Oscar
    Aguinaldo Aldighieri
    Enófilo
    Rio de Janeiro
    RJ
    11/09/2009 1)A Grãos de Minas é uma loja situada na Rua Conde de Bonfim, em frente ao Tijuca Tênis Clube. E o MINI MAX é um mercadinho na mesma rua Conde de Bonfim, mas na Muda, entre as ruas Rademaker e Garibaldi, e em frente a um posto Shell.

    2)Tenho comprado vinhos da Miolo sem grandes problemas. Quando desejo poucas garrafas vou à loja da Miolo na Barra, no Centro Empresarial Mario Henrique Simonsen, na Av. das Américas. Nem sempre eles têm todos os vinhos da Lista, mas pode-se consultar antes: tel. 3077-0150.

    Como estou cadastrado no Projeto CONFRARIAS, pago menos nas encomendas à Gabriela ou à Leandra, em Bento Gonçalves, pelo tel 0800 970 4165. Acima de umas poucas centenas de reais não é cobrado frete e entregam em casa na mesma semana. A única condição da Miolo é que o total dos vinhos seja múltiplo de seis. Então, em minha última compra eu encomendei: 2 Espumantes Millésime (47,00), 2 Brandies Osborne (21,50), 2 Jerez Osborne Fino Quinta (61,00), 3 Quinta do Seival Castas Portuguesas (39,17), e 3 Fortaleza do Seival Pinot Grigio (17,17).

    Abs
    Aguinaldo
    Jorge M Alonso
    Estudante
    Rio de Janeiro
    RJ
    12/09/2009 Estive lendo a matéria bem como os comentários e gostaria de deixar uma sugestão.

    Não que eu concorde com o fato de as importadoras e ou vinícolas venderem apenas de seis em seis garrafas. Concordo que temos que nos manifestar contra para que isso mude, mas enquanto permanece assim, penso que o melhor seja bolar um modo de contornar o problema, por isso deixo uma sugestão: quando os colegas desejarem fazer algum pedido, poderiam formar grupos com amigos que moram perto e fazê-lo em conjunto, sendo assim dividem-se o frete e as garrafas.

    Abraços,
    Jorge
    Oscar Daudt
    EnoEventos
    Rio de Janeiro
    RJ
    12/09/2009 O Código de Defesa do Consumidor, na Seção IV, artigo 39, determina que:

    "É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas:

    I - condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou serviço, bem como, sem justa causa, a limites quantitativos;"
    Carlos Machado
    Winemaker
    Teófilo Otoni
    MG
    12/09/2009 Oscar,

    Inicialmente não iria fazer um comentário, pelas mesmas razões que você utiliza em sua primeira frase, "Eu sei que arrisco a me tornar o cronista de um tema só". Mas depois de ler alguns comentários, e perceber que as posições estão bem divididas, atrevo a deixar a minha opinião.

    Contudo, primeiro uma pergunta: será que ao buscar comprar uma garrafa de vinho diretamente de um produtor estrangeiro, se consegue com maior facilidade? Soube que "não". Inclusive recentemente solicitei a um amigo português (residente em Portugal) que comprasse umas garrafas de um determinado vinho, diretamente do produtor, e ele ainda não teve sucesso.

    Outra pergunta, é justo desejar que um produtor brasileiro de 10 milhões de litros/ano, tenha uma logística para nos vender e entregar uma única garrafa de vinho, em qualquer lugar do Brasil (país continental)?

    Em sites como www.meuvinho.com.br, www.vinhosweb.com.br, www.vinhosevinhos.com.br e www.vinhosnet.com.br; qualquer um de nós compra uma única garrafa de quase todos os produtores brasileiros, e recebe no conforto de sua casa. Claro que vai se pagar um frete desproporcional ao valor do produto; mas eu não conheço sites de importadoras que me entreguem uma única garrafa de um vinho sem me cobrar um frete proporcional ao que é cobrado pelos sites de venda de vinhos brasileiros.

    Então, por que não ir a uma loja bem perto da minha casa e comprar o rótulo brasileiro que me interessa? Porque a loja não comprou os rótulos brasileiros, e não o fez em função dos arcaicos paradigmas (que tanto temos procurado debater e quebrar).

    Por último, quero deixar um testemunho: Eu moro em uma cidade do interior de Minas Gerais, distante 450 Km da capital, e no sentido norte. Nunca deixei de degustar os rótulos brasileiros que desejei; e só comprei caixa com seis quando eu tive a vontade de fazê-lo.

    Oscar, aprendi a lhe ter um grande respeito e admiração, mas acredito que precisamos debater mais a questão, porque corremos o risco de estarmos sendo injustos com algumas das nossas posições.

    Abraço fraterno,
    Carlão.
    Marcio Vieira Silva
    Enófilo
    São Paulo
    SP
    13/09/2009 Concordo com o Oscar. Em junho deste ano havia lido na coluna do Saul Galvão no Estado de São Paulo sobre o Salton Virtude (por sinal uma menção honrosa a este grande critico e apreciador que nos deixou esta semana). Acontece que não conseguia encontrar este vinho em lugar algum. É um chardonnay de primeira linha. Desisti de procurar. Só ontem, bem por acaso, o encontrei no Emporio São Paulo e paguei R$ 50,45.

    Também queria comprar o Miolo Terroir e a safra 2005 do Lote 43. Pelo site da Miolo é esta história de caixa com 6. Há questão de um mês eles criaram uma caixa mista que contém o Terroir e o 43. Mas, mesmo assim, eu não queria os outros vinhos, pois já os havia experimentado! Preferi não comprar.

    Quanto a Angueben, estive na propria vinícola em julho do ano passado e eles não tem o espumante para venda lá mesmo! Mas na Vinci sim e foi lá que consegui compra-lo. Outra coisa: Os preços são exatamente os mesmos da VInci. Então não compensaria vir carregado, correndo o risco de pagar por excesso de bagagem e que minhas garrafas se quebrassem. É melhor pedir comodamente pela net e ter os vinhos na minha porta!

    Também há a questão da venda. Em uma loja o vendedor me informou que os vinhos brasileiros "não rodam". O preconceito ainda existe e as pessoas preferem comprar um vinho argentino de décima categoria por 20 reais do que um brasileiro de 30 de boa qualidade. Este assunto é bem complexo e vai desde a cultura do consumidor a questão da taxação.

    Grandes abraços e parabéns pelo site!

    O Salton Virtude bem que poderia mudar o nome para Salton Virtual. Ninguém consegue comprá-lo! Eu não consegui encontrá-lo no Rio de Janeiro, apesar de muita procura. Só consegui achar em Porto Alegre, quando estive lá em julho.

    Oscar
    Reinaldo Paes Barreto
    Enófilo
    Rio de Janeiro
    RJ
    15/09/2009 Prezado Oscar,

    Concordo com todos que te apoiaram. Achar uma garrafa de um vinho brasileiro que "a gente está a fim" é - como diria o Manuel Bandeira em Vou-me embora para Pasárgda - "uma aventura de tal forma inconsequente, que Joana a Louca de Espanha, Raínha e falsa demente, vem a ser contraparente da nora que nunca tive!"

    Já procurei esse seu mesmo Fortaleza do Seival Viognier nos Zona Sul de Copacabana e Ipanema e, necas. Depois se queixam dos que, como eu nesse dia, revoltado, comprei logo 2 garrafas do Viognier argentino da Susana Balbo!

    Continue a sua cruzada, Oscar, e conte conosco!
    Fernando Sequeira de Matos
    Aposentado e enófilo
    Mealhada
    Portugal
    24/09/2009 Caro Oscar

    Não fossem as vides Americanas e a philoxera tinha comido todas as videiras da Europa. Mas combatida e vencida esta praga através dos enxertos em vides americanas, acabou a sua utilidade e foram cruelmente por lei arrancadas. Acabou o vinho americano e as vides salvadoras.

    Uma das causas da idéia de que no Brasil só há maus vinhos é exactamente a grande produção de vinho com esta origem e a solução é simples: é obrigar ao arranque das vides americanas. Experiência com provas dadas.

    Bons vinhos
    Fernando Sequeira de Matos
    Osmir Avila Abrantes
    Enófilo
    Cascavel
    PR
    12/10/2009 Além do problema de taxação do vinho nacional, de logística para entrega de seus produtos, da idéia preconceituosa que vinho é bebida para abastados, eu que moro no Sul e fui a Fenavinho/2009, percebo que realmente há uma necessidade hérculea de se fazer um marketing das excelentes vinícolas e seus espetaculares vinhos nacionais, no que diz respeito as qualidades desta bebida.
    Alejandro Cardozo
    Enólogo
    Caxias do Sul
    RS
    12/10/2009 No que a variedade Viognier se refere, a primeira vinícola a lançar um Viognier nacional foi a Cia Piagentini. Seu premer produto foi um espumante chardonnay/viognier na línea gran reserva no ano de 2005, espumante que foi seguido pela safra 2006, e como vinho tranqüilo foi lançado na linea decima no ano de 2006. Além de isso, nos anos 2007 e 2008, ficou entre os 16 vinhos da Avaliação Nacional de Vinhos.

    No sera que esse vinho é o premer Viognier Nacional?
    André
    Enófilo
    Rio de Janeiro
    RJ
    12/10/2009 Caro Oscar,

    Sou novato nesse maravilhoso mundo dos vinhos e nas minhas andanças cariocas em busca de determinado tannat uruguaio (Carlos Montes), acho que me deparei com esse Viognier da Miolo. Foi na CADEG. É grande a quantidade de vinhos por lá e todos com preços ótimos. Esse da Miolo, se não me engano, estava por R$ 18,90.

    Também sou de Laranjeiras e costumo ir à CADEG. Na próxima semana estarei por lá e assim te confirmo o preço.

    Abraços.
    André
    Luciana de Oliveira
    Olivier Bebidas
    Rio de Janeiro
    RJ
    06/01/2010 Olá Oscar.

    Tomei coragem e pela primeira vez escrevo um comentário. São os fluidos de 2010. rs...

    Trabalho no Cadeg e possivelmente o André comprou o Fortaleza do Seival Viognier (18,90) na minha loja. Aproveito para divulgar o Cadeg, onde além de vinhos, temos flores, frutas, verduras, laticínios, carnes exóticas, bacalhau e aos sábados uma alegre festa portuguesa.

    Bjs e vinhos.
    Luciana de Oliveira

    Eu conheço bem o CADEG e é lá que compro os vinhos para o dia a dia - e até alguns mais diferenciados - pois são os melhores preços do Rio. Estive lá semana passada comprando espumantes para o Ano Novo, exatamente em sua loja. Se era você que estava no caixa, então eu sei quem você é... A próxima vez que for lá, me identifico para você.

    Um abraço,
    Oscar
    EnoEventos - Oscar Daudt - (21)9636-8643 - [email protected]